Caro Maestro,
Quem lhe escreve é André Vasconcelos - o matuto perdido no meio do Sertão do Pajeú em Triunfo (PE). Infelizmente não tive como me despedir quando deixaram o Sesc Triunfo com destino a Bodocó. Fiquei muito aborrecido com isso, mas estou me organizando para revê-los em outubro no Santa Isabel.
Acredito ser muito gratificante terminar uma jornada como foi o "Sonora Brasil" com a sensação de ter cumprido o que foi proposto à grande Orquestra do Mato Grosso. De nossa parte, só nos resta agradecer a oportunidade de proporcionar ao nosso país essa integração nacional através da obra de Villa-Lobos. O mérito com certeza é de todos que fazem a Orquestra.
Nota-se o quanto são profissionais, mas não somente isso. Percebe-se o carinho com o público, o prazer com que executam cada instrumento, o devotamento a música, ... isso, acho eu, cativou a todos por onde a Orquestra passou. Um trabalho lindo, porém, para quem acompanha o seu trabalho não é nenhuma surpresa. Seu talento e competência são velhos conhecidos do público brasileiro. É louvável sua coragem quando tendo toda uma carreira vitoriosa e de sucesso como concertista de violão volta a estudar e ser aluno. Como grande empreendedor, inovador e gênio inquieto se torna um grande maestro, se fixa num estado da região centro-oeste, idealiza uma orquestra, viaja todo o Brasil (não só aos grandes centros como também as pequenas cidades) levando cultura e mostrando a um país que é possível e viável um trabalho sério, exitoso e de vanguarda fora do eixo Rio / São Paulo. Parabéns e vida longa a Orquestra do Mato Grosso.
Mais uma vez obrigado por tudo e sucesso.
Um forte abraço,
André Vasconcelos
avtriunfo@bol.com.br
avasconcelos@sescpe.com.br
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008
Domingo, 3 de Agosto de 2008
Anjo da Guarda Baiano
Ainda não recebi a foto de nosso anjo da guarda baiano (e aí professor Luciano, estou aguardando... :-), mas resolvi me antecipar e deixar a foto pra depois. Trata-se do Sr. Itamar (também conhecido popularmente como "Itamar Feliz Natal" :-)
Ele bateu o recorde de simpatia e nos brindou com seu bom humor constante, fino trato, educação esmerada, e não bastasse isso, mostrou-se extremamente hospitaleiro. Fez questão de nos levar à sua casa para conhecer sua família, e depois ainda nos deixou pessoalmente no aeroporto.
Não existiu mal tempo nem problema insolúvel. Com seu espírito bem baiano, no qual a calma e a paciência são pontos fortes, ele atendeu a todas as nossas necessidades e superou expectativas.
A ele meu grande abraço, extensivo à família, e votos de felicidade e sucesso (aliás, não poderia faltar, Feliz Natal! hehehehehehehe).
Zevang
Ele bateu o recorde de simpatia e nos brindou com seu bom humor constante, fino trato, educação esmerada, e não bastasse isso, mostrou-se extremamente hospitaleiro. Fez questão de nos levar à sua casa para conhecer sua família, e depois ainda nos deixou pessoalmente no aeroporto.
Não existiu mal tempo nem problema insolúvel. Com seu espírito bem baiano, no qual a calma e a paciência são pontos fortes, ele atendeu a todas as nossas necessidades e superou expectativas.
A ele meu grande abraço, extensivo à família, e votos de felicidade e sucesso (aliás, não poderia faltar, Feliz Natal! hehehehehehehe).
Zevang
Sábado, 2 de Agosto de 2008
Salvador, considerações 'quase' finais e agradecimentos
(Leandro) Ufa ... Chegamos ao final. Depois de quase 100 dias, milhares de kms rodados, 22 estados (22 capitais), 78 cidades e 80 concertos ... concluímos nossa participação no Projeto Sonora Brasil. Acabamos de realizar nosso último concerto, no Sesc Pelourinho em Salvador. Voltamos para o hotel em clima de festa, muita alegria, despedida, lágrimas e alivio. Minha visão está turva. Estou exausto e não tenho condições, neste momento, de fazer uma avaliação mais abrangente da nossa participação neste projeto. Prefiro voltar para casa, deixar a poeira abaixar, para voltar a este Blog e deixar minhas ‘impressões finais’.
Nesta despedida parcial, gostaria de expressar meu respeito por todos os músicos da Orquestra do Estado de Mato Grosso que integraram esta missão. Houve comprometimento artístico de TODOS, em TODOS os concertos. Não cancelamos, nem faltamos, nem perdemos, nenhum concerto. Pelo contrário, aceitamos realizar mais concertos do que o previsto (como ‘concertos didáticos’) e palestras sobre gestão de orquestras, sempre que nos foi solicitado. Aceitamos fazer concertos em condições inadequadas e fora das condições acordadas (como, por exemplo, após viagens de mais de 9 horas de ônibus em estradas ruins e perigosas ). NUNCA tocamos com desdém por estarmos numa cidade pequena ou desconhecida. Pelo contrário, com a consciência da importância da nossa missão, a entrega foi total, sempre, e a energia transmitida pelo público em cidades menores, onde uma orquestra chegava pela primeira vez, incendiou o grupo que respondeu, sempre, com interpretações emocionantes. Em 99% dos casos, os técnicos do Sesc nos disseram que naquela noite estávamos batendo um recorde de público do Sonora Brasil. Tivemos uma média de 650 pessoas por concerto (as fotos deste Blog podem comprovar este número) atingindo um público (recorde) de mais de 50.000 pessoas. Note-se aqui que todos os concertos foram realizados em locais fechados (!). Em praticamente todos os estados por onde passamos, fomos matéria de destaque (normalmente de capa) dos maiores jornais impressos e das principais emissoras de televisão. Aqui cabe um agradecimento especial a Rede Globo de Jornalismo que ‘cobriu’ grande parte dos nossos concertos, gerando um conteúdo precioso e fazendo com que a mensagem da Orquestra e do Sonora Brasil chegasse a milhões de brasileiros.
Com estes números posso dormir tranquilo, certo que fizemos um bom trabalho.
Agradeço o Departamento Nacional do Sesc, na pessoa do Sr. Wagner Campos, pelo convite e oportunidade de apresentar a música sinfônica de Heitor Villa-Lobos a todo o Brasil. Demos nosso sangue para fazer isso da melhor maneira possível.
Agradeço às unidades regionais do Sesc, a todos os técnicos e gerentes responsáveis pela realização do Sonora Brasil. Parabenizo a maioria das unidades pelo ótimo trabalho realizado e pelo carinho com que fomos recebidos.
Agradeço a equipe de produção da Orquestra do Estado de Mato Grosso que executou um trabalho excepcional, sem o qual, sem dúvida, não teríamos condições de chegar ao final desta viagem.
Mesmo já tendo feito isso pessoalmente, agradeço novamente o empenho e dedicação de todos os músicos da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Parabéns pelo brilhante trabalho realizado.
Por fim, agradeço a todos vocês que acompanharam esta grande aventura através deste Blog, deixando mensagens carinhosas de incentivo e apoio. Vocês são a razão de ser desta Orquestra. É por vocês e para vocês que existimos e fazemos música. Obrigado!
Agora vou terminar de arrumar as malas por que daqui a pouco vou para casa, de volta para meu grande amor!
Depois de recarregar as baterias nos encontramos novamente por aqui.
Um abraço afetuoso,
Leandro Carvalho
Salvador - Teatro Sesc Pelourinho


Nesta despedida parcial, gostaria de expressar meu respeito por todos os músicos da Orquestra do Estado de Mato Grosso que integraram esta missão. Houve comprometimento artístico de TODOS, em TODOS os concertos. Não cancelamos, nem faltamos, nem perdemos, nenhum concerto. Pelo contrário, aceitamos realizar mais concertos do que o previsto (como ‘concertos didáticos’) e palestras sobre gestão de orquestras, sempre que nos foi solicitado. Aceitamos fazer concertos em condições inadequadas e fora das condições acordadas (como, por exemplo, após viagens de mais de 9 horas de ônibus em estradas ruins e perigosas ). NUNCA tocamos com desdém por estarmos numa cidade pequena ou desconhecida. Pelo contrário, com a consciência da importância da nossa missão, a entrega foi total, sempre, e a energia transmitida pelo público em cidades menores, onde uma orquestra chegava pela primeira vez, incendiou o grupo que respondeu, sempre, com interpretações emocionantes. Em 99% dos casos, os técnicos do Sesc nos disseram que naquela noite estávamos batendo um recorde de público do Sonora Brasil. Tivemos uma média de 650 pessoas por concerto (as fotos deste Blog podem comprovar este número) atingindo um público (recorde) de mais de 50.000 pessoas. Note-se aqui que todos os concertos foram realizados em locais fechados (!). Em praticamente todos os estados por onde passamos, fomos matéria de destaque (normalmente de capa) dos maiores jornais impressos e das principais emissoras de televisão. Aqui cabe um agradecimento especial a Rede Globo de Jornalismo que ‘cobriu’ grande parte dos nossos concertos, gerando um conteúdo precioso e fazendo com que a mensagem da Orquestra e do Sonora Brasil chegasse a milhões de brasileiros.
Com estes números posso dormir tranquilo, certo que fizemos um bom trabalho.
Agradeço o Departamento Nacional do Sesc, na pessoa do Sr. Wagner Campos, pelo convite e oportunidade de apresentar a música sinfônica de Heitor Villa-Lobos a todo o Brasil. Demos nosso sangue para fazer isso da melhor maneira possível.
Agradeço às unidades regionais do Sesc, a todos os técnicos e gerentes responsáveis pela realização do Sonora Brasil. Parabenizo a maioria das unidades pelo ótimo trabalho realizado e pelo carinho com que fomos recebidos.
Agradeço a equipe de produção da Orquestra do Estado de Mato Grosso que executou um trabalho excepcional, sem o qual, sem dúvida, não teríamos condições de chegar ao final desta viagem.
Mesmo já tendo feito isso pessoalmente, agradeço novamente o empenho e dedicação de todos os músicos da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Parabéns pelo brilhante trabalho realizado.
Por fim, agradeço a todos vocês que acompanharam esta grande aventura através deste Blog, deixando mensagens carinhosas de incentivo e apoio. Vocês são a razão de ser desta Orquestra. É por vocês e para vocês que existimos e fazemos música. Obrigado!
Agora vou terminar de arrumar as malas por que daqui a pouco vou para casa, de volta para meu grande amor!
Depois de recarregar as baterias nos encontramos novamente por aqui.
Um abraço afetuoso,
Leandro Carvalho
Salvador - Teatro Sesc Pelourinho


Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Equipe de produção da Orquestra
Nossos sinceros parabéns para todos da Orquestra!!!
Luciano, obrigado por dedicar o concerto de Salvador para a equipe de produção.
Um grande e forte abraço,
Da esquerda para direita: Paula, Magna, Lúcia, Elisângela, Laura, Alan, Protásio e Milton (faltou a Juju na foto)
Luciano, obrigado por dedicar o concerto de Salvador para a equipe de produção.
Um grande e forte abraço,
Da esquerda para direita: Paula, Magna, Lúcia, Elisângela, Laura, Alan, Protásio e Milton (faltou a Juju na foto)
UNIDOS PELA MÚSICA

(Carlos Gomes) Chegamos ao fim desta grande empreitada ... foram mais de 100 dias de viagem ... 80 concertos ... 22 estados visitados ... levando sempre a obra do nosso maior compositor ao povo brasileiro ... um projeto ambicioso e único, até então jamais realizado por uma orquestra no Brasil... percebi como, apesar de deconhecido para muitos , Villa Lobos é capaz de tocar a alma das pessoas ... depois de tantos concertos, você aprende a olhar no fundo dos olhos de quem te assiste, compartilhar do prazer de ouvir também ... a novidade dos diferentes instrumentos chegando nas mais longínquas cidades ... a orquestra estreando , como a grande atração ... pra mim era como debutar também ... a primeira vez, às vezes , vale mais do que a experiência de anos ... e foi isso que vivi esse tempo todo ... e aprendi todos esses dias ... com o público que me ouviu , que me aplaudiu ... com meus amigos músicos , com seus olhares , gestos ... com o nosso tocar ...pela amizade que criamos e que jamais será perdida ... sinto que nossa missão foi cumprida ... e que por onde passamos, tocamos os diferentes corações brasileiros , agora cada vez mais únicos ... unidos ... e inspirados pela música de Villa Lobos !!!
A honra de ser
A honra de ser um músico cercado de pessoas talentosas,cheias de vida e dedicadas em seu trabalho.
A honra de conhecer um cantor de rua que emocionou vários músicos profissionais.
A honra de trabalhar com uma equipe de produção nota 1000.
A honra de olhar em minha volta e agradecer por tudo que vivenciei e aprendi.
A honra de interpretar a obra de Villa Lobos.
Uma história foi construída nesse espaço-tempo de minha vida, onde faço um agradecimento em suma grandeza ao Maestro Leandro Carvalho, por tudo que faz pelo povo brasileiro.
Alex Teixeira (Percussão)
A honra de conhecer um cantor de rua que emocionou vários músicos profissionais.
A honra de trabalhar com uma equipe de produção nota 1000.
A honra de olhar em minha volta e agradecer por tudo que vivenciei e aprendi.
A honra de interpretar a obra de Villa Lobos.
Uma história foi construída nesse espaço-tempo de minha vida, onde faço um agradecimento em suma grandeza ao Maestro Leandro Carvalho, por tudo que faz pelo povo brasileiro.
Alex Teixeira (Percussão)
Medalha de ouro para a equipe de produção da Orquestra do Estado de Mato Grosso!!!!!
Parabéns à nossa querida Equipe de produção da OEMT, parabéns a vocês pela eficiência, o vosso trabalho foi simplesmente irretocável. Voces são o grande motor que faz esta máquina chamada ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO funcionar de forma tão bem com funciona. Parabéns pela competencia, eu sei o quanto é difícil este trabalho feito por voces nos bastidores, quem assiste a um concerto não sabe quanto trabalho houve nos bastidores para a realização de um bom espetáculo. O trabalho de voces é invisível, mas reflete diretamente no funcionamento da Orquestra e principalmente em uma turnè como esta. Neste momento eu os agradeço e parabenizo pelo brilhante trabalho prestado a nós durante a turne, sabemos que estiveram sempre apostos com chuva ou com sol para atender e proporcionar a nós uma grande turné. Amanha terminaremos esta grande e importante jornada, gostaria muito de abraçar e aplaudi-los pelo trabalho ao final do nosso último concerto que se realizará amanha em Salvador. Mas sei que nao será possível, mas farei-o assim que chegar em Cuiabá. Mas enquanto este dia não chega eu dedico-lhes com toda devoção e carinho o nosso último concerto de amanha como forma de agradecimento e de felicitações pelo trabalho eficiente realizado por vocês.
Parabens minha querida produção!!!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Parabens minha querida produção!!!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Feira de Santana (BA)

(Leandro) O entusiasmo voltou a tomar conta da Orquestra. Parece que o clima dos últimos cinco concertos é o mesmo dos primeiros cinco. O público bahiano, sem dúvida, foi fundamental para nos reanimar. Faz tempo que os concertos são sempre lotados e o público reage com vibração. Estamos nos aproximando do final desta longa viagem que levou a Orquestra do Estado de Mato Grosso para os quatro cantos do Brasil. Hoje, fizemos um concerto em Feira de Santana, em mais um dos centros culturais construídos pelo Governo do Estado. Foi ótimo! Público excepcionalmente caloroso, bem humorado e totalmente envolvido com a música de Villa-Lobos. O palco projeta-se em direção a platéia e cria uma sensação de intimidade. Devo aqui parabenizar a equipe do Sesc que fez um trabalho ótimo de divulgação. Conversando com várias pessoas da unidade, depois do concerto, fiquei sabendo das ‘técnicas’ para mobilizar a comunidade que foram desde lista pessoal de MSN (de uma das técnicas) a outdoors, faixas, cartazes, folhetos, rádios e TVs. Parabéns a todos os envolvidos. O trabalho sério e dedicado de todos vocês fez com que se cumprisse em Feira de Santana o objetivo principal do Sonora Brasil de ‘formar ouvintes’ e democratizar o acesso a bens culturais.

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Santo Antônio de Jesus (BA)
(Leandro) Santo Antônio de Jesus está na região do Recôncavo Baiano, a 100 km da capital (via ferry boat). A estrada que nos levou até lá é belissima, apesar de trechos sem asfalto e muitos buracos. A natureza é exuberante, muito verde e águas cristalinas correndo para formar o rio Jaguaripe. Ficamos hospedados no Hotel Vila das Palmeiras, muito bonito, numa casa colonial totalmente restaurada. O concerto aconteceu no Clube dos Cem e mais uma vez lotou. O público nos recebeu carinho e entusiasmo. Havia muita gente jovem, de várias escolas da cidade, e um grupo de alunos de um dos projetos sociais da cidade que utiliza a música como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento humano. Obrigado a todos!














Reflexões sobre Villa Lobos e o Brasil.
'' … Brasil ja tem uma foma geográfica de um coração. Todo brasileiro tem esse coração: a música vai de uma alma à outra, os pássaros conversam pela música. Eles têm coração. Tudo que se sente na vida se sente no coração. O coração é o metrônomo da vida. E há muita gente na humanidade que se esquece disso. Justamente o que mais precisa a humanidade é de um metrônomo. Se houvesse alguém no mundo que pudesse colocar um metrônomo no cio da Terra, talvez estivéssemos mais próximos da paz. Por que se desentendem? Vivem descompassados. Raças e povos. Porque não se lembram do metrônomo que guardam no peito: o coração. Foi fadado por Deus, justamente no Brasil, possuir numa forma geométrica de coração e haver um ritmo palpitante em toda a sua raça, sobretudo no nordeste, pressentido de ritmo, de coração, essa unidade de movimento, esse metrônomo tão sensível. Meus amigos, foi com este pensamento que eu me tornei músico. Foi por isso que eu me tornei um escravo profundo e eterno da vida do Brasil, das coisas do Brasil. E, como não tenho o dom da palavra nem da pena, mas tive o dom do som e do ritmo, transponho em sons e ritmos essa loucura de amor por uma Pátria. Eis a minha apresentação. Eis o que é, em princípio a justificação do que eu tenho feito pelo Brasil até a idade que tenho hoje. Peço perdão a todos de ter que falar um pouco da minha vida em relação a esse Brasil, mas é necessário que possa talvez servir de exemplo aos jovens, de seguirem essa mesma trilha, esse mesmo destino que Deus me deu.
Nunca na minha vida procurei a cultura, a erudição, o saber, e mesmo a sabedoria nos livros, nas doutrinas, nas teorias, nas formas ortodoxas. Nunca. Porque o meu livro era o Brasil. Não o mapa do Brasil na minha frente, mas a terra do Brasil onde eu piso, onde eu sinto, onde eu ando, onde eu percorro. Cada homem que eu encontro no Brasil representa uma forma estética na concepção musical. Cada pássaro que acode ao meu ouvido é um tema aonde se junta a outros temas invisíveis, imperceptíveis e abstratos para tornarem forma física em forma sonora, em forma de música, música de arte, arte livre como é a nossa natureza. A árvore independente como os pássaros do Brasil, a árvore sentimental como são os homens da nossa terra.
A minha música é o reflexo da sinceridade. No princípio, sofri, natural, com a revolta daqueles que se agarravam à tradição, daqueles que não se encontravam a si próprios, daqueles que nunca se miraram no espelho da sua própria consciência procurando a fisionomia da sua própria raça. O Brasil levou muito tempo, meus amigos, muitos anos, a imitar, a maquetear, a papaguear. Mas, graças a Deus, procurou um espelho, ou encontrou por acaso, o reflexo da realidade de uma grande raça, de uma grande nação, e verificou que nunca poderiam ser eles mesmos se não o fizessem à sua maneira, não imitando ninguém. Isso foi feito em coisas banais da vida, na moda, no sistema de sentir literariamente. Vejam os poetas, os parnasianos, mesmo esses modernos. Veja na pintura antiga e na pintura de hoje, veja na escultura e finalmente nesta arte que aparece no Brasil tão pessoal como nenhuma, a escultura. Vejam, encontraram-se, o Brasil se encontra. Infelizmente a população é pequena pela grandeza da sua terra, mas ele se encontra. E tudo isso está tão de acordo com a penitência da minha vida. Eu estou tão contente, cada vez mais de ser brasileiro. A minha justificação não tem um sentido cívico, não, não creio. É apenas de um artista sincero que com esse exemplo de realização e da felicidade e da vitória de sua carreira artística, grita ao nosso grande povo que quanto mais se for brasileiro, com este coração, com esta alma, com esta vibração, mais concorrem para serem úteis no conceito das grandes nações, das grandes civilizações. Estou satisfeito porque já bem aproximando o fim da mina vida, eu sinto perfeitamente que o Brasil encontrou o seu caminho. Que importam os problemas políticos, os problemas sociais, os problemas econômicos? O Brasil se encontra. Eu fui pela música. E se por acaso o meu exemplo puder servir de alguma coisa a todos os meus patrícios, façam o mesmo. Sejam livres, lembrem-se do coração. Lembrem-se que este aqui é o metrônomo da realidade. Com ele terão a razão econômica de tudo, das coisas. Terão a medida exata da realidade da própria vida. Lembrem-se de que é a arte que vem do coração para um coração, de uma alma para outra alma. E a música é a primeira arte que conduz as outras artes. Eu não digo isso porque sou musico, não. Mas ela tem um poder positivo, digamos um poder biológico. Ela é uma terapêutica para a alma doente. A música é um consolo para o sofredor. A música é um embalo para o pequenino no colo de suas mães, de seus pais. A música é um alento do desventurado. A música é a alegria daqueles que são alegres. A religião. Qual das religiões que existe sobre a terra, e que não usou da música como elemento de atração aos seus crentes? Essa música que Santo Ambrósio utilizou-se para formar depois os cantos litúrgicos definidos. É com essa música senhores, que nós precisamos compreender que o Brasil vive, e que ninguém percebe. Ninguém percebe que o país mais musical que existe sobre a Terra deixa passar vagamente, indiferentemente essa música tão pura, essa música da alma, música do coração. Que importa que haja duas espécies de música? A música da manifestação espontânea, a música popular, e a música da alma elevada, da alma intelectual, a música da arte. O folclore é o intermediário desses dois elementos. É a ciência da pesquisa, é o traço de união em que se utiliza o criador para, tirando do povo essa música, essa arte espontânea, ele burila no seu coração e na sua alma, e traz outra vez para o povo. Mas esse povo geralmente é injusto, não procura compreender o esforço do criador. Devem compreender, devem ser educados, civilizados para compreenderem o mistério, o pensamento abstrato de um criador no terreno de arte. E a música tem um poder incrível de atuar sobre o temperamento, sobre o instinto, sobre tudo no espírito humano. E é essa música que pode deleitar o culto, ao iniciado da música, a música artística, essa música que dá um prazer estranho, um prazer exótico, pitoresco àquele que gosta da música popular, àquele que gosta de sentir essa ou aquela canção, esse ou aquele ritmo de dança. E que para, embora mesmo no século XX já usem a música, já colaborem com a música. Porque há casos interessantes em que, enquanto estão tocando a música, estão falando, são colaboradores. Há pessoas que pensam que quanto mais a música toca forte, mais a gente fala alto. Isso é comum, mas é um instinto inofensivo de colaborar com a música. Não acredito que quem seja educado faça isso com a arte, não. Porque a melhor colaboração que se pode fazer com a arte é silêncio, é atenção, é recolhimento, é meditação, é apreensão, é a emoção.
Satisfeito estou, de ter aceitado do Sr. Ministro da educação essa missão, e satisfeito estou de distinguir com todo o prazer, toda honra esses cinco estados do Brasil, apenas porque creio que as outras missões virão outros meus assistentes, porque eu talvez não só não disponha de tempo, como me sinto um pouco cansado para estar fazendo a volta no Brasil que já fiz há 40 anos atrás. Em todo caso, a honra de chegar a esta terra pequena, mas extraordinária me é grande. Há muito tempo que eu tinha vontade de ter contato com o povo para viver a satisfação e alegria desse momento em verificar que é uma terra que sente a música, que vibra a música, que tem compreensão da música. Ajudai pois meus amigos, ajudai ao seu ilustre governador, que sei das intenções formidáveis que ele tem no sentido do aproveitamento da música dentro do progresso de um grande estado. … ''
Discurso Histórico de Heitor Villa Lobos.
Reflexão sobre o discurso do Villa.
Este sem dúvidas foi o maior gênio da nossa música, grande compositor, grande pianista, grande homem, grande humanista... enfim.. UM GRANDE SER HUMANO!! Villa Lobos foi um dos responsáveis por nos ensinar a Arte da Valorização. No início do sec. XX quando todos estavam confusos quanto o futuro da nossa identidade nacional, levantou-se um compositor não muito conhecido do povo Brasileiro chamado Heitor Villa Lobos na semana de 1929, com a sua obra monumental esbanjando brasilidade. O nosso ilustre Villa Lobos nos deixou uma nova maneira de enxergar e de compreender o nosso Brasil através da brasilidade encontrada na sua obra. Villa Lobos foi um dos Brasileiros mais apaixonados que o Brasil ja conheceu, e ninguem como ele amava esse Brasil, o povo Brasileiro, ... enfim... ''as cousas do Brasil'' como falava carinhosamente o nosso Villa. Ele conseguiu ver o Brasil de uma forma diferenciada, e na minha opinião foi este ponto que fez dele o maior gênio da nossa Música, ele olhava o Brasil como um grande celeiro de idéias para suas composições, tudo que era do nosso Brasil o inspirava, os pássaros, os rios , o povo do Brasil, os índios do Brasil, as nossas florestas, os sons da mata, os nossos queridos afros que tanto somaram para o crescimento deste país, nossas cantigas, choros e o nosso samba. Ele possuia mesmo uma alma Brasileira, e quando o Villa teve contato com o exterior ele mesmo falou em uma das suas célebres crônias: ''estou saindo nao para aprender música, estou saindo para ensinar e levar a nossa música Brasileira para o exterior''. Era um sentimento patriótico realmente louvável, e com certeza como ele mesmo disse, sentia se um pouco só as vezes na sua idéia de nacionalizaçao da nossa música. Hoje em dia eu e muitos brasileiros sentimos falta deste patriotismo que o nosso Villa Lobos tinha, esta vontade de crescer, de fazer um país melhor, de valorizar as ''cousas do Brasil'', de aproveitar e absorver melhor o que este país nos oferece. Nenhum pais neste planeta na minha opinião possui tantas diferenças culturais dentro dele mesmo como no nosso Brasil, são diferenças que vao passando-se de aldeia para aldeia, de regiao para regiao, de cidade para cidade e de estado para estado, e estas diferenças fazem do nosso Brasil um dos países mais fantásticos deste planeta. Nosso potencial hidrelétrico é um dos mais significativos, nossa fauna e nossa flora são referencias mundiais de proporçães ambientais, alem de nao termos que nos preocupar com os frequentes desastres ambientais que assolam a humanidade. Se o nosso Villa Lobos estivesse vivo nos dias de hoje certamente ele falaria estas mesmas palavras que nós verdadeiros Brasileiros temos em nossos corações, pois são idéias ja cultivadas por ele no início do sec. passado, certamente ele estaria hoje insistindo na busca da humanidade pelo tal ''metrônomo'', principalmente nossos políticos, haaaaa!! se eles tivessem este metronomo em seus peitos eles cuidariam e valorizariam a nossa gente e a nossa política com muito mais honradez e dignidade, pois alguns deles não tem compromisso com o nosso país, eles não se tornaram escravos do Brasil como tornou-se Villa Lobos, jamais poderão ser BRASILEIROS sem o ''metrônomo''... e por que Villa Lobos entendia tão bem o Brasil?? Porque ele viajou durante uma parte do sec. XX por toda a nossa nação, ele provou de tudo que esta nação pode oferecer, ele provou de todo nosso potencial, ele viveu pessoalmente cada região, cada povo, cada lugar, cada cultura, cada folclore. E a nossa querida Orquestra do Estado de Mato Grosso teve a oportunidade de vivenciar um pouco do que o nosso Villa vivenciou. Uma experiencia única... hoje sinto em meu peito o mesmo sentimento que Villa Lobos sentiu quando terminou sua viajem.. patriotismo, valorização e amor pelo Brasil. Sinto um orgulho tremendo de ser Brasileiro, gostaria agora se pudesse, abraçar todos voces e tentar transmitir um pouquinho do que sinto ao final desta viajem...
VIVA O NOSSO BRASIL!!!
Luciano Pontes-Spalla da Orquestra do Estado de Mato Grosso
Nunca na minha vida procurei a cultura, a erudição, o saber, e mesmo a sabedoria nos livros, nas doutrinas, nas teorias, nas formas ortodoxas. Nunca. Porque o meu livro era o Brasil. Não o mapa do Brasil na minha frente, mas a terra do Brasil onde eu piso, onde eu sinto, onde eu ando, onde eu percorro. Cada homem que eu encontro no Brasil representa uma forma estética na concepção musical. Cada pássaro que acode ao meu ouvido é um tema aonde se junta a outros temas invisíveis, imperceptíveis e abstratos para tornarem forma física em forma sonora, em forma de música, música de arte, arte livre como é a nossa natureza. A árvore independente como os pássaros do Brasil, a árvore sentimental como são os homens da nossa terra.
A minha música é o reflexo da sinceridade. No princípio, sofri, natural, com a revolta daqueles que se agarravam à tradição, daqueles que não se encontravam a si próprios, daqueles que nunca se miraram no espelho da sua própria consciência procurando a fisionomia da sua própria raça. O Brasil levou muito tempo, meus amigos, muitos anos, a imitar, a maquetear, a papaguear. Mas, graças a Deus, procurou um espelho, ou encontrou por acaso, o reflexo da realidade de uma grande raça, de uma grande nação, e verificou que nunca poderiam ser eles mesmos se não o fizessem à sua maneira, não imitando ninguém. Isso foi feito em coisas banais da vida, na moda, no sistema de sentir literariamente. Vejam os poetas, os parnasianos, mesmo esses modernos. Veja na pintura antiga e na pintura de hoje, veja na escultura e finalmente nesta arte que aparece no Brasil tão pessoal como nenhuma, a escultura. Vejam, encontraram-se, o Brasil se encontra. Infelizmente a população é pequena pela grandeza da sua terra, mas ele se encontra. E tudo isso está tão de acordo com a penitência da minha vida. Eu estou tão contente, cada vez mais de ser brasileiro. A minha justificação não tem um sentido cívico, não, não creio. É apenas de um artista sincero que com esse exemplo de realização e da felicidade e da vitória de sua carreira artística, grita ao nosso grande povo que quanto mais se for brasileiro, com este coração, com esta alma, com esta vibração, mais concorrem para serem úteis no conceito das grandes nações, das grandes civilizações. Estou satisfeito porque já bem aproximando o fim da mina vida, eu sinto perfeitamente que o Brasil encontrou o seu caminho. Que importam os problemas políticos, os problemas sociais, os problemas econômicos? O Brasil se encontra. Eu fui pela música. E se por acaso o meu exemplo puder servir de alguma coisa a todos os meus patrícios, façam o mesmo. Sejam livres, lembrem-se do coração. Lembrem-se que este aqui é o metrônomo da realidade. Com ele terão a razão econômica de tudo, das coisas. Terão a medida exata da realidade da própria vida. Lembrem-se de que é a arte que vem do coração para um coração, de uma alma para outra alma. E a música é a primeira arte que conduz as outras artes. Eu não digo isso porque sou musico, não. Mas ela tem um poder positivo, digamos um poder biológico. Ela é uma terapêutica para a alma doente. A música é um consolo para o sofredor. A música é um embalo para o pequenino no colo de suas mães, de seus pais. A música é um alento do desventurado. A música é a alegria daqueles que são alegres. A religião. Qual das religiões que existe sobre a terra, e que não usou da música como elemento de atração aos seus crentes? Essa música que Santo Ambrósio utilizou-se para formar depois os cantos litúrgicos definidos. É com essa música senhores, que nós precisamos compreender que o Brasil vive, e que ninguém percebe. Ninguém percebe que o país mais musical que existe sobre a Terra deixa passar vagamente, indiferentemente essa música tão pura, essa música da alma, música do coração. Que importa que haja duas espécies de música? A música da manifestação espontânea, a música popular, e a música da alma elevada, da alma intelectual, a música da arte. O folclore é o intermediário desses dois elementos. É a ciência da pesquisa, é o traço de união em que se utiliza o criador para, tirando do povo essa música, essa arte espontânea, ele burila no seu coração e na sua alma, e traz outra vez para o povo. Mas esse povo geralmente é injusto, não procura compreender o esforço do criador. Devem compreender, devem ser educados, civilizados para compreenderem o mistério, o pensamento abstrato de um criador no terreno de arte. E a música tem um poder incrível de atuar sobre o temperamento, sobre o instinto, sobre tudo no espírito humano. E é essa música que pode deleitar o culto, ao iniciado da música, a música artística, essa música que dá um prazer estranho, um prazer exótico, pitoresco àquele que gosta da música popular, àquele que gosta de sentir essa ou aquela canção, esse ou aquele ritmo de dança. E que para, embora mesmo no século XX já usem a música, já colaborem com a música. Porque há casos interessantes em que, enquanto estão tocando a música, estão falando, são colaboradores. Há pessoas que pensam que quanto mais a música toca forte, mais a gente fala alto. Isso é comum, mas é um instinto inofensivo de colaborar com a música. Não acredito que quem seja educado faça isso com a arte, não. Porque a melhor colaboração que se pode fazer com a arte é silêncio, é atenção, é recolhimento, é meditação, é apreensão, é a emoção.
Satisfeito estou, de ter aceitado do Sr. Ministro da educação essa missão, e satisfeito estou de distinguir com todo o prazer, toda honra esses cinco estados do Brasil, apenas porque creio que as outras missões virão outros meus assistentes, porque eu talvez não só não disponha de tempo, como me sinto um pouco cansado para estar fazendo a volta no Brasil que já fiz há 40 anos atrás. Em todo caso, a honra de chegar a esta terra pequena, mas extraordinária me é grande. Há muito tempo que eu tinha vontade de ter contato com o povo para viver a satisfação e alegria desse momento em verificar que é uma terra que sente a música, que vibra a música, que tem compreensão da música. Ajudai pois meus amigos, ajudai ao seu ilustre governador, que sei das intenções formidáveis que ele tem no sentido do aproveitamento da música dentro do progresso de um grande estado. … ''
Discurso Histórico de Heitor Villa Lobos.
Reflexão sobre o discurso do Villa.
Este sem dúvidas foi o maior gênio da nossa música, grande compositor, grande pianista, grande homem, grande humanista... enfim.. UM GRANDE SER HUMANO!! Villa Lobos foi um dos responsáveis por nos ensinar a Arte da Valorização. No início do sec. XX quando todos estavam confusos quanto o futuro da nossa identidade nacional, levantou-se um compositor não muito conhecido do povo Brasileiro chamado Heitor Villa Lobos na semana de 1929, com a sua obra monumental esbanjando brasilidade. O nosso ilustre Villa Lobos nos deixou uma nova maneira de enxergar e de compreender o nosso Brasil através da brasilidade encontrada na sua obra. Villa Lobos foi um dos Brasileiros mais apaixonados que o Brasil ja conheceu, e ninguem como ele amava esse Brasil, o povo Brasileiro, ... enfim... ''as cousas do Brasil'' como falava carinhosamente o nosso Villa. Ele conseguiu ver o Brasil de uma forma diferenciada, e na minha opinião foi este ponto que fez dele o maior gênio da nossa Música, ele olhava o Brasil como um grande celeiro de idéias para suas composições, tudo que era do nosso Brasil o inspirava, os pássaros, os rios , o povo do Brasil, os índios do Brasil, as nossas florestas, os sons da mata, os nossos queridos afros que tanto somaram para o crescimento deste país, nossas cantigas, choros e o nosso samba. Ele possuia mesmo uma alma Brasileira, e quando o Villa teve contato com o exterior ele mesmo falou em uma das suas célebres crônias: ''estou saindo nao para aprender música, estou saindo para ensinar e levar a nossa música Brasileira para o exterior''. Era um sentimento patriótico realmente louvável, e com certeza como ele mesmo disse, sentia se um pouco só as vezes na sua idéia de nacionalizaçao da nossa música. Hoje em dia eu e muitos brasileiros sentimos falta deste patriotismo que o nosso Villa Lobos tinha, esta vontade de crescer, de fazer um país melhor, de valorizar as ''cousas do Brasil'', de aproveitar e absorver melhor o que este país nos oferece. Nenhum pais neste planeta na minha opinião possui tantas diferenças culturais dentro dele mesmo como no nosso Brasil, são diferenças que vao passando-se de aldeia para aldeia, de regiao para regiao, de cidade para cidade e de estado para estado, e estas diferenças fazem do nosso Brasil um dos países mais fantásticos deste planeta. Nosso potencial hidrelétrico é um dos mais significativos, nossa fauna e nossa flora são referencias mundiais de proporçães ambientais, alem de nao termos que nos preocupar com os frequentes desastres ambientais que assolam a humanidade. Se o nosso Villa Lobos estivesse vivo nos dias de hoje certamente ele falaria estas mesmas palavras que nós verdadeiros Brasileiros temos em nossos corações, pois são idéias ja cultivadas por ele no início do sec. passado, certamente ele estaria hoje insistindo na busca da humanidade pelo tal ''metrônomo'', principalmente nossos políticos, haaaaa!! se eles tivessem este metronomo em seus peitos eles cuidariam e valorizariam a nossa gente e a nossa política com muito mais honradez e dignidade, pois alguns deles não tem compromisso com o nosso país, eles não se tornaram escravos do Brasil como tornou-se Villa Lobos, jamais poderão ser BRASILEIROS sem o ''metrônomo''... e por que Villa Lobos entendia tão bem o Brasil?? Porque ele viajou durante uma parte do sec. XX por toda a nossa nação, ele provou de tudo que esta nação pode oferecer, ele provou de todo nosso potencial, ele viveu pessoalmente cada região, cada povo, cada lugar, cada cultura, cada folclore. E a nossa querida Orquestra do Estado de Mato Grosso teve a oportunidade de vivenciar um pouco do que o nosso Villa vivenciou. Uma experiencia única... hoje sinto em meu peito o mesmo sentimento que Villa Lobos sentiu quando terminou sua viajem.. patriotismo, valorização e amor pelo Brasil. Sinto um orgulho tremendo de ser Brasileiro, gostaria agora se pudesse, abraçar todos voces e tentar transmitir um pouquinho do que sinto ao final desta viajem...
VIVA O NOSSO BRASIL!!!
Luciano Pontes-Spalla da Orquestra do Estado de Mato Grosso
Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Final thoughts
Today we are in Santo Antônio on our final leg of what has been a long, stressful, physically exhausting and eye opening three months. I now understand why many Brazilians consider their country to be a continent in its own right. There is a common language, a common belief in the national identity coupled with an un-failing patriotism but within the walls of Brazil are divesities and extremes rarely seen in the modern world. When I think back to my time in the Southern part of Brazil with its European values and strong colonial culture and watch through my hotel window here in central Bahia it is hard to imagine that the two are connected at all. The conclusion that I have drawn as a European living in a South American country is that evolution is more powerful than tradition. In musical terms South America is a powerful example of this. When you are involved in a process of developing audiences you can see first hand that the power of creation equates to musical evolution. Full houses, people thirsty for knowledge, a lack of pretence, an innocence that is all but lost in the developed world. For me, the challenge now is to raise the levels and standards, to see a critical movement forming to help push on and develop artistic levels and to maintain what is for now a very healthy cultural life here in Brazil. Sonora Brazil has been a success, yes there are many things that can be improved in logistical terms but the mission is a just one and is planting firm seeds for future generations. No more is that more apparent than here in Bahia where we have played to crowds in excess of 2000 people. There is no European equivalent that can boast this level of interest. Cultural development in Brazil is to be admired the world over.
Vitória da Conquista (BA)
(Leandro) Um concerto inesquecível! Nesta reta final do Sonora Brasil, quando estamos batendo no centésimo dia de viagem, só mesmo um público incrível como o de Vitória da Conquista para nos inspirar. Ontem vivemos uma noite especial no teatro quase-arena do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima. Estava tudo preparado. O Anselmo, técnico do Sesc, e sua equipe, fez um ótimo trabalho, mobilizando a comunidade, divulgando, e cumprindo todos os requisitos técnicos para atingirmos o objetivo do projeto.
Pena que não coube todo mundo no teatro ... Muita gente (mesmo!) ficou para fora ... Até o amigo João Omar, grande músico, violonista, violoncelista, arranjador e compositor, também filho do grande mestre Elomar, acabou ficando para fora. Fiquei sabendo depois do término do concerto. João vive em Vitória da Conquista, assim como seu pai Elomar, e está muito envolvido com a Fundação Casa dos Carneiros (www.casadoscarneiros.org.br), criada para dar suporte à obra de Elomar e incentivar a música erudita. Quem passar por aqui e quiser visitar a Fundação, abaixo vai o mapa.

Daqui a pouco acrescentaremos as fotos do concerto de ontem.
Pena que não coube todo mundo no teatro ... Muita gente (mesmo!) ficou para fora ... Até o amigo João Omar, grande músico, violonista, violoncelista, arranjador e compositor, também filho do grande mestre Elomar, acabou ficando para fora. Fiquei sabendo depois do término do concerto. João vive em Vitória da Conquista, assim como seu pai Elomar, e está muito envolvido com a Fundação Casa dos Carneiros (www.casadoscarneiros.org.br), criada para dar suporte à obra de Elomar e incentivar a música erudita. Quem passar por aqui e quiser visitar a Fundação, abaixo vai o mapa.

Daqui a pouco acrescentaremos as fotos do concerto de ontem.
Terça-feira, 29 de Julho de 2008
CAMPEÕES DO TRUCO !!!!!!

Foi realizado durante a turnê do Sonora Brasil o 1* Campeonato de Truco Sonora Brasil- Orquestra MT . O Campeonato contou com 6 duplas divididas em 2 grupos com jogos de ida e volta . Os 2 melhores de cada chave se classificavam e enfrentariam os da outra chave , o primeiro contra o segundo respectivamente em jogos melhor de 3. A final também seria uma melhor de 3 jogos .
Depois de uma semi final emocionante entre os BARBAS(Carlão e João Paulo) e os CARECA-INGLÊS(Pedro e David) decidida apenas na última partida , os BARBAS se qualificaram para a finalíssima contra os PIABÁ(Alex Teixeira e Willian) que haviam derrotado JORGE-LUCIANO.
As duas partidas contaram com ampla torcida e foram vencidas pelos BARBAS por 12X8 em ambas, comtemplando-os como os PRIMEIROS CAMPEÕES DE TRUCO SONORA BRASIL.
Parabéns aos grandes campeões ... REIS DO TRUCO ...6 só ladrãooooooooooo!!!!!!!
O Telefone e o Maestro
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(Leandro) Depois de 5 minutos falando sobre a série das Bachianas Brasileiras e chamando atenção para os pormenores da Bachianas 4, nos preparamos para atacar o “Prelúdio (Introdução)”. O primeiro movimento exige muito ... o sentimento é profundo e o desafio artístico é inversamente proporcional à clareza e facilidade técnica. O primeiro compasso já arrebata e coloca o ouvinte em outra dimensão. Nem mesmo terminamos a primeira frase da música quando ... TRIIIIM .... TRIIIIIIM. Tocou o telefone na lateral do palco. Ruptura total. Paramos de tocar. Nosso percussionista Alex (que estava ao lado do telefone) não teve dúvida, levantou-se e, diante do público e da Orquestra, atendeu: “Alô .... Humm, sei ... Olha, estamos no meio do concerto, ligue depois. Até logo”. Perguntei em seguida para quem era e ele respondeu, brincando: “Para o Maestro”. Só mesmo do Sonora Brasil.
Jequié (BA)

(Leandro) Estamos todos muito impressionados com a terra do poeta Wally Salomão. Parece que a Ana tinha mesmo razão, ‘Jequié tem o melhor Centro Cultural da Bahia’. O Teatro é impressionante! O público compareceu ‘em peso’, ultrapassando as previsões mais otimistas. Mesmo com o ingresso a R$ 8,00, faltou lugar. Mais de 800 pessoas lotaram o teatro do Centro de Cultural Antônio Carlos Magalhães. Todos estavam muito atentos, concentrados, em silêncio, e transmitindo uma energia muito boa. A Orquestra reagiu e fez um belo concerto. Muito obrigado a toda equipe do Sesc Jequié pelo ótimo trabalho realizado. A partir de agora (o concerto da Orquestra do Estado de Mato Grosso foi o primeiro), Jequié integra oficialmente o circuito BA do Sonora Brasil. A população da região agradece.

meu grande amigo
desconfiado e estridente
eu sempre tive comigo
que eras na verdade
delicado e inocente
findaste o teu desenho
e a tua marca sobre a terra resplandece
resplandece nítida e real
entre livros e os tambores do vigário geral
e o brilho não é pequeno
eu sigo aqui e sempre em frente
deixando minha errática marca de serpente
sem asas e sem veneno
sem plumas e sem raiva
suficiente
(Wally Salomão)
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Recife-PE,Villa-Lobos, Bachiana 4 - Prelúdio.
Concerto realizado dia 09/07/2008 em Recife, igreja Madre de Deus, um púlblico maravilhoso nos assistiu nessa igreja belíssima, assistam uma pequena parte do espetáculo desse dia... Grande Abraço. Willian Isaac - Violinista
Domingo, 27 de Julho de 2008
Paulo Afonso (BA)


(Leandro) A cidade de Paulo Afonso, na Bahia, está prestes a completar 50 anos. É impressionante que uma cidade que desenvolveu-se a partir de usinas hidro-elétricas possa ter mais de 100.000 habitantes.
“A cidade é conhecida pelo seu potencial hidrelétrico, que teve como pioneiro Delmiro Gouveia, um cearense que fez fortuna no sertão alagoano, e que apenas com meios próprios construiu a primeira usina do Nordeste: a Usina de Angiquinho, com maquinário trazido da Europa. O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso é um conjunto de usinas, localizado na cidade de Paulo Afonso. A usina tinha como propósito abastecer uma futura indústria têxtil que Delmiro planejava trazer para a Cidade de Pedra, e que hoje se chama Delmiro Gouveia em homenagem a ele. Angiquinho é hoje uma usina que encanta quem a visita, seja pela antiguidade do que ainda resta dela, seja pela beleza do local”.
Foi a primeira vez que a cidade recebeu um concerto do Sonora Brasil e a expectativa era grande. A gerente do Sesc Paulo Afonso Fabiana Lucena, e sua equipe de técnicos aguerridos e totalmente comprometidos com a missão da Instituição, preparou tudo de modo impecável. Ótima divulgação, ampla mobilização da comunidade, escolha correta para o local do concerto (diante dos locais disponíveis), cumprimento de todos os requisitos técnicos, carregadores e técnicos de luz e som prontos para atender a Orquestra na hora certa e um camarim maravilhoso, que além de especiarias da região (como sucos de clorofila, palma com umbú e bolo de ervas) tinha uma massagista à nossa disposição para aliviar as dores de quase 100 dias de viagem. O carinho e o calor humano foram marcantes e nós, como músicos acostumados a trabalhar com sentimentos e emoções, percebemos imediatamente a energia especial que estava no ar. Não preciso dizer que tudo isso transformou-se em música caudalosa, que inundou as comportas imaginárias da população de Paulo Afonso. Valeu! Estamos honrados em dar o ‘ponta-pé’ inicial do projeto na cidade. Obrigado ao Sesc Paulo Afonso e a todos os profissionais envolvidos.







Anjo da Guarda Pernambucano
(Zevang) Um pouco atrasado, mas aí vai uma lembrança de nosso anjo da guarda em todo o estado de Pernambuco, Sr. Severino. Sempre prestativo, eficiente e profissional, deu-me verdadeiras aulas sobre esse estado de cultura incrível (foto cortesia de Luciano Pontes).
Sábado, 26 de Julho de 2008
TV Globo Sergipe
Para assistir a matéria produzida pela TV Globo Sergipe (SETV I edição de 26 de julho de 2008), basta acessar o link http://emsergipe.globo.com/multimidia/?id=21925
Cajueiro dos Papagaios
(Leandro) Ontem, fizemos um concerto em Aracajú, capital do Estado de Sergipe, no Teatro Atheneu, um dos mais antigos e tradicionais da cidade. Apesar do cansaço, a Orquestra teve um bom desempenho e o público reagiu com entusiasmo. Tivemos pouco tempo para conhecer a cidade. Uma pena! No trajeto do aeroporto para o Hotel e do Hotel para o Teatro, pudemos perceber que a cidade é muito bonita. A Orquestra do Estado de Mato Grosso voltará a Aracajú no dia 23 de outubro para um concerto no Teatro Tobias Barreto e outro em Laranjeiras (município vizinho), no Centro de Tradições, no dia 24. Nesta ocasião, apresentaremos um novo repertório focado na música do Brasil Central, incluindo violas de cocho, e na música sul-americana. Estes concertos farão parte do projeto “Concertos pelo Brasil” em comemoração aos 90 anos do Grupo Votorantim, um dos principais patrocinadores da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Não percam!




Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
Sucesso em Maceió (AL)
Mais de 2.ooo mil pessoas foram prestigiar a Orquestra do Estado de Mato Grosso em Maceió! Sucesso total! Capa do maior jornal do Estado, um link ao vivo da TV Globo [Assista aqui] e matérias especiais feitas durante o concerto pela Globo e outras emissoras. Presenças ilustres do Diretor do Sesc e do Secretario de Estado de Cultura de Alagoas e um público caloroso e entusiasmado. Obrigado a todos!














Maceió (AL)
(Leandro) Maceió foi demais. Mais tarde vou postar fotos e contar em detalhes tudo o que aconteceu por aqui.
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Petrolina (PE)
(Leandro) Fechamos Pernambuco com 'chave de ouro' (desculpem o clichê). O concerto em Petrolina foi ótimo, teatro lotadíssimo, público extremamente carinhoso e atento. Fiquei muito feliz em voltar para esta cidade, para o mesmo palco, reencontrar pessoas amigas que continuam entusiasmadas e cheias de vontade de continuar trabalhando por um país melhor. Obrigado e parabéns ao Sesc Pernambuco, em especial ao José Manuel e a todos os técnicos de cultura do Sesc, pelo belíssimo trabalho que estão realizando num dos estados culturamente mais ricos do Brasil. Depois de percorrer 12 municípios em todas as regiões pernambucanas, percebemos que está ocorrendo uma poderosa (e 'silenciosa') transformação social através da cultura que pode apontar um caminho para fora do subdesenvolvimento e da miséria econômica. Fiquei surpreso com a ousadia, ou melhor, com a visão do Sesc em construir a unidade de Turismo Social em Triunfo (lembrei-me da unidade de Ceilandia) e com a estratégia inteligente de criar o Sesc LER, preparando cidades e gerando a demanda para a futura implantação de unidades. Na maioria dos municípios visitados em PE, as atividades oferecidas pelo Sesc (com os projeto Sonora Brasil e Palco Giratório) são as únicas disponíveis para a população. Elas acontecem sempre em locais de fácil acesso, a preços simbólicos, enriquecem enormemente o imaginário coletivo e ampliam o repertório e a auto-estima da população. É por aí que o Brasil poderá sair da condição de subdesenvolvimento social e dar o tão esperado salto, permitindo uma vida melhor a todos os brasileiros.
TV Globo de Petrolina (PE)

Concerto no Teatro do Sesc Petrolina (PE)


Depois do concerto


TV Globo de Petrolina (PE)

Concerto no Teatro do Sesc Petrolina (PE)


Depois do concerto


Terça-feira, 22 de Julho de 2008
North Eastern Brazil, Pernambuco and beyond
My time here in Pernambuco has been a real eye opener. I admit that I knew very little about this state, only that the financial climate is a fragile one and that the people are extremely open hearted. On these two points I was right on the money but what I didn't realise was just how beautiful the Sertao really is here. Whilst the majority of the orchestra have been sleeping I have been keeping a watchful eye on the surroundings and the ever changing face of Pernambuco. There is no doubt that the level of suffering here is completely un-acceptable but what has been the saving grace for me is the spirit of the people, the enthusiasm that they have for music and the packed concerts that have followed as on our way. I for one will never forget the faces of people as we layed a Frevo for our encore. Happiness cannot be measured in financial terms. This has never been so obvious here. Well done to SESC in Pernambuco, and I am happy to see a state embracing its culture in all its glory.!
O Bêbado e o Maestro
(Leandro) Araripina tem suas particularidades. A cidades está localizada na região da Chapada do Araripe, que concentra 40% das reservas de gipsita do mundo, fazendo com que Araripina tenha como principal atividade econômica a produção de gesso. É hoje um dos maiores pólos gesseiros do país.
Fomos bem recebidos pela Salomé e equipe do Sesc, o concerto foi muito bem divulgado e tudo correu sem maiores problemas. A Igreja Matriz estava absolutamente lotada. Mais de 1.200 pessoas aguardavam a Orquestra do Estado de Mato Grosso. O concerto foi bom e o público aplaudiu com entusiasmo. Teria sido perfeito não fosse um bêbado ... Isso mesmo, toda cidade tem seu bêbado, que tem o dom de se meter onde não deve e incomodar os outros (sempre cheio de razão). Pois é, este não foi diferente. No meio do concerto, depois de ter sentado na frente do violoncelista David Gardner (e esbarrado no seu arco), mudado de lado, sentado ao lado do spalla Luciano Pontes (e puxado conversa sempre que podia), e passado raspando atrás de mim várias vezes, virei a cabeça para trás (no meio da música) e disse: “Vai sentar rapaz! Você está atrapalhando a Orquestra e o público!”. Achei que ele se ‘tocaria’ mas não .... resolveu argumentar e explicar o porque ele estava passando ali .... Ai, ai, ai .... Falei alguns palavrões’ para ele, que não posso escrever aqui, virei para a Orquestra e continuei regendo. Neste momento, me preparei para o pior. Achei que uma briga fosse começar. Imaginem só a cena. Alguns músicos da Orquestra acompanhavam o empate entre o maestro e o bêbado com preocupação (já preparados para tomar as dores do maestro .... espero ....). Depois de ouvir o que não queria, o bêbedo voltou a sentar ao lado do spalla e, exalando cachaça pelos poros, passou o concerto inteiro me olhando com cara de cangaceiro. Só mesmo no Sonora Brasil.
Igreja Matriz - Araripina (PE)









Fomos bem recebidos pela Salomé e equipe do Sesc, o concerto foi muito bem divulgado e tudo correu sem maiores problemas. A Igreja Matriz estava absolutamente lotada. Mais de 1.200 pessoas aguardavam a Orquestra do Estado de Mato Grosso. O concerto foi bom e o público aplaudiu com entusiasmo. Teria sido perfeito não fosse um bêbado ... Isso mesmo, toda cidade tem seu bêbado, que tem o dom de se meter onde não deve e incomodar os outros (sempre cheio de razão). Pois é, este não foi diferente. No meio do concerto, depois de ter sentado na frente do violoncelista David Gardner (e esbarrado no seu arco), mudado de lado, sentado ao lado do spalla Luciano Pontes (e puxado conversa sempre que podia), e passado raspando atrás de mim várias vezes, virei a cabeça para trás (no meio da música) e disse: “Vai sentar rapaz! Você está atrapalhando a Orquestra e o público!”. Achei que ele se ‘tocaria’ mas não .... resolveu argumentar e explicar o porque ele estava passando ali .... Ai, ai, ai .... Falei alguns palavrões’ para ele, que não posso escrever aqui, virei para a Orquestra e continuei regendo. Neste momento, me preparei para o pior. Achei que uma briga fosse começar. Imaginem só a cena. Alguns músicos da Orquestra acompanhavam o empate entre o maestro e o bêbado com preocupação (já preparados para tomar as dores do maestro .... espero ....). Depois de ouvir o que não queria, o bêbedo voltou a sentar ao lado do spalla e, exalando cachaça pelos poros, passou o concerto inteiro me olhando com cara de cangaceiro. Só mesmo no Sonora Brasil.
Igreja Matriz - Araripina (PE)









'Educação Musical' nas escolas
Com a aprovação no Senado Federal e na Câmara, o projeto de lei 2732/2008 que trata da volta da educação musical ao currículo obrigatório do ensino fundamental estará nos próximos dias sendo enviado ao Planalto para a sanção ou o veto do Presidente Lula. Nesta última etapa, precisamos dar clara demonstração da importância desta lei para a sociedade civil, enviando um e-mail ao Presidente Lula e à Casa Civil, pedindo pela sanção desta lei. Envie o seu pedido a partir de 5a. feira, dia 17 de julho e por toda a semana seguinte, até o dia 24.
--------------------------------------------------------------------------------
Presidente Lula (endereço eletrônico baseado no site).
1. Vá ao site da Presidência: http://www.presidencia.gov.br/presidente/
2. Clique, na segunda barra de links do alto da página, em Fale com o Presidente e em seguida Escreva a sua Mensagem.
Pedido pela sanção do Presidente ao Projeto de Lei 2732/2008 pela volta da educação musical ao currículo obrigatório do ensino fundamental nas escolas
3. Envie cópia da sua mensagem por e-mail para a Casa Civil: gabinetecasacivil@planalto.gov.br (muito importante)
--------------------------------------------------------------------------------
Conheça a campanha, o abaixo assinado e a pesquisa no site:
www.queroeducacaomusicalnaescola.com
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Presidente Lula (endereço eletrônico baseado no site).
1. Vá ao site da Presidência: http://www.presidencia.gov.br/presidente/
2. Clique, na segunda barra de links do alto da página, em Fale com o Presidente e em seguida Escreva a sua Mensagem.
Pedido pela sanção do Presidente ao Projeto de Lei 2732/2008 pela volta da educação musical ao currículo obrigatório do ensino fundamental nas escolas
3. Envie cópia da sua mensagem por e-mail para a Casa Civil: gabinetecasacivil@planalto.gov.br (muito importante)
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Conheça a campanha, o abaixo assinado e a pesquisa no site:
www.queroeducacaomusicalnaescola.com
Concerto em Araripina
Jorge Moura postando...
Estas sao fotos do concerto que acabamos de fazer em Araripina em uma igreja lotadissima com muita gente querendo ouvir a musica de Villa Lobos. Muitos musicos vieram também tirar suas duvidas sobre os intrumentos e contar um pouco de suas experiencias de verdadeiros guerreiros tentando manter seus estudos nesta cidade. Eu e meu companheiro de estatnte, Fernando aproveitamos para dar umas pequenas explicaçoes de postura ao tocar violino. Concertos assim fazer o sonora valer realmente o esforço. Saudades te todos em Cuiabá.
Triunfo/PE
Jorge Moura postando...
O Hotel de triunfo e a própria cidade de triunfo com seu festival e seu clima frio deram uma boa relaxada no animo da orquestra neste final de turne. Conheci umas pessoas bem legais de Recife que tambem entraram na "pelada de orquestra", isso mesmo músicos jogando bola em Pernambuco e fez com que o dia fosse mais divertido além do tornei de truco que também aconteceu no hotel. Enfim foi como um bom fim de semana de tivemos, que nao tinhamos a muito tempo ao final da viagem. O mais interessante foi descer de teleférico do hotel passando por cima do lago e chegar ao centro desta cidade cheia de casas antigas todas coloridas. É muito bom ver a historia preservada fazendo parte do dia a dia desta cidade. Conversando com alguns hospedes do hotel fiquei sabendo que a cidade [e quase como uma Chapada dos Guimaráes para os cuiabanos, serve tambem de refugio para pessoas de recife que desejam respirar novos ares. Seguimos viagem entao com energia para levar Villa Lobos rumo a Salvador. Só faltou minha noiva aqui, bjos Carol.
Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
Nos cafundó de Bodocó
Nas caatingas do meu chão
Se esconde a sorte cega
Não se vê e nem se pega
Por acaso ou precisão.
Mas eu sei que ela existe
Pois foi velha companheira
Do famoso Lampião
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nas veredas corre o azar
Sem deixar rastro no chão
Nas quebradas caem as folhas
Fazendo a decoração.
Chora o vento quando passa
Nas galhas do aveloz
Chora o sapo sem lagoa
Todos em uma só voz.
Chora toda a natureza
Na esperança, na incerteza
De Jesus olhar pra nós
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos Cafundó de Bodocó de Jurandy da Feira
(Leandro) Dizer que Bodocó foi o lugar mais distante onde tocamos já não diz nada. Longe do quê? Depois de mais de 90 dias viajando, nossas referências mudaram. As pessoas vivem em suas comunidades e lá tem o mundo. Não sentem vontade de viver em grandes centros. Lembro do André, do Sesc Triunfo, dizendo ‘aqui é minha terra. Eu gosto daqui’. E tantos outros que surpreendem-se com nossas indagações. Ontem estava uma noite linda, com lua cheia, céu limpo e estrelado. A vida corria serena. Algumas pessoas passeavam na praça em frente a Igreja de São Francisco de Assis, onde nos apresentaríamos, e outros assistiam o futebol de salão.
As pessoas sempre dizem ‘é um privilégio tê-los aqui’. Ontem senti o contrário. Foi bom poder levar a música de Villa-Lobos para Bodocó, para brasileiros como todos os outros. Por alguma razão difícil de explicar, me senti muito mais privilegiado que todos. Foi bonito ver as pessoas chegando, as famílias, as crianças, todos de banho tomado, bem vestidos, prontos para um momento especial.
Pau de Arara
Estamos vizinhos ao local onde nasceu o Rei do Baião. Bodocó está localizada no Sertão do Araripe e faz divisa com Exú, terra de Luiz Gonzaga. Está a 650 km do Recife. Expresso aqui minha admiração por este grande compositor.
Pau de Arara (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes)
Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó,
a malota era um saco
e o cadeado era um nó.
Só trazia a coragem e a cara,
viajando num pau-de-arara,
eu penei, mas aqui cheguei.
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão.
Xote, maracatu e baião,
Tudo isso eu trouxe no meu matolão.
IGREJA DE SÃO FRANCISCO - BODOCÓ (PE)




Se esconde a sorte cega
Não se vê e nem se pega
Por acaso ou precisão.
Mas eu sei que ela existe
Pois foi velha companheira
Do famoso Lampião
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nas veredas corre o azar
Sem deixar rastro no chão
Nas quebradas caem as folhas
Fazendo a decoração.
Chora o vento quando passa
Nas galhas do aveloz
Chora o sapo sem lagoa
Todos em uma só voz.
Chora toda a natureza
Na esperança, na incerteza
De Jesus olhar pra nós
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos cafundó
De Bodocó, de Bodocó, de Bodocó
Nos Cafundó de Bodocó de Jurandy da Feira
(Leandro) Dizer que Bodocó foi o lugar mais distante onde tocamos já não diz nada. Longe do quê? Depois de mais de 90 dias viajando, nossas referências mudaram. As pessoas vivem em suas comunidades e lá tem o mundo. Não sentem vontade de viver em grandes centros. Lembro do André, do Sesc Triunfo, dizendo ‘aqui é minha terra. Eu gosto daqui’. E tantos outros que surpreendem-se com nossas indagações. Ontem estava uma noite linda, com lua cheia, céu limpo e estrelado. A vida corria serena. Algumas pessoas passeavam na praça em frente a Igreja de São Francisco de Assis, onde nos apresentaríamos, e outros assistiam o futebol de salão.
As pessoas sempre dizem ‘é um privilégio tê-los aqui’. Ontem senti o contrário. Foi bom poder levar a música de Villa-Lobos para Bodocó, para brasileiros como todos os outros. Por alguma razão difícil de explicar, me senti muito mais privilegiado que todos. Foi bonito ver as pessoas chegando, as famílias, as crianças, todos de banho tomado, bem vestidos, prontos para um momento especial.
Pau de Arara
Estamos vizinhos ao local onde nasceu o Rei do Baião. Bodocó está localizada no Sertão do Araripe e faz divisa com Exú, terra de Luiz Gonzaga. Está a 650 km do Recife. Expresso aqui minha admiração por este grande compositor.
Pau de Arara (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes)
Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó,
a malota era um saco
e o cadeado era um nó.
Só trazia a coragem e a cara,
viajando num pau-de-arara,
eu penei, mas aqui cheguei.
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão.
Xote, maracatu e baião,
Tudo isso eu trouxe no meu matolão.
IGREJA DE SÃO FRANCISCO - BODOCÓ (PE)




Buique e Triunfo (PE)
(Leandro) Ficamos hospedados mais um dia em Arcoverde. O concerto seguinte seria em Buique, munícipio bem próximo, que não justificaria uma troca de hotel (creio que nem haveria esta possibilidade). Fomos muito bem recebidos pela Naruna, técnica do Sesc, que fez o melhor discurso de abertura de concerto de todo o Sonora Brasil (opinão de muitos de nós). Falou bem, com desenvoltura, e contextualizou a participação da Orquestra de uma maneira muito especial. A igreja lotada animou a Orquestra. O concerto foi ótimo e conhecemos muitas pessoas interessantes depois. Os meninos do grupo “Bate-lata” chamaram a atenção: o grupo foi criado, e é ‘gerido’, por um menino de 12 anos! É ele quem marca os ensaios, define o repertório, promove o grupo e ‘vende’ apresentações na cidade. Impressionante! Todo o grupo foi nos prestigiar (ver foto abaixo).
Depois de Buique, viajamos para Triunfo. Chegamos no meio do “50 Festival do Estudante”. O inverno e a intensa programação cultural atrai pessoas de toda a região. Ariano Suassuna acabara de fazer uma aula-espetáculo (deixou o hotel no Sesc na mesma manhã que chegamos ... pena) no dia anterior. Como teríamos um dia de descanso (depois de mais de 15 dias fazendo concerto todos os dias), fomos atrás dos grupos que se apresentariam no sábado. Para minha alegria, soube que o grande bandolinista, e amigo querido, Marco César estava na cidade com sua Orquestra Pernambucana de Choro. Descemos todos para o centro da cidade para prestigiá-los. Reencontrei outro grande amigo, Bozó, um dos melhores 7 cordas do Brasil. A apresentação estava marcada para as 21h, mas começou meia noite. A sonorização estava lamentável e prejudicou muito o grupo. Enfim, tentamos abstrair o som que vinha das caixas e os bêbados que atormentavam a cidade.
Conheci também o André, que trabalha no Sesc Triunfo, e tem muitos dos meus CDs! Ele também me apresentou a vários amigos da cidade que também acompanham meu trabalho há mais de 10 anos. Chegaram a assistir os concertos que fiz no Recife, naquela época. Muito gratificante saber que as pessoas gostam, ouvem sempre os CDs, e acompanham meu trabalho. Vou enviar o DVD da Orquestra do Estado de Mato Grosso para eles.
O dia de descanso no Sesc Triunfo foi fundamental. O Hotel é lindo, fica no alto do morro, e está conectado com o centro de Triunfo através de um teleférico. O restaurante também é excelente! Hoje, depois do almoço, seguimos para Bodocó. Mais 4 horas de viagem.
Depois de Buique, viajamos para Triunfo. Chegamos no meio do “50 Festival do Estudante”. O inverno e a intensa programação cultural atrai pessoas de toda a região. Ariano Suassuna acabara de fazer uma aula-espetáculo (deixou o hotel no Sesc na mesma manhã que chegamos ... pena) no dia anterior. Como teríamos um dia de descanso (depois de mais de 15 dias fazendo concerto todos os dias), fomos atrás dos grupos que se apresentariam no sábado. Para minha alegria, soube que o grande bandolinista, e amigo querido, Marco César estava na cidade com sua Orquestra Pernambucana de Choro. Descemos todos para o centro da cidade para prestigiá-los. Reencontrei outro grande amigo, Bozó, um dos melhores 7 cordas do Brasil. A apresentação estava marcada para as 21h, mas começou meia noite. A sonorização estava lamentável e prejudicou muito o grupo. Enfim, tentamos abstrair o som que vinha das caixas e os bêbados que atormentavam a cidade.
Conheci também o André, que trabalha no Sesc Triunfo, e tem muitos dos meus CDs! Ele também me apresentou a vários amigos da cidade que também acompanham meu trabalho há mais de 10 anos. Chegaram a assistir os concertos que fiz no Recife, naquela época. Muito gratificante saber que as pessoas gostam, ouvem sempre os CDs, e acompanham meu trabalho. Vou enviar o DVD da Orquestra do Estado de Mato Grosso para eles.
O dia de descanso no Sesc Triunfo foi fundamental. O Hotel é lindo, fica no alto do morro, e está conectado com o centro de Triunfo através de um teleférico. O restaurante também é excelente! Hoje, depois do almoço, seguimos para Bodocó. Mais 4 horas de viagem.
TRIUNFO - PE
Apesar de não ter tido nem tempo nem cabeça pra comentar nada por aqui nesses últimos tempos, volto hoje com força (quase) total, muita vontade, e mais renovada que nunca!
Estávamos em Triunfo-PE, e tivemos o sábado como nosso único dia de descanso (desde o início da turnê em 28 de abril!), daqueles dias em que não precisamos fazer absolutamente nada: nem viajar, nem tocar!
Que maravilha!!! - é o que diz Alice.
Tocamos sexta-feira à noite, na Igreja Matriz de Triunfo (belíssima construção!), para um público bastante caloroso.
Fiquei bastante surpresa com o friozinho que nos recebeu lá. Não imaginava que havia um lugar com uma neblina e uma chuvinha dessas em Pernanbuco!
E que cidade linda, Triunfo! Adorei esse lugar!
Uma gracinha, cheia de encantos e muita cultura!
Um belo lago no centro da cidade completa a paisagem urbana entre serras.
Aproveitei e andei no teleférico (que liga o Hotel do Centro de Lazer do Sesc ao centro da cidade), e passeei pelas ruas recheadas de casarões, sobrados, igrejas - um verdadeiro patrimônio arquitetônico, e tudo isso ao som de um carro que derramava um "maracatu encantado" aos meus ouvidos paulistanos!
Fiquei sabendo ainda que na região rural há diversos atrativos turísticos como cachoeiras, mirantes naturais, e o Pico do Papagaio, a 1260m de altitude - o ponto mais alto de Pernanbuco.
Sem dúvida um lugar que merece o olhar atento e cuidadoso de seu visitante!
E como se não bastasse, a cidade tem uma importância histórica enorme, tendo servido de abrigo ao bando de cangaceiros de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Visitei ainda o Museu do Cangaço, um dos únicos em PE dedicados a esse fenômeno histórico. Lá eles conservam armas, roupas, e objetos diversos utilizados pelos cangaceiros durante a existência de Lampião.
Que surpresa maravilhosa, Triunfo! Respirei cultura, folclore e beleza em um dia que me marcou profundamente!
Voltarei no Carnaval, com certeza, e pularei com os Caretas! Rs!
E, lá, já estarei com o meu gurizinho recém-nascido nos braços, que conhecendo bem a mãe e o pai que tem, será tal qual um folião muito do esperto! Rs!
Abraços "grávidos" de cultura e alegria!!!
"No Universo da Cultura o Centro está em toda parte" - Miguel Reale
Alice Beviláqua
Domingo, 20 de Julho de 2008
Buique (PE) Igreja São Felix de Cantalice














Com os meninos do grupo "Bate Lata"

Saída do Hotel para o concerto, com o dono do Hotel Cardeal Arcoverde.

Faltou a foto da Naruna, técnica do Sesc! Ela se parece muito com a Laura, da equipe administrativa da Orquestra do Estado de Mato Grosso.
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
Comentário especial
Olá, sou professora do SESC e como comentei abaixo no blog sobre o quanto fiquei feliz em proporcionar aos meus filhos assistir ao concerto. Estou enviando três fotos que representam o momento único aos meus filhos. Obrigado e sucesso a todos!
Divaniedja Guerra Duda de Abreu
divaniedjaduda@hotmail.com


Divaniedja Guerra Duda de Abreu
divaniedjaduda@hotmail.com


Arcoverde (PE)
(Leandro) Fazia um frio de 17 graus em Arcoverde, sertão do Moxotó, Pernambuco. A chuva fina que atravessara o dia não dava trégua e parecia desencorajar as pessoas a saírem de casa. Perguntei ao Zevang “Você acha que vai aparecer alguém?” Tranquilo, como se soubesse o que nos aguardava, respondeu “Você vai ver”. O concerto da Orquestra do Estado de Mato Grosso em Arcoverde aconteceu no auditório do Colégio Cardeal Arcoverde. O teatro do Sesc está em reforma e a cidade não dispunha, aparentemente, de outra opção. As 19:00 as pessoas começaram a chegar e não pararam mais. Tivemos que improvisar um espaço atrás da Orquestra, onde foi nosso camarim, para acomodar as pessoas mais velhas. Muitos ficaram em pé ou permaneceram do lado de fora ouvindo os sons que vinham do auditório. O público ficou embevecido com a música de Villa-Lobos. Silêncio e concentração total de pessoas que, em sua maioria, nunca viram uma orquestra. Assim, o Sonora Brasil e a Orquestra do Estado de Mato Grosso vem cumprindo seu papel Brasil adentro, ‘botando a mão na massa’ e dando a oportunidade para brasileiros de todas as idades, raças e condição financeira usufruirem a arte a qual tem direito. E nós, como artistas e cidadãos, em muitos sentidos, não fazemos mais do que nossa obrigação .
Curiosidades: Conhecida como porta de entrada do sertão pernambucano, Arcoverde tem uma vida cultural muito interessante. Terra do “samba de coco”, tem nos grupos “Irmãs Lopes” e “Raízes de Arcoverde” seus maiores expoentes. A cidade também deu origem ao grupo “Cordel do Fogo Encantado” e a “Orquestra Super Oara”, além de várias bandas de forró conhecidas em todo o Nordeste, como a Noda de Caju.



Curiosidades: Conhecida como porta de entrada do sertão pernambucano, Arcoverde tem uma vida cultural muito interessante. Terra do “samba de coco”, tem nos grupos “Irmãs Lopes” e “Raízes de Arcoverde” seus maiores expoentes. A cidade também deu origem ao grupo “Cordel do Fogo Encantado” e a “Orquestra Super Oara”, além de várias bandas de forró conhecidas em todo o Nordeste, como a Noda de Caju.



Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
Mozart Vieira e os Meninos de São Caetano

Leandro Carvalho e Mozart Vieira
(Leandro) Conheci o maestro Mozart Vieira em Belo Jardim (PE). Vocês se lembram dos “Meninos de São Caetano”? Pois é, há 13 anos Mozart transformou a pequena e pobre cidade de São Caetano, esquecida no interior de Pernambuco, com sua orquestra de crianças. Ganhou fama nacional e internacional, e a Banda Sinfônica do Agreste, mais conhecida como Meninos de São Caetano, terminou por se apresentar nos melhores teatros do Brasil e de vários países europeus. A Orquestra constitui a parte mais visível de um projeto que também compreende a Fundação Música e Vida, na qual mais de 1.000 crianças recebem ensino musical e reforço escolar. A maior parte dos alunos da escola de música de Mozart foi nos prestigiar no concerto realizado em Belo Jardim.
A vida de Mozart transformou-se recentemente em filme. “Orquestra de Meninos” tem Murilo Rosa no papel principal e direção de Paulo Thiago. O filme estréia no segundo semestre em todo o Brasil. A história é baseada em fatos reais, ocorridos no agreste pernambucano, quando Mozart Vieira começou a formar uma orquestra com meninos da região (todos pobres e trabalhadores da roça), ganhando espaço na mídia, sendo, depois, envolvido em escândalos pelas oligarquias reinantes no interior pernambucano. Sua arte não era bem-vinda nem para os fazendeiros nem para os pais das crianças. É acusado de pedofilia e quase é preso, não fosse a ingerência de Dom Helder Câmara que mobilizou artistas de todo o País em defesa do maestro.
Garanhuns (PE)
(Leandro) Garanhuns faz jus ao apelido de ‘cidade das flores’. A cidade é cheia de praças, canteiros e jardins bem cuidados. Nos dias que passamos por lá estava frio e a espessa neblina cobria os bairros da cidade. Esse clima combinou com o Hotel do Sesc, rodeado por árvores e bichos soltos ... Isso mesmo! Pato, ganso, pavão, coelho, muitos deles, à vontade dentro da área do Sesc. Desta vez, nosso concerto aconteceu num lugar bastante interessante, uma antiga estação ferroviária transformada no Centro Cultural Luis Jardim (onde funciona também a Secretaria de Cultura do município). O público lotou o teatro e ouvimos dos técnicos do Sesc, mais uma vez, que este havia sido o maior público que o Sonora Brasil recebera. Ficamos felizes e honrados com o prestígio e esperamos ter contribuído para a ‘formação de ouvintes’ em Garanhuns.
Hoje, seguimos para Arcoverde.


Hoje, seguimos para Arcoverde.


Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Concerto em Belo Jardim-Pernambuco
Situada no Agreste Pernanbucano, Belo Jardim está aproximadamene 600m acima do nível do mar; com aproximadamente 72000 habitantes, Belo Jardim está na rota da Estrada de Ferro Central de Pernanbuco, a cidade recebeu em 1881 este nome do Frei Capuchinho Cassiano Camacchio por ele ter se impressionado com o paisagismo local.Esta foi a quarta cidade pernambucana a receber a OEMT, e mais uma vez pude comprovar e sentir tanta receptividade do povo pernanbucano à música de Villa Lobos e á nossa orquestra. A igreja de São Pedro estava completamente lotada de pessoas anciosas e desejosas por ouvir música, algumas ja haviam assistido à uma orquesta anteriormente, outras nunca haviam tido esta oportunidade e demonstravam no olhar a ansiedade deste primeiro encontro com música de concerto. Pela quantidade de aplausos e gritos de ''bravo'', eu posso imaginar que conseguimos tocar o público de Belo Jardim de alguma forma, a platéia era composta por autoridades locais, pessoas de classe baixa, artistas e diversos músicos que prestigiaram o concerto. A cada concerto da série ''Sonora Brasil'' que participo junto à OEMT, eu me certifico cada mez mais da importância deste projeto de tamanha envergadura, ja me deparei com centenas de pessoas durante esta turnè que nunca assistiram a uma apresentação orquestral, são centenas as cidades que nao possuem vida cultural, nao possuem projetos musicais, nao possuem profissionais capacitados, e muito menos músicos(isto se tratando apenas de Música). Passamos por cidades que simplesmente nao possuem vida cultural.. é isso mesmo caro leitor!! A vida cultural em alguns lugares deste imenso Brasil é simplesmente morta. Nestas cidades eu pude ouvir de algumas pessoas que me proucuraram ao final do concerto verdadeiras lamentações sobre a vida cultural que simplesmente nao existia nestas cidades, elas imploravam para que não demorássemos voltar às suas cidades com novas apresentações; então é inevitável esta carência por cultura no Brasil, e este projeto ambicioso do Sesc é uma luz no vim do tunel para inumeros municípios brasileiros, eu pude ouvir o relato de uma senhora ao final de um concerto anteriormente, ela o fez com estas palavras: ''aqui na nossa cidade simplesmente nao acontece nada, de algum tempo para cá, o sonora Brasil tem nos presenteado com algumas apresentações de alto nível'', outra senhora tambem me confidenciou em uma cidade que passamos: '' o que ainda movimenta a vida cultural da minha cidade é o Sonora Brasil, pois é a única coisa que chega aqui para nós ''. Então só tenho a louvar o Sesc mais uma vez pelo projeto, e porque não pensarmos em uma ampliação futura deste projeto... Só quem participa diretamente do projeto Sonora Brasil pode vivenciar esta realidade aqui cidada, ninguem mais...!! Espero daqui dez anos festejar a vigésima edição do Sonora Brasil, pois é um projeto que faz muito bem para este País, são sementes que são semeadas por este Brasil, eu bem sei que algumas morrem, mas outras crescem, e em um espaço de tempo considerável elas podem produzir e oferecer seus frutos ao nosso país. Me lembro de uma garota no norte do Brasil, que estudava viola clássica, mas por falta principalmente de incentivo e de referências ela havia abandonado seus estudos de música, mas nosso concerto naquela capital a deixou tão impressionada que ela proucurou nosso querida violista Camila Meireles e com muita empolgação disse assim: ''eu estou impressionada como voce toca viola, sua postura, seu jeito.. minha viola estava aposentada mas depois de ter visto voce tocar nesta apresentação eu sinto-me renovada para retomar meus estudos de viola''. Estas são apenas algumas comprovações que vivenciei, comprovando a grande importancia e efeito social deste projeto.
Luciano Pontes-spalla Orquesta do Estado de Mato Grosso
Luciano Pontes-spalla Orquesta do Estado de Mato Grosso
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Caruaru (PE)



(Leandro) Percorri algumas cidades do interior de Pernambuco há 10 anos, em duas ocasiões. A primeira lançando o CD “João Pernambuco O Poeta do Violão”, acompanhado de 'bambas' do choro radicados em Recife como o bandolinista e arranjador Marco Cesar, Bozó, violão de sete cordas, e Dalva Torres, grande cantora pernambucana. O espetáculo era uma homenagem aos 50 anos de morte do compositor e tinha como repertório suas composições mais conhecidas como “Luar do Sertão”, “Cabôca de Caxangá”, “Sons de Carrilhões” e “Graúna”. Depois, percorri o mesmo circuito com o grande “Quinteto de Cordas da Paraíba”, formado por mestres do instrumento: Yerko Tabilo e Ronedilk Dantas, violino, Samuel Espinoza, viola, Nelson Campos, violoncelo, e Xisto Medeiros, contrabaixo. Nesta vez, nosso repertório eram as composições inéditas de João Pernambuco, arranjadas por compositores que tornaram-se notórios na época do ‘Movimento Armorial’, como Jarbas Maciel e Clóvis Pereira, por ocasião do segundo CD que gravei com as obras de João Pernambuco ("Descobrindo João Pernambuco").
Algumas as cidades que visitamos estão incluídas no roteiro do Sonora Brasil da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Ontem nos apresentamos em Caruaru, no mesmo teatro do Sesc. Foi uma sensação estranha. Pensei que não voltaría mais para estas ‘bandas’ ... Mas eis que ... deparamo-nos com uma grande platéia, que lotava o teatro na noite de domingo, para ouvir composições do mestre Villa-Lobos, mais uma vez, por ocasião das homenagens a seus 50 anos de morte. O concerto aconteceu num clima leve, de muita descontração. O público reagiu sempre com entusiasmo e vibração. A TV Globo Caruaru estava presente e registrou todo o concerto para uma matéria especial. Os dois grandes jornais da cidade também deram amplo espaço de divulgação com ótimas matérias jornalísticas. Obrigado a todos pelo apoio e parabéns ao Sesc Caruaru pelo ótimo trabalho realizado.
Hoje de manhã, seguimos para Belo Jardim (PE).
Surubim (PE)
(Leandro) Acabamos de fazer um concerto em Surubim, cidade a 130 km do Recife, agreste pernambucano. A cidade é conhecida como a capital da vaquejada e terra natal de duas figuras históricas da cultura brasileira: Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”, e o grande Capiba, compositor genial de frevos, maracatus e muita música de concerto (como a ‘Grande Missa Armorial’ e ‘Terra sem Lei’). Pela primeira vez no Sonora, fizemos um concerto no Hotel onde nos hospedamos. Muito interessante ... ao sair do quarto, me deparei com o público subindo as escadas para o salão do último andar do edifício. Que susto! Por outro lado, após terminar o concerto, bastou descer as escadas e ir direto para cama! Na verdade, o salão do Hotel é o melhor do local da cidade para espetáculos desta natureza e vem sendo amplamente utilizado pelo Sesc Surubim. Isso, até que uma unidade do Sesc seja construída na cidade ...
O público recebeu a Orquestra com muito carinho. Fomos honrados com a presença da viúva de Capiba, Zezita Barbosa, e várias autoridades locais. Conversei muito com o ex-prefeito da cidade que me disse que a ‘Sinfônica do Recife’ foi a última orquestra a se apresentar na cidade (há trinta anos)! Dava para sentir a fome de música dos cidadãos que foram prestigiar a Orquestra do Estado de Mato Grosso. Terra de tantos filhos ilustres e com uma rica tradição em música para banda (ambiente que gerou um compositor da envergadura de Capiba), Surubim merece maior atenção dos poderes públicos e privados tanto para a preservação de sua memória (não existe ainda um ‘Museu Capiba’ ou algo semelhante que possa presevar sua memória), como para o fomento de novos talentos.
Obrigado Avaci e toda Equipe do Sesc Surubim. Parabéns pelo trabalho realizado.
O público recebeu a Orquestra com muito carinho. Fomos honrados com a presença da viúva de Capiba, Zezita Barbosa, e várias autoridades locais. Conversei muito com o ex-prefeito da cidade que me disse que a ‘Sinfônica do Recife’ foi a última orquestra a se apresentar na cidade (há trinta anos)! Dava para sentir a fome de música dos cidadãos que foram prestigiar a Orquestra do Estado de Mato Grosso. Terra de tantos filhos ilustres e com uma rica tradição em música para banda (ambiente que gerou um compositor da envergadura de Capiba), Surubim merece maior atenção dos poderes públicos e privados tanto para a preservação de sua memória (não existe ainda um ‘Museu Capiba’ ou algo semelhante que possa presevar sua memória), como para o fomento de novos talentos.
Obrigado Avaci e toda Equipe do Sesc Surubim. Parabéns pelo trabalho realizado.
A novidade, a arte, e a fórmula do sucesso...

(Fernando)No atual mundo empresarial de concorrência, de competitividade crescente, muito se diz sobre a importância da originalidade e da criatividade em torno dos diferentes processos da fabricação de um produto de sucesso, porém de toda a literatura e work shops sobre o assunto, poucos ousam determinar o verdadeiro significado destes termos!
Talvez pela natureza de nossa maneira de pensar, parece que tudo se torna muito distante quando nos colocamos na difícil missão de encarar o sucesso. O que é relativamente simples acaba por tornar-se sobre humano, um dom inato fruto de uma concepção quase mítica em torno de coisas e pessoas caricaturadas como gênios, e assim, aquilo que se produz dia após dia, transfigura-se em idealização e conseqüente renúncia ao trabalho e a construção.
Como dizia um professor meu de filosofia: “a crítica não nos traz uma nova verdade, ela nos ensina a pensar de outra maneira”, e partindo deste principio, atrevo a dizer que no mundo não existem coisas e idéias novas, tudo é uma questão de observar, e aproveitar o mesmo objeto de maneiras distintas. A lógica é quase a mesma da famosa máxima “a beleza esta nos olhos de quem vê”, ou seja, os objetos estão sempre ali dispostos para quem quiser ou não aproveitá-los, e a novidade em torno deles, esta na simples disposição do sujeito em direcioná-los para esta ou aquela finalidade!
Não retiro a grandiosidade do “novo” e do “genial”, apenas os coloco, com os pés no chão, ao nosso alcance. As maravilhas da atualidade podem parecer fenomenais, mas longe de serem “achados da humanidade”, são, na verdade, resultado de um longo processo histórico. Grandes homens tais como, Newton, Bach, Einstein, Nietzsche, e para citar entre os brasileiros, Villa-Lobos, não possuíam capacidades “doadas pela divindade”, mas sim uma incrível capacidade de síntese! Se eu pudesse generalizar uma fórmula para o genial, e conseqüentemente para o sucesso, esta seria a fusão de três elementos: paixão, tradição e paciência!
Nada se faz sem paixão – ela é o quesito fundamental para qualquer espírito. É a força motriz que direciona o estado de ânimo necessário para qualquer criação, afinal, sem motivo não há causa! A tradição é a ferramenta retirada da antiguidade, a herança cultural transmitida e necessária para o dialogo entre os olhares de outrora e da contemporaneidade. Já a paciência, é a calma, a “perseverança tranqüila” daquilo que tardará a acontecer.
Recolocando os termos, no mundo da competição, vence sim, não mais o original, mas aquele que possui o intelecto suficientemente ajustado à síntese!
Indo do ramo empresarial à produção artística, o objeto não muda de foco! Como dizia Carl Flesh, grande violinista e pedagogo alemão que viveu no começo do século XX, o artista tem que ser flexível o suficiente para se ajustar às mudanças de paradigmas presente em sua realidade.
Na era do capital, a arte que busca o sucesso deve ser considerada como um produto cultural, um bem passível de consumo, caso contrário padecerá no esquecimento. Quando digo passível de consumo, não o digo a “qualquer preço”, ao modelo de produções ínfimas como a “dança do créu”, mas sim, dentro de uma proposta de engrandecimento social, de educação e cultivo do senso crítico.
O sucesso na arte, tal como no mundo corporativo, também se constrói, e citando um exemplo a ser seguido, ressaltaria o estado da Paraíba na incrível formação de sua orquestra em 1945, assim como a recente fundação do espaço “Estação cultura, ciência e artes”. Lá, o sucesso dos eventos musicais são frutos do trabalho de anos, e de uma visão a longo prazo da realidade, afinal, “há tempos de plantar e colher”. A concepção do resultado imediato, a curto prazo, nunca poderá cria nenhuma situação que tente ser duradoura.
Como dizia Einstein “o único lugar onde o sucesso vem antes que o trabalho é no dicionário”! Os objetos estão todos ao nosso olhar, só nos resta disposição. Estamos prontos? Então mãos à obra!
Domingo, 13 de Julho de 2008
Um pouco sobre ''Os Karipunas''.
Os Karipunas foram índios que viveram entre a parte norte da região centro oeste e norte do Brasil, entre os lugares onde foram registrados a presença de aglomerações Karipunas destacam-se o estado de Roraima, sul do Amazonas e norte de Mato Grosso. Estes índios eram prodigiosos na caça e na pesca; segundo os registros históricos, a chegada do ciclo da borracha no início do sec. XX e da ferrovia Madeira-Mamoré, podem ser apontados por grandes historiadores como o marco inicial de mortes e invasões ao território dos Karipunas, marcando assim com epidemias e grandes percas culturais a vida deste povo durante o sec. XX, hoje eles possuem sua própria Terra Indígena e procuram protegê-la das constantes invasões de madeireiros, caçadores, pescadores e posseiros. Os Karipunas ainda cultuam um ritual que se perpetua por muitas décadas, este ritual relaciona-se com o destino da alma do Karipunas após a morte, em um ritual eles incorporam um personagem “jesús” (purejapi’nã) como o espírito (anhãgá, que é um predador que ao devorar o coração do humano, consuma a sua passagem para o “céu” (ywagá). Este lugar segundo os Karipunas é onde vivem as almas e é quase igual à vida na terra, la eles podem usufruir da caça e da pesca, mas ali eles so tem acesso a arcos e flechas pois segundo os Karipunas por la nao existem espingardas. Ali também eles podem casar-se, mas não obedecem as regras de casamento: “lá no céu é igual aqui, mas estar por aqui é melhor” (palavras do índio Karipuna ''Aripã''). E foram estes índios místicos que inspiraram nosso grande Villa Lobos a compor o conjunto de peças místicas conhecidas como ''As três danças características africanas''(obras executadas pela OEMT durante a turnè), pois os Karipunas tiveram contato com os negros escravos que eram capturados pelos Portugueses na África, e 40% deles eram enviados para o Brasil para realizarem o trabaho forçado na era do açucar, e a cultura africana refletiu diretamente na cultura Karipuna, e segundo os historiadores durante a viajem que Villa Lobos fez pelo Brasil, colhendo canções, cantigas, melodias e rítmos para posteriormente inseri-los em suas obras, ele teve contato com esta tribo mística de índios que o serviu como fonte inspiradora.
Abaixo estão algumas fotos de índios da tribo Karipuna durante a primeira metade do sec. XX.


Postado por Luciano Pontes-Spalla . Orquestra do Estado de Mato Grosso
Abaixo estão algumas fotos de índios da tribo Karipuna durante a primeira metade do sec. XX.


Postado por Luciano Pontes-Spalla . Orquestra do Estado de Mato Grosso
Sábado, 12 de Julho de 2008
São Lourenço da Mata (PE)
(Leandro) Foi surreal. Descemos do ônibus em frente à Capela de Santo Antonio, local do concerto, onde se podia ouvir Mozart em alto e bom som. O Pe. Pedro tem o hábito de colocar música clássica em dezenas de auto-falantes espalhados pelo lado de fora da Igreja. Pode-se ouvir a música a várias quadras de distância. As bandeirinhas indicavam uma noite especial. O povo de São Lourenço da Mata já vinha chegando para o concerto enquanto a equipe do Sesc nos recebia carinhosamente com um verdadeiro ‘banquete’ no camarim. Ficamos verdadeiramente ‘tocados’ com tudo. Disse ao Pe. que iríamos retribuir em forma de música, fazendo um concerto especial. Obrigado a todos pela recepção e por todo o esforço de pré-produção para que o concerto da primeira etapa do Sonora Brasil estivesse à altura do Projeto.
Recife (PE)
(Leandro) Voltei ao Recife depois de oito anos ... Aqui morei por três anos, entre idas e vindas a São Paulo para cumprir créditos no Depto de História da USP, desenvolvendo um trabalho de pesquisa sob orientação de Ariano Suassuna. Foram anos mágicos. A rotina acadêmica ocupava uma pequena parte do meu dia e mesmo os encontros periódicos que tinha com meu orientador eram mais voltados às divagações a respeito do Brasil do que à discussão da tese. Lembro-me que em 1999, além do trabalho de pesquisa, gravei 3 CDs: “Descobrindo João Pernambuco”, com a participação de mais de 50 músicos de Recife, João Pessoa, Rio e São Paulo, “João Pernambuco e o Sertão”, em duo com Baden Powell, e “O Guarani”, em duo com Turibio Santos. Que ano!
Na verdade, quando vim para Recife queria mesmo era descobrir o ‘Brasil Real’ (denominação que Ariano incorporou a partir do olhar de Machado de Assis, em oposição ao ‘Brasil Oficial’, ‘caricato e burlesco’), conhecer de perto a cultura popular e o ambiente musical que dera subsídios a muitas mentes criativas. No campo da pesquisa, queria saber que lugar era esse que gerara João Pernambuco, compositor singular que marcou a história da música brasileira. Com este norte, centrei meus esforços na música que se fazia no Brasil no final do século XVIII e início do XIX e escrevi uma dissertação chamada “... e o estrepidoso zabumba põe tudo em alvoroço – Música e Sociedade em Pernambuco na primeira metade do século XIX”. Basei-me nos cronistas do período, em especial no Pe. Lopes Gama que editava o jornal O Carapuceiro, e nos relatos dos viajantes estrangeiros, como Henry Koster, Tollenare, M. Graham e outros. Uma das conclusões foi que a ‘música’ que se fazia no Brasil neste período já possuia características singulares suficientes para ser chamada de ‘música brasileira’. Parece óbvio, mas o senso comum em torno na cristalização de uma cultura ‘nova’ segue repetindo disparates como “o choro nasceu da polca européia quando tocada pelos músicos cariocas no final do século XIX”, me incomodava muito. Até hoje, prescindimos de estudos sérios (com exceção de pouquíssimos autores) sobre o processo que gerou uma ‘música’ singular. Continuam sendo editados livros sobre a ‘história do choro’, ‘história disso e daquilo’, sem rigor metodológico, sem indicações de fontes, cheios de ‘achismos’ e repetições de chavões distorcidos, sem profundidade e coerência intelectual. A riqueza deste período (séc. XVIII e XIX) vem a tona nos estudos voltados à música ‘séria’, ‘erudita’, feitos principalmente por musicólogos que vem recuperando também os registros em papel da música feita na época. No entanto, continua ainda negligenciado algo maior e mais especial que é justamente aquilo nos faz ‘brasileiros’: a mistura do sagrado com o profano, o zabumba dentro da igreja, Mané Chico ‘desafinando’ seu violão para tocar Carulli e Carcassi, e uma nova visão de mundo, livre, desatinada, inconsequente, que arrisca-se para criar uma linguagem poética capaz de expressar o mundo novo e complexo que nos circunda.
Voltando ao Recife de hoje, fizemos um concerto na Igreja da Madre de Deus, no Recife Antigo, para um grande público, carinhoso e ávido por Villa-Lobos. Fiquei emocionado com tudo. Nunca poderia imaginar que voltaria aqui oito anos depois, a frente de uma Orquestra tão boa, para tocar Villa-Lobos. Nestas horas, vejo que valeu a pena seguir meu coração, mudar de rota várias vezes e recomeçar insistentemente. Reencontrei muitos amigos e matei um pouco da saudade desta cidade especial, forte, cheia de personalidade, que nos surpreende a cada esquina. “Voltei Recife, foi a saudade quem me trouxe pelo braço”. Nossa história ainda está começando ....
Na verdade, quando vim para Recife queria mesmo era descobrir o ‘Brasil Real’ (denominação que Ariano incorporou a partir do olhar de Machado de Assis, em oposição ao ‘Brasil Oficial’, ‘caricato e burlesco’), conhecer de perto a cultura popular e o ambiente musical que dera subsídios a muitas mentes criativas. No campo da pesquisa, queria saber que lugar era esse que gerara João Pernambuco, compositor singular que marcou a história da música brasileira. Com este norte, centrei meus esforços na música que se fazia no Brasil no final do século XVIII e início do XIX e escrevi uma dissertação chamada “... e o estrepidoso zabumba põe tudo em alvoroço – Música e Sociedade em Pernambuco na primeira metade do século XIX”. Basei-me nos cronistas do período, em especial no Pe. Lopes Gama que editava o jornal O Carapuceiro, e nos relatos dos viajantes estrangeiros, como Henry Koster, Tollenare, M. Graham e outros. Uma das conclusões foi que a ‘música’ que se fazia no Brasil neste período já possuia características singulares suficientes para ser chamada de ‘música brasileira’. Parece óbvio, mas o senso comum em torno na cristalização de uma cultura ‘nova’ segue repetindo disparates como “o choro nasceu da polca européia quando tocada pelos músicos cariocas no final do século XIX”, me incomodava muito. Até hoje, prescindimos de estudos sérios (com exceção de pouquíssimos autores) sobre o processo que gerou uma ‘música’ singular. Continuam sendo editados livros sobre a ‘história do choro’, ‘história disso e daquilo’, sem rigor metodológico, sem indicações de fontes, cheios de ‘achismos’ e repetições de chavões distorcidos, sem profundidade e coerência intelectual. A riqueza deste período (séc. XVIII e XIX) vem a tona nos estudos voltados à música ‘séria’, ‘erudita’, feitos principalmente por musicólogos que vem recuperando também os registros em papel da música feita na época. No entanto, continua ainda negligenciado algo maior e mais especial que é justamente aquilo nos faz ‘brasileiros’: a mistura do sagrado com o profano, o zabumba dentro da igreja, Mané Chico ‘desafinando’ seu violão para tocar Carulli e Carcassi, e uma nova visão de mundo, livre, desatinada, inconsequente, que arrisca-se para criar uma linguagem poética capaz de expressar o mundo novo e complexo que nos circunda.
Voltando ao Recife de hoje, fizemos um concerto na Igreja da Madre de Deus, no Recife Antigo, para um grande público, carinhoso e ávido por Villa-Lobos. Fiquei emocionado com tudo. Nunca poderia imaginar que voltaria aqui oito anos depois, a frente de uma Orquestra tão boa, para tocar Villa-Lobos. Nestas horas, vejo que valeu a pena seguir meu coração, mudar de rota várias vezes e recomeçar insistentemente. Reencontrei muitos amigos e matei um pouco da saudade desta cidade especial, forte, cheia de personalidade, que nos surpreende a cada esquina. “Voltei Recife, foi a saudade quem me trouxe pelo braço”. Nossa história ainda está começando ....
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Aulas de Lutheria
Jorge Moura postando...
Olá estamos em Recife, após um dias de exaustiva gravação e volto a postar depois de vários dias passando por hoteis onde infelizmente o acesso a net era muito caro e o tempo cada vez mais curto com ensaios para a gravação. E justamente agora que achei uma lan perto do hotel esqueci a camera haha mas tudo bem, queria apenas falar sobre uma experiência interessante que estou tendo nesta segunda metade da viagem.
Nosso companheiro Joselito, além de violinista sempre se interessou por lutheria (profissão de quem faz instrumentos musicais)e, embora me disse que ultimamente não estava atuando como luthier continua se dedicando quando possível até mesmo na manutenção do seu próprio violino.
Conversando com ele perguntei se poderia me ensinar umas coisas básicas para que eu pudesse ajudar meus alunos do Projeto Ciranda, onde dou aula de violino, pois eu mesmo sempre tive problemas com instrumentos ruins ou mal regulados que sempre dificultam o aprendizado e as vezes impossibilitam o aluno a tirar um som realmente bonito do instrumento. Já vi meus alunos tocando com instrumentos empenados, com arcos empenados, crinas ruins, cavaletes tortos ou super grossos e ate vi alguns casos de estandartes de violino que simplesmente rachavam no meio sem esforço algum apenas pela pressão comum das cordas sobre ele.
Tudo isso seria mais simples se em Cuiabá tivessemos o serviço de lutheria e não tivéssemos que mandar nosso intrumento para outros estados para sua manutenção ou reparo como sempre tenho que fazer, gastando horrores para isso.
Joselito entao revelou-se um ótimo professor e ja me deu algumas ótmias aulas de como ajustar alma do violino, pestana, limpeza e principalmente como arrumar o cavalete do violino que é a peça de madeira que sustenta as cordas. Aliás, fiz meu primeiro cavalete com um bruto que comprei em Joãoi Pessoa e ja estou usando-o no meu violino desde então. Posso ter cometido alguns errinhos que o Joselito pacientemente corrigiu mas ainda ficou ótimo e melhor que o meu antigo que estava rachando.
De qualquer forma estou escrevendo para agradecer ao Joselito pela amizade e paciencia e espero continuar aprendendo mesmo depois da turne pois poderei ajudar meus alunos prinicpalmente com os cavaletes horriveis que encontramos nos instrumentos iniciantes em Cuiabá. Além disso as aulas me distraem um bocado, pois apesar de estarmos em uma região linda, com praias e termos feito concertos memoráveis como o que fizemos com o trio Carroça de mamulengo a saudade da minha noiva Carolyne, da família e de Cuiabá esta batendo cada vez mais forte. Valeu Zelito.
Olá estamos em Recife, após um dias de exaustiva gravação e volto a postar depois de vários dias passando por hoteis onde infelizmente o acesso a net era muito caro e o tempo cada vez mais curto com ensaios para a gravação. E justamente agora que achei uma lan perto do hotel esqueci a camera haha mas tudo bem, queria apenas falar sobre uma experiência interessante que estou tendo nesta segunda metade da viagem.
Nosso companheiro Joselito, além de violinista sempre se interessou por lutheria (profissão de quem faz instrumentos musicais)e, embora me disse que ultimamente não estava atuando como luthier continua se dedicando quando possível até mesmo na manutenção do seu próprio violino.
Conversando com ele perguntei se poderia me ensinar umas coisas básicas para que eu pudesse ajudar meus alunos do Projeto Ciranda, onde dou aula de violino, pois eu mesmo sempre tive problemas com instrumentos ruins ou mal regulados que sempre dificultam o aprendizado e as vezes impossibilitam o aluno a tirar um som realmente bonito do instrumento. Já vi meus alunos tocando com instrumentos empenados, com arcos empenados, crinas ruins, cavaletes tortos ou super grossos e ate vi alguns casos de estandartes de violino que simplesmente rachavam no meio sem esforço algum apenas pela pressão comum das cordas sobre ele.
Tudo isso seria mais simples se em Cuiabá tivessemos o serviço de lutheria e não tivéssemos que mandar nosso intrumento para outros estados para sua manutenção ou reparo como sempre tenho que fazer, gastando horrores para isso.
Joselito entao revelou-se um ótimo professor e ja me deu algumas ótmias aulas de como ajustar alma do violino, pestana, limpeza e principalmente como arrumar o cavalete do violino que é a peça de madeira que sustenta as cordas. Aliás, fiz meu primeiro cavalete com um bruto que comprei em Joãoi Pessoa e ja estou usando-o no meu violino desde então. Posso ter cometido alguns errinhos que o Joselito pacientemente corrigiu mas ainda ficou ótimo e melhor que o meu antigo que estava rachando.
De qualquer forma estou escrevendo para agradecer ao Joselito pela amizade e paciencia e espero continuar aprendendo mesmo depois da turne pois poderei ajudar meus alunos prinicpalmente com os cavaletes horriveis que encontramos nos instrumentos iniciantes em Cuiabá. Além disso as aulas me distraem um bocado, pois apesar de estarmos em uma região linda, com praias e termos feito concertos memoráveis como o que fizemos com o trio Carroça de mamulengo a saudade da minha noiva Carolyne, da família e de Cuiabá esta batendo cada vez mais forte. Valeu Zelito.
Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Teatro Santa Roza - João Pessoa (PB)

Carrinho de pipoca na porta do teatro é sempre um ótimo sinal!

O público de João Pessoa lotou o Teatro Santa Roza para assistir a Orquestra do Estado de Mato Grosso.

Paraíba nota 10!
(Leandro) Tudo deu certo na Paraíba! Produção nota 10, carinho e receptividade que trouxeram à tona todas as qualidades da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Fechamos o curto circuito (desculpem o ‘trocadalho’) da PB com chave de ouro, ontem em Campina Grande, com um concerto excelente. A Orquestra arrasou! Todos os músicos tocaram excepcionalmente bem e o espírito de grupo prevalesceu. O público que lotou o teatro do Sesc Centro, esparramando-se pelos corredores ou em pé no fundo da sala (fora muitas pessoas que infelizmente não conseguiram entrar por falta de espaço) reagiu com entusiasmo e alegria.
Em nome de toda a Orquestra, parabenizo o magnífico trabalho do Sesc Paraíba. O excelente Hotel que ficamos hospedados, os cuidados com as necessidades técnicas de palco (tudo de acordo com o mapa de palco da Orquestra), a qualidade dos técnicos dos teatros (sempre atenciosos e dispostos a fazer os ajustes necessários), a presença firme e constante dos técnicos do Sesc, a divulgação e o trabalho de comunicação impecáveis (que incluiu capa dos maiores jornais do Estado, a presença da Rede Globo de Televisão em ambos os concertos fazendo links ao vivo e gravação do concerto de Campina Grande na íntegra pela TV Itararé, parceira da TV Cultura de São Paulo para exibição do mesmo no próximo domingo às 20h), o lanche do camarim, feito com carinho e atenção e, pela primeira vez em todo o Sonora Brasil, reposto após o concerto, e a mobilização extensiva da comunidade, tudo isso fez da Paraíba, ao nosso ver, um ‘estado modelo’ no contexto do Projeto. Espero que este ‘know-how’, este profissionalismo possa ser reproduzido em todo o Brasil. Para não citar nomes e cometer injustiças, parabenizamos a todos os profissionais envolvidos na realização deste trabalho. Com certeza, quem mais ganhou com tudo isso foi o povo da Paraíba. Obrigado!
Em nome de toda a Orquestra, parabenizo o magnífico trabalho do Sesc Paraíba. O excelente Hotel que ficamos hospedados, os cuidados com as necessidades técnicas de palco (tudo de acordo com o mapa de palco da Orquestra), a qualidade dos técnicos dos teatros (sempre atenciosos e dispostos a fazer os ajustes necessários), a presença firme e constante dos técnicos do Sesc, a divulgação e o trabalho de comunicação impecáveis (que incluiu capa dos maiores jornais do Estado, a presença da Rede Globo de Televisão em ambos os concertos fazendo links ao vivo e gravação do concerto de Campina Grande na íntegra pela TV Itararé, parceira da TV Cultura de São Paulo para exibição do mesmo no próximo domingo às 20h), o lanche do camarim, feito com carinho e atenção e, pela primeira vez em todo o Sonora Brasil, reposto após o concerto, e a mobilização extensiva da comunidade, tudo isso fez da Paraíba, ao nosso ver, um ‘estado modelo’ no contexto do Projeto. Espero que este ‘know-how’, este profissionalismo possa ser reproduzido em todo o Brasil. Para não citar nomes e cometer injustiças, parabenizamos a todos os profissionais envolvidos na realização deste trabalho. Com certeza, quem mais ganhou com tudo isso foi o povo da Paraíba. Obrigado!
Sobre João Pessoa
(Zevang) Conheci esta cidade em 2001, por meio de um amigo, colega e agora afilhado que tem suas origens aqui e familiares que ainda aqui residem. Desde aquela época me impressionou a qualidade dos músicos locais, e, ao longo dos anos, a quantidade deles que "emigrou" para outros estados e países, levando sua competência a brilhar onde quer que estivessem.
Antes de tocarmos no Teatro Santa Roza (sim, é com "z" mesmo que está inscrito), passeando pelo lindo interior da sala de concerto (que pode ser vista em magnífica foto abaixo) me deparei com uma placa alusiva à criação da "Orquestra Sinfônica da Paraíba". Entre nomes de políticos e celebridades, destacou-se o ano de criação: 1945!
Depois de ver essa data estampada naquela placa, e lembrar-me que lá atrás em 2001 vi a excelente qualidade técnica dos músicos que aqui encontrei (fossem populares ou eruditos), pude constatar que isso não foi à toa. Tem uma razão de ser, calcada na insistência e na perseverança de um povo na direção de seus valores.
João Pessoa de Bobó do Oboé, de Radegundes do trombone, de Costinha do Fagote, de Tiago do violino, de Rodolfo do violoncelo, e de tantos outros que ainda hoje resistem em transmitir o brilho de sua música, de seus talentos, a uma população ávida por cultura. Um povo que parece saber o valor de sua história, e que, mesmo face às intempéries inevitáveis da política e da economia, exige que sua Orquestra Sinfônica perdure, e contribua ainda para a formação de contínuas gerações de excelentes músicos, exportados para todos os cantos.
Perguntei certo dia a meu amigo José Medeiros, o famoso Bobó, Como escolhera o oboé. Ao que ele simplesmente respondeu que não fora sua escolha, na verdade. Simples imposição de seu pai que escolheu por ele o instrumento, assim como o fizera para os outros filhos, Radegundes (trombone) e Costinha (fagote). Sabedoria de pai é assim. É igual à de um povo que sabe o que quer... :-)
Antes de tocarmos no Teatro Santa Roza (sim, é com "z" mesmo que está inscrito), passeando pelo lindo interior da sala de concerto (que pode ser vista em magnífica foto abaixo) me deparei com uma placa alusiva à criação da "Orquestra Sinfônica da Paraíba". Entre nomes de políticos e celebridades, destacou-se o ano de criação: 1945!
Depois de ver essa data estampada naquela placa, e lembrar-me que lá atrás em 2001 vi a excelente qualidade técnica dos músicos que aqui encontrei (fossem populares ou eruditos), pude constatar que isso não foi à toa. Tem uma razão de ser, calcada na insistência e na perseverança de um povo na direção de seus valores.
João Pessoa de Bobó do Oboé, de Radegundes do trombone, de Costinha do Fagote, de Tiago do violino, de Rodolfo do violoncelo, e de tantos outros que ainda hoje resistem em transmitir o brilho de sua música, de seus talentos, a uma população ávida por cultura. Um povo que parece saber o valor de sua história, e que, mesmo face às intempéries inevitáveis da política e da economia, exige que sua Orquestra Sinfônica perdure, e contribua ainda para a formação de contínuas gerações de excelentes músicos, exportados para todos os cantos.
Perguntei certo dia a meu amigo José Medeiros, o famoso Bobó, Como escolhera o oboé. Ao que ele simplesmente respondeu que não fora sua escolha, na verdade. Simples imposição de seu pai que escolheu por ele o instrumento, assim como o fizera para os outros filhos, Radegundes (trombone) e Costinha (fagote). Sabedoria de pai é assim. É igual à de um povo que sabe o que quer... :-)
Terça-feira, 8 de Julho de 2008
Onde o sol nasce primeiro

(Leandro) Estamos em João Pessoa, capital da Paraíba, município localizado no extremo oriente das Américas. Hospedamo-nos num ótimo hotel na praia de Tambaú, ideal para o grupo respirar aliviado depois de dias conturbados. A cidade é muito bonita, clima agradabilíssimo e grande parte do patrimônio histórico preservado. A sensação de ‘acolhimento’ foi imediata.
João Pessoa é tida como a terceira cidade mais antiga do Brasil, fundada em 1585. Fizemos o concerto no maravilhoso teatro Santa Roza, situado no centro antigo da cidade. A teatro estava lotadíssimo! Pessoas sentadas em todo o corredor e camarotes disputadíssimos. A Orquestra entrou no palco com vontade de fazer um concerto memorável. A cidade abriga uma das melhores orquestras do Brasil, a Orquestra Sinfônica da Paraíba, um bom curso de graduação em música na UFPB, e muitos grupos de câmara, como o Brassil e o Quinteto de Cordas da Paraíba, que são referência no Brasil e exterior. E não deu outra!
O calor do público contagiou imediatamente a Orquestra. O nível de concentração estava altíssimo (apesar do cansaço de 70 dias de viagem!) e a performance foi ótima. Um dos melhores concertos de todo o Sonora! Surpresa depois da apresentação ao rever amigos queridos como o maestro Luis Carlos Durier e o trombonista Radegundis Feitosa. Fui apresentado também a vários músicos da OSPB, com os quais terei a honra de trabalhar em setembro como maestro convidado. Uma noite inesquecível!
Crato (CE)
(Leandro) Escrever neste Blog tem-se tornado uma prática diária. O tempo exíguo que nos resta é sempre dedicado a organizar fotos e relatar os últimos acontecimentos. Quando não sobra tempo, acumulam-se emoções. As cidades vão se sobrepondo e as informações se fundindo em nosso imaginário. Tivemos pouco tempo depois de Juazeiro e Crato e, neste momento, depois de termos vivido fortes emoções em João Pessoa, retorno ao concerto de Crato para lembrar um encontro memorável com a Cia. Carroça de Mamulengos.
Conhecemos os artistas Beto, Maria e Antônio depois do concerto de Juazeiro. Fiquei muito impressionado com o que ouvi e com a energia que senti através dos olhares trocados. Eles são de uma família de artistas; pai, mãe, filhos e agregados escolheram Juazeiro pelo riqueza cultural. Poderiam se fixar em qualquer lugar (eles um ônibus-casa que dá liberdade para ir e vir). De lá, fazem arte para o mundo. Já participaram do ‘Palco Giratório’ e estão sempre envolvidos com projetos de itinerância. Vivem a tradição da cultura popular brasileira com plenitude. Os filhos mais novos não vão à escola tradicional. São ensinados, com disciplina e seriedade, pelos mais velhos. Todos os anos fazem provas nas escolas da rede pública para ‘validar’ o conhecimento adquirido (caso queiram, no futuro, cursar uma faculdade). Convidei-os para ‘abrir’ o concerto da Orquestra e tocar uma música conosco no final do concerto.
Antes do concerto, fizemos um ensaio relâmpago (apenas Luciano, Maria, Beto e eu). A idéia foi fazer o ‘Canto do Pagé’ de Villa-Lobos em ritmo de baião, com improvisos do Beto. Com a Orquestra posicionada, o trio apresentou 3 peças de autoria do próprio Beto. Foi demais! Todos emocionaram-se com a música que vinha da cumplicidade dos jovens artistas. O ‘Canto do Pagé’ funcionou muito bem e o público ‘veio a baixo’. Valeu! Um dos momentos mais especiais vividos até agora. Obrigado a Cia. Carroça de Mamulengos. Desejamos muito sucesso à vocês e que a chama mais pura e verdadeira do ‘fazer artístico’ possa continuar viva no coração do grupo, incendiando mentes e corações mundo afora.
Conhecemos os artistas Beto, Maria e Antônio depois do concerto de Juazeiro. Fiquei muito impressionado com o que ouvi e com a energia que senti através dos olhares trocados. Eles são de uma família de artistas; pai, mãe, filhos e agregados escolheram Juazeiro pelo riqueza cultural. Poderiam se fixar em qualquer lugar (eles um ônibus-casa que dá liberdade para ir e vir). De lá, fazem arte para o mundo. Já participaram do ‘Palco Giratório’ e estão sempre envolvidos com projetos de itinerância. Vivem a tradição da cultura popular brasileira com plenitude. Os filhos mais novos não vão à escola tradicional. São ensinados, com disciplina e seriedade, pelos mais velhos. Todos os anos fazem provas nas escolas da rede pública para ‘validar’ o conhecimento adquirido (caso queiram, no futuro, cursar uma faculdade). Convidei-os para ‘abrir’ o concerto da Orquestra e tocar uma música conosco no final do concerto.
Antes do concerto, fizemos um ensaio relâmpago (apenas Luciano, Maria, Beto e eu). A idéia foi fazer o ‘Canto do Pagé’ de Villa-Lobos em ritmo de baião, com improvisos do Beto. Com a Orquestra posicionada, o trio apresentou 3 peças de autoria do próprio Beto. Foi demais! Todos emocionaram-se com a música que vinha da cumplicidade dos jovens artistas. O ‘Canto do Pagé’ funcionou muito bem e o público ‘veio a baixo’. Valeu! Um dos momentos mais especiais vividos até agora. Obrigado a Cia. Carroça de Mamulengos. Desejamos muito sucesso à vocês e que a chama mais pura e verdadeira do ‘fazer artístico’ possa continuar viva no coração do grupo, incendiando mentes e corações mundo afora.
Segunda-feira, 7 de Julho de 2008
Orgulho de Mato Grosso...
Caros amigos,
Nem seria necessário ler os depoimentos de vocês para imaginar o rol de situações pelas quais ja passaram e ainda enfrentarão até o término desta verdadeira epopéia musical. Porém no transcorrer da leitura emocionei-me enormemente ao perceber a sensibilidade de cada um no lidar com as situações adversas e também com as favoráveis ao bom trabalho que todos vem desempenhando. Esta idiossincrasia torna-se algo extremamente favoravel e o conjunto de respostas que dai surgem, são cristalizadas na forma de algo quase "palpavel" que muitos chamam de "espírito de corpo" e que pode ser traduzida por aquela sensação que penso eu, o grupo todo sentiu, mas que tomou forma nas palavras do Carlos, quando alguns do grupo tiveram que ser deixados para trás.(... particularmente, foi difícil para mim viajar sem estas pessoas ... você acaba criando laços ... comentei até com um dos nossos colegas quando entramos no ônibus aqui em Porto Velho ... sabia que faltava algo .... e que bom que é assim ... que existe este comprometimento entre as pessoas do nosso grupo , da nossa família orquestra ...). Penso ser este o espírito, tamanha a demanda pela força (todas as forças) de vocês nesta empreitada. Emocionei-me também ao perceber que cada um de vocês pode entender com muita inteligência a importância do que estão realizando e que apesar de um ou outro problema a missão está sendo cumprida com entusiasmo, com consciência e com toda a seriedade que a meu ver nós artistas sempre precisamos ter perante nossa arte. Digo sem medo de errar que vocês estão entrando para a história da música erudita brasileira pela porta da frente..com a cabeça erguida e como vejo que vocês também acreditam nisso, penso que o mestre Villa se orgulha disso tudo. Por aqui, não me canso de falar às pessoas sobre vocês... Parabéns ao maestro Leandro pelo reconhecimento mais recente e parabéns a todos vocês!!! muita força sempre!!!
Murilo Alves
Nem seria necessário ler os depoimentos de vocês para imaginar o rol de situações pelas quais ja passaram e ainda enfrentarão até o término desta verdadeira epopéia musical. Porém no transcorrer da leitura emocionei-me enormemente ao perceber a sensibilidade de cada um no lidar com as situações adversas e também com as favoráveis ao bom trabalho que todos vem desempenhando. Esta idiossincrasia torna-se algo extremamente favoravel e o conjunto de respostas que dai surgem, são cristalizadas na forma de algo quase "palpavel" que muitos chamam de "espírito de corpo" e que pode ser traduzida por aquela sensação que penso eu, o grupo todo sentiu, mas que tomou forma nas palavras do Carlos, quando alguns do grupo tiveram que ser deixados para trás.(... particularmente, foi difícil para mim viajar sem estas pessoas ... você acaba criando laços ... comentei até com um dos nossos colegas quando entramos no ônibus aqui em Porto Velho ... sabia que faltava algo .... e que bom que é assim ... que existe este comprometimento entre as pessoas do nosso grupo , da nossa família orquestra ...). Penso ser este o espírito, tamanha a demanda pela força (todas as forças) de vocês nesta empreitada. Emocionei-me também ao perceber que cada um de vocês pode entender com muita inteligência a importância do que estão realizando e que apesar de um ou outro problema a missão está sendo cumprida com entusiasmo, com consciência e com toda a seriedade que a meu ver nós artistas sempre precisamos ter perante nossa arte. Digo sem medo de errar que vocês estão entrando para a história da música erudita brasileira pela porta da frente..com a cabeça erguida e como vejo que vocês também acreditam nisso, penso que o mestre Villa se orgulha disso tudo. Por aqui, não me canso de falar às pessoas sobre vocês... Parabéns ao maestro Leandro pelo reconhecimento mais recente e parabéns a todos vocês!!! muita força sempre!!!
Murilo Alves
Juazeiro do Norte (CE)
(Leandro) Juazeiro do Norte! Que noite especial! A surpresa começou com a apresentação da “Orquestra de Rabecas Sesc Cego Oliveira”, criada em 2002, que antecedeu a Orquestra do Estado de Mato Grosso, numa espécie de homenagem e apresentação do trabalho desenvolvido. Ela é composta por jovens da comunidade Pirajá e tem o objetivo de preservar o instrumento, incentivando as novas gerações a aprenderem seus segredos. A Orquestra se vale de um precioso conhecimento passado de pai para filho, seguindo uma tradição oral do Cariri. Seu idealizador e maestro, o violoncelista Francisco Di Freitas, batizou a Orquestra com o nome do mestre maior da rabeca. A apresentação emocionou a todos! Viva o Cariri!
Fotos de Juazeiro-CE
Vista noturna da Cidade de Juazeiro

Paróquia de Nossa Senhora das Dores

Imagem de Bronze do Padre Cícero (responsável pela emancipação e independencia de Juazeiro) - Foto tirada na Praça Cícero Romão Batista

Postado por Luciano Pontes (Spalla) - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Paróquia de Nossa Senhora das Dores
Imagem de Bronze do Padre Cícero (responsável pela emancipação e independencia de Juazeiro) - Foto tirada na Praça Cícero Romão Batista
Postado por Luciano Pontes (Spalla) - Orquestra do Estado de Mato Grosso
The North of Brazil
(Dave the wonder years)The last time I posted on the blog was in Palmas after a day at the beach with the lads. A lot has happened since then, then there was more.
After Palmas was our first loving visit to Porto Velho or "old port" as Henry VIII called it. What I love about this mountainous voyage of discovery is the huge variety of things and people you meet on the way. Porto Velho was for me a real eye opener. It's a cty of huge contrasts and diverse cultures and is in a state of perpetual development. SESC Porto Velho has a great octagonalised theatre that alows the perfomer to intimately connected with the public.They really appreciated our close presence and were quick to lap up the music. Well done to the production team even if they did a nice con job on the fifteen note entry fee.
After Porto Velho came Rio Branco, forty minutes by plane of twelve hours if you think its a beter idea to go via Brasilia.. I liked the Tacacá there and the city is really pretty with its arty re-developed centre and its quantity of snugs. I for one will be visiting on my way through to Columbia.
More to follow.
After Palmas was our first loving visit to Porto Velho or "old port" as Henry VIII called it. What I love about this mountainous voyage of discovery is the huge variety of things and people you meet on the way. Porto Velho was for me a real eye opener. It's a cty of huge contrasts and diverse cultures and is in a state of perpetual development. SESC Porto Velho has a great octagonalised theatre that alows the perfomer to intimately connected with the public.They really appreciated our close presence and were quick to lap up the music. Well done to the production team even if they did a nice con job on the fifteen note entry fee.
After Porto Velho came Rio Branco, forty minutes by plane of twelve hours if you think its a beter idea to go via Brasilia.. I liked the Tacacá there and the city is really pretty with its arty re-developed centre and its quantity of snugs. I for one will be visiting on my way through to Columbia.
More to follow.
Domingo, 6 de Julho de 2008
Concerto no Crato-CE
Foi uma emoção marcante o concerto da OEMT no Crato... Na noite anterior em Juazeiro, nós tivemos a oportunidade de conhecer dois integrantes da tradicionalíssima companhia ''Carroça de Mamulengos ''. Esta companhia é formada por uma família de 11 pessoas, que sempre viajaram pelo Brasil apresentando seus espetáculos que tem como base apresentações com Bonecos, teatro, circo e músicas, conseguindo assim agradar um público que abrange crianças e adultos. E foi ao final do nosso concerto em Juazeiro que conhecemos a Maria e o seu companheiro o músico Beto Lemos que fazem parte desta companhia aqui citada, e foi exatamente em uma conversa minha, com o Maestro Leandro Carvalho juntamente com a Maria e o Beto que surgiu uma brilhante idéia do nosso Maestro, devida a uma grande afinidade que houve entre nós durante a conversa, o Maestro decidiu convidar a Maria que tambem é musicista e contorcionista, seu companheiro Beto Lemos, e um terceiro integrante da companhia para fazer uma apresentação musical abrindo assim o concerto da OEMT em Juazeiro, e ao final do concerto todos se juntariam no palco e tocariam para o público o ''Canto do Pagé'' do Vila Lobos. E foi exatamente assim que tudo aconteceu... os tres Músicos da Companhia abriram o espetaculo daquela noite (Maria no acordeon, Beto na Rabeca, e Antonio na percussão), eles tocaram três músicas na abertura do concerto, e foi uma apresentação de encher os olhos de quem esteve por lá, simplesmente emocionante estar no nordeste, em pleno sertão nordestino e ter a oportunidade de ouvir música regional com tamanha qualidade; estes músicos estiveram afinadíssimos e com um entrosamento de causar inveja a qualquer um. Faço menção aqui à útima composição apresentada pelo trio em Crato, era uma composição de Beto Lemos, uma valsinha que segundo o próprio compositor descrevia a partida de um circo de uma cidade, mas era uma partida diferente, era uma partida que deixava para traz muita luminosidade e consequentimente saudade, assim descreveu Beto Lemos sobre sua composição, que nos fez recordar as composições do célebre compositor Italiano Nino Rota. Confidencio aqui a minha emoção ao ouvir o trio na noite do nosso concerto em Crato, durante aquela valsa executada com tom de despedida minha memória vagava entre a realidade de participar de uma tuné de tamanha responsabilidade e magnitude e a ardente saudade da minha família que está me esperando em Goiania de braços abertos e com muitas saudades, naquele momento eu realmente contive minhas emoções pois o nosso concerto ainda nem havia começado...(risos)...
Confesso aqui que esta emoção esteve presa até o terceiro movimento da Bachiana Brasileira número 04, onde nosso Vila Lobos deixou se valer da cantiga tradicional ''ó mana, deixa eu ir'' e escrevei todo o movimento baseando se neste famosa cantiga. No meio deste movimento aqui citado eu comecei a recordar-me do primeiro dia da nosso turnè naquele concerto didático no Rio de Janeiro, depois me recordei da nossa ansiedade em fazer o primeiro concerto oficial em Joinville-SC e começar logo desbravar o Brasil com a Música de Vila Lobos, me recordei tambem dos meus companheiros da orquestra fazendo planos dentro do avião para algumas cidades que eles desejavam muito conhecer, lembrei me também de uma parte do grupo se conhecendo no começo da turnè, pois alguns ainda nao se conheciam, lembrei-me tambem dos colegas anciosos esperando pelas duas esposas e namoradas que viriam durante a turné... por que não se lembrar também de um verso da letra da cantiga 'ó mana deixa eu ir':
''Ó, mana, deixa eu ir
ó, mana, eu vou só
ó, mana, deixa eu ir
para o sertão do Caicó''
... e por último eu lembrei-me da minha família, do meu pai que sempre me liga ancioso e curioso para saber das últimas novidades da turné, da minha mãe que sempre muito preocupada comigo, principalmene com a minha saúde, do meu irmão que sempre quer saber como estão os concertos, como é a aparencia de cada cidade por onde passamos, da minha namorada que sempre com muito carinho me apoia e compreende a importância para mim de estar em uma turnè com tamanha grandiosidade, e por último eu percebi o quanto estou juntamente com a OEMT contribuindo e sendo últil para o Brasil, pessoas que nunca tiveram a oportunidade de assistir a uma orquestra, pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir a música de Vila Lobos estão tendo a oportunidade única de conhecer este novo mundo para eles, confesso que neste momento meus olhos se encheram de lágrimas durante o terceiro movimento da Bachianas número 04, tentei me conter ao máximo para a emoção não afetar a performance, mas naquele momento eu nao senti mais o desgaste físco e nem o cansaço psicológico, a vontade era de levantar e gritar: ''EU SOU UM PRIVILEGIADO!! EU SOU UM PRIVILEGIADO!! VIVA O BRASIL!!!''.
Foi um momento que eu guardarei para a vida toda, ... simplesmente único!!! É uma sensação que eu nao consigo descreve-lá aos leitores deste blog, mas estou tentando compartilhá-la com vocês, então usem suas imaginações e coloquem-se no meu lugar...
LUCIANO PONTES - Spalla Orquestra do Estado de Mato Grosso
Confesso aqui que esta emoção esteve presa até o terceiro movimento da Bachiana Brasileira número 04, onde nosso Vila Lobos deixou se valer da cantiga tradicional ''ó mana, deixa eu ir'' e escrevei todo o movimento baseando se neste famosa cantiga. No meio deste movimento aqui citado eu comecei a recordar-me do primeiro dia da nosso turnè naquele concerto didático no Rio de Janeiro, depois me recordei da nossa ansiedade em fazer o primeiro concerto oficial em Joinville-SC e começar logo desbravar o Brasil com a Música de Vila Lobos, me recordei tambem dos meus companheiros da orquestra fazendo planos dentro do avião para algumas cidades que eles desejavam muito conhecer, lembrei me também de uma parte do grupo se conhecendo no começo da turnè, pois alguns ainda nao se conheciam, lembrei-me tambem dos colegas anciosos esperando pelas duas esposas e namoradas que viriam durante a turné... por que não se lembrar também de um verso da letra da cantiga 'ó mana deixa eu ir':
''Ó, mana, deixa eu ir
ó, mana, eu vou só
ó, mana, deixa eu ir
para o sertão do Caicó''
... e por último eu lembrei-me da minha família, do meu pai que sempre me liga ancioso e curioso para saber das últimas novidades da turné, da minha mãe que sempre muito preocupada comigo, principalmene com a minha saúde, do meu irmão que sempre quer saber como estão os concertos, como é a aparencia de cada cidade por onde passamos, da minha namorada que sempre com muito carinho me apoia e compreende a importância para mim de estar em uma turnè com tamanha grandiosidade, e por último eu percebi o quanto estou juntamente com a OEMT contribuindo e sendo últil para o Brasil, pessoas que nunca tiveram a oportunidade de assistir a uma orquestra, pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir a música de Vila Lobos estão tendo a oportunidade única de conhecer este novo mundo para eles, confesso que neste momento meus olhos se encheram de lágrimas durante o terceiro movimento da Bachianas número 04, tentei me conter ao máximo para a emoção não afetar a performance, mas naquele momento eu nao senti mais o desgaste físco e nem o cansaço psicológico, a vontade era de levantar e gritar: ''EU SOU UM PRIVILEGIADO!! EU SOU UM PRIVILEGIADO!! VIVA O BRASIL!!!''.
Foi um momento que eu guardarei para a vida toda, ... simplesmente único!!! É uma sensação que eu nao consigo descreve-lá aos leitores deste blog, mas estou tentando compartilhá-la com vocês, então usem suas imaginações e coloquem-se no meu lugar...
LUCIANO PONTES - Spalla Orquestra do Estado de Mato Grosso
Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Juazeiro do Norte (CE)

Já estamos em Juazeiro, terra onde Padre Cícero Romão Batista, nascido no Crato, fixou residência e se tornou pároco. Aqui existe um 'turismo religioso' impressionante! Milhares de pessoas chegam todos os dias para orar pelo 'Padim'.
Padre Cícero foi responsável pela emancipação e independência da cidade. Por conta do chamado "milagre de Juazeiro" (quando Padre Cícero deu a hóstia sagrada à beata Maria de Araújo, a hóstia se transformou em sangue), sua figura assumiu características místicas e passou a ser venerado pelo povo como um santo. Hoje a cidade é a segunda do Estado do CE e referência no Nordeste graças ao padre.
Sagu... !!!

(Fernando) Adoro sagu, e para minha surpresa (para não dizer alegria), esta sobremesa fez parte do “repertório” da maioria dos restaurantes do Sul do país! O pessoal da orquestra até já se diverte com o fato de eu preferi-lo ao invés de algo mais “refinado” como um creme brulée ou coisa do tipo, mas digo que, o meu apetite por ele vai muito além da mera degustação, é na verdade, uma apreciação ao saudosismo em relação à minha infância, e mais a fundo, ao significado da infância em geral.
O interessante em ser criança não esta em possuir privilégios em relação ao compromisso e a responsabilidade. Para mim, ser criança é ter um entusiasmo e uma capacidade de criação além do que o mundo perceptível pode oferecer. A criança cria para si uma realidade inatingível, possuí a exímia capacidade de sonhar!
Ao crescemos, bombardeados pela realidade que nos choca e pelo pragmatismo que a vida moderna nos exige, o ceticismo e a descrença tomam conta de nossas visões, e da maneira como fazemos o mundo para nós. Em síntese, a criação já não faz parte do vocabulário da maturidade.
O meu saudosismo, a procissão de fé em torno daquilo que acredito, não é uma apologia à “síndrome de Peter Pan”, e muito menos uma visão “sentimentalóide” típica dos “corações mole”. Para mim, a lição que deveríamos aprender, e apreender das crianças é exatamente esta incrível capacidade de criar – de gerar e desenvolver a cada dia nossas realidades sociais, de sonhar que poderemos ser melhores e produzir dentro daquilo que nos foi encarregado a realizar.
Para relembrar uma propaganda de folhas sulfite: “na vida cada um tem o seu papel”! Porém será que estamos mesmo cumprindo seriamente com o nosso papel?
Todo grande projeto é acompanhado de uma visão e missão. Dentro desta linha, o “Sonora Brasil” colocou para si o dever de educar e formar platéias em torno da música de concerto – de popularizar uma linguagem musical pouco acessível não só em termos de produção, como também em termos da linguagem em si.
Nem tudo pode ser “pop”, a arte fácil de ser aprendida! A música de concerto exige disciplina, perseverança, ela às vezes é rude, difícil de ser digerida, mas no final, revela um universo muito além do que a superfície pode mostrar, e muito mais do que efêmero e o casual podem garantir – é uma relação de eterna sinceridade e responsabilidade, e como diria o profeta, “quanto mais lhe for dado, mais lhe será cobrado”!
Dentre alegrias e tristezas, facilidades e dificuldades, nós da orquestra de Mato Grosso assumimos o papel de a cada dia desbravarmos o Brasil nesta incrível missão do “Sonora”, nesta jornada em torno da obra de Villa-Lobos e das diferentes regiões do país. Porém foi triste para mim observar que algumas realidades desta nossa nação deixaram em muito a desejar. Percebi que em alguns lugares vemos uma incrível confusão de papéis no enredo social, e ainda por cima, um completo descomprometimento com uma missão além daquela que envolve o próprio umbigo!
Passadas as regiões sul e centro oeste, a região norte do país se revelou a mais contrastante de todas em minha opinião, indo desde o crescimento “entusiasmado” de Palmas, Rio Branco e Boa Vista à triste realidade de Porto Velho e Macapá.
O SESC cumpriu com o seu dever, nós da OMT também, mas de que adianta um compromisso com o alimento intelectual se em alguns lugares ainda nem existe o mínimo necessário para a higiene pessoal do indivíduo?
Crescimento urbano desordenado por ausência de planejamento, constantes focos de insegurança para a população, falta de saneamento básico que abrange praticamente toda a zona urbana, déficit no atendimento básico de saúde, ausência de vaga nas escolas públicas municipais e estaduais, transporte coletivo mal dimensionado, são apenas um pequeno quadro da maioria das cidades da região norte do país. E de quem é a culpa?
A arte é apenas uma esfera da estrutura social total em que cada parte é integrante do todo. Uma mudança de postura intelectual em relação à música de concerto não depende apenas de nós músicos, e do projeto “Sonora Brasil”. Mudar uma realidade musical, e conseqüentemente social, é dever de cada individuo. É um trabalho insistente em torno de uma missão geral, de um objetivo comum, e acima de tudo, um compromisso com o ato de criar! Somos todos cúmplices do mesmo sucesso, ou insucesso, a questão então é se estamos dispostos a produzir esta nova realidade ou não!
O SESC (salvo algumas exceções de suas divisões regionais) provou que esta disposto, nós músicos (talvez pela natureza de nossa profissão), também estamos no mesmo vôo, mas e os outros?
Foi se o tempo em que o Brasil formou homens como o Barão de Rio Branco, Luis Carlos Prestes, ou, para citar no campo das artes, como Heitor Villa-Lobos, e enquanto o poeta continuar a “apontar a lua” e o “idiota mirar o dedo”, continuarei a sonhar que cada um de nós ainda caminhe em busca de seu papel, de suas atribuições, e num desvairo meu, a apreciar a cada dia o meu delicioso saudosismo em torno de uma simples sobremesa... viva o sagu!
Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Fotos - Sobral/CE
Vista noturna da fonte na entrada do Teatro da Ecoa

Vista noturna do parque na Beira Rio nas proximidades do Teatro da Ecoa

Postado por Luciano Pontes-spalla / ORQUESTRA DO ESTADO DE MT
Vista noturna do parque na Beira Rio nas proximidades do Teatro da Ecoa
Postado por Luciano Pontes-spalla / ORQUESTRA DO ESTADO DE MT
Concertos em Sobral e Iguatu
Sobral juntamente com Juazeiro e Crato, fazem o trio de cidades mais importantes do estado do Ceará, esta cidade é banhada pelo Rio Acaraú, e está localizada a 238 Km de Fortaleza, nosso concerto nesta cidade aconteceu no teatro da Ecoa que fica em um bonito lugar na beira rio, embora o teatro nao estava lotado, quem esteve por la pôde aprecisar a bela Música do grande Vila Lobos. Parabéns ao povo de Sobral pela bonita e organizada cidade!!!
A cidade de Iguatú situa-se no sertão central Cearense, Iguatú é uma cidade cercada por inúmeros lagos, e ela é banhada pelo pomposo Rio Jaguaribe.Nosso concerto nesta cidade aconteceu no auditório do Sesc local que estava quase cheio, aparentemente percebemos uma platéia um pouco fria, mas na verdade ela esta muito concentrada no concerto e sempre nos aplaudia com um calor muito especial, o que nos propiciou a possibilidade de realizar um exelente concero para o povo de Iguatú, mesmo com uma situação adversa encontrada pela OEMT, pois tivemos que fazer mais uma daquelas viajens longas e hiper cansativas de 07 horas de duraçao entre Sobral e Iguatú e ainda ter que enfrentar o palco no mesmo dia ... ... ...
Este concerto foi dedicado a um cidadão muito ilustre nascido na cidade no inicio do sec. passado... nosso grande e imortal MAESTRO ELEAZAR DE CARVALHO!! Que tanto contribuiu para nosso país, para o estado do Ceará, e para a música de Vila Lobos.. Viva nosso imortal MAESTRO ELEAZAR!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
A cidade de Iguatú situa-se no sertão central Cearense, Iguatú é uma cidade cercada por inúmeros lagos, e ela é banhada pelo pomposo Rio Jaguaribe.Nosso concerto nesta cidade aconteceu no auditório do Sesc local que estava quase cheio, aparentemente percebemos uma platéia um pouco fria, mas na verdade ela esta muito concentrada no concerto e sempre nos aplaudia com um calor muito especial, o que nos propiciou a possibilidade de realizar um exelente concero para o povo de Iguatú, mesmo com uma situação adversa encontrada pela OEMT, pois tivemos que fazer mais uma daquelas viajens longas e hiper cansativas de 07 horas de duraçao entre Sobral e Iguatú e ainda ter que enfrentar o palco no mesmo dia ... ... ...
Este concerto foi dedicado a um cidadão muito ilustre nascido na cidade no inicio do sec. passado... nosso grande e imortal MAESTRO ELEAZAR DE CARVALHO!! Que tanto contribuiu para nosso país, para o estado do Ceará, e para a música de Vila Lobos.. Viva nosso imortal MAESTRO ELEAZAR!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Iguatu (CE) Homenagem ao grande maestro Eleazar de Carvalho
(Leandro) Acabamos de fazer um concerto muito emocionante em Iguatu, dedicado à memoria do grande maestro Eleazar de Carvalho. A cidade é berço de grandes nomes da música brasileira como Humberto Teixeira e Evaldo Gouveia. Eleazar nasceu em Iguatu em 1912. A história de sua vida é repleta de sucessos e passagens cômicas, graças ao seu temperamento forte e, muitas vezes, irônico. Seu ingresso no mundo da música é lembrado ainda hoje pelos habitantes da sua cidade natal: ao reparar que os músicos da banda (quando servia à Marinha) tinham uma refeição melhor que os demais, não exitou em perguntar se havia vaga para mais um músico. Assim ele começou sua carreira como tubista! Dalí, conquistou o mundo, regendo importantes orquestras e recebendo inúmeros titulos honoris causa.
Villa-Lobos foi importante no início da vida profissional de Eleazar, escrevendo cartas de recomendação que endossaram o enorme talento deste cearense. Muitos anos depois, o próprio Eleazar foi também importante para a divulgação da obra de Villa-Lobos, sendo responsável por várias estréias e gravações.
Tive o privilégio de conviver com Eleazar desde minha infância até sua morte. A amizade de meus pais com o maestro e sua esposa Sônia Muniz, renomada pianista, se intensificou em função dos filhos: Sergei e eu estudamos juntos até a terceira série do primário, morávamos muito próximos e nascemos com poucos dias de diferença. Éramos como irmãos. Naquela época, nunca imaginei que me tornaria músico, muito menos maestro, e muito menos ainda que faria um concerto com a Orquestra do Estado de Mato Grosso em Iguatu. Eleazar foi muito importante na minha profissional tendo me convidado para ser solista da OSESP, quando era seu diretor artístico e eu tinha apenas 14 anos. Logo depois, foi graças a ele que cheguei até Turibio Santos, grande violonista e a pessoa mais importante em minha profissional. A convivência com Turibio foi marcante para a formação do meu caráter como homem e como artista.
Iguatu está bem desenvolvida e hoje conta com uma escola de música pública e a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, semestes plantadas por Sônia em parceria com a Prefeitura, Sesc e outras instituições locais. A Orquestra é composta por jovens entre 15 e 18 anos e regida pelo maestro José Carlos Mota Junior. Tem objetivo de estimular e descobrir novos talentos que terão muito mais oportunidades de crescimento que o próprio Eleazar. Fiquei impressionado ao chegar na cidade e ver um enorme outdoor com a foto da Orquestra! Ela é motivo de orgulho e contribui para a manutenção da memória deste grande brasileiro.
Amanhã de manhã seguimos para Juazeiro do Norte (CE).
Villa-Lobos foi importante no início da vida profissional de Eleazar, escrevendo cartas de recomendação que endossaram o enorme talento deste cearense. Muitos anos depois, o próprio Eleazar foi também importante para a divulgação da obra de Villa-Lobos, sendo responsável por várias estréias e gravações.
Tive o privilégio de conviver com Eleazar desde minha infância até sua morte. A amizade de meus pais com o maestro e sua esposa Sônia Muniz, renomada pianista, se intensificou em função dos filhos: Sergei e eu estudamos juntos até a terceira série do primário, morávamos muito próximos e nascemos com poucos dias de diferença. Éramos como irmãos. Naquela época, nunca imaginei que me tornaria músico, muito menos maestro, e muito menos ainda que faria um concerto com a Orquestra do Estado de Mato Grosso em Iguatu. Eleazar foi muito importante na minha profissional tendo me convidado para ser solista da OSESP, quando era seu diretor artístico e eu tinha apenas 14 anos. Logo depois, foi graças a ele que cheguei até Turibio Santos, grande violonista e a pessoa mais importante em minha profissional. A convivência com Turibio foi marcante para a formação do meu caráter como homem e como artista.
Iguatu está bem desenvolvida e hoje conta com uma escola de música pública e a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, semestes plantadas por Sônia em parceria com a Prefeitura, Sesc e outras instituições locais. A Orquestra é composta por jovens entre 15 e 18 anos e regida pelo maestro José Carlos Mota Junior. Tem objetivo de estimular e descobrir novos talentos que terão muito mais oportunidades de crescimento que o próprio Eleazar. Fiquei impressionado ao chegar na cidade e ver um enorme outdoor com a foto da Orquestra! Ela é motivo de orgulho e contribui para a manutenção da memória deste grande brasileiro.
Amanhã de manhã seguimos para Juazeiro do Norte (CE).
Sobral (CE)
(Leandro) Ontem nos apresentamos em Sobral (CE) no teatro da ECOA, uma espécie de complexo cultural nas margens no rio Acaraú. A cidade é a segunda mais importante do Estado e o berço da família Gomes, três irmãos que se destacaram na vida pública brasileira. Ciro foi Governador e prefeito de Fortaleza. Cid foi prefeito de Sobral por 8 anos e é o atual Governador. É terra também de Belchior e Renato Aragão, além de ser o município brasileiro com o maior número de sismos registrados.
Sobral tem uma escola de música pública com mais de 700 alunos! O teatro São José, que fica na praça central onde também está a escola, foi restaurado recentemente e está muito bonito. Sobral é agradável, tem várias praças bem arborizadas e um ‘passeio’ público às margens do rio, que traz qualidade de vida à população. Voltaremos para cá em outubro, quando nos apresentaremos no teatro São José dentro do projeto “Concertos pelo Brasil”, em comemoração aos 90 anos do Grupo Votorantim, um dos principais patrocinadores da Orquestra do Estado de Mato Grosso.
Sobral tem uma escola de música pública com mais de 700 alunos! O teatro São José, que fica na praça central onde também está a escola, foi restaurado recentemente e está muito bonito. Sobral é agradável, tem várias praças bem arborizadas e um ‘passeio’ público às margens do rio, que traz qualidade de vida à população. Voltaremos para cá em outubro, quando nos apresentaremos no teatro São José dentro do projeto “Concertos pelo Brasil”, em comemoração aos 90 anos do Grupo Votorantim, um dos principais patrocinadores da Orquestra do Estado de Mato Grosso.
Saúúúúúde ao Pedro!!!
Saúde é o que desejamos ao nosso ilustríssimo colega Pedro. ''Você faz muita falta aqui entre nós na OEMT, estamos todos anciosos e aguardando a sua plena recuperação, pois voce é um membro muito importante deste corpo chamado Orquestra do Estado de Mato Grosso. Então estamos anciosos pela sua chegada para que juntos possamos concluir esta desafiante empreitada que juntos começamos la no Rio de Janeiro, naquela tarde onde apresentamos aquele concerto didático.. RUMO A SALVADOR PEDRÃO!!! ''
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Matro Grosso
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Matro Grosso
Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
Cinco estrelas para a nossa querida violista Camilla Meireles.
Camlinha!! Voce merece cinco estrelinhas pelo concerto realizado em Manaus, pois sabíamos do seu estado de saúde que náo era favorável, mas voce brilhantemente e com extremo profissionalismo subiu ao palco para se apresentar junto a OEMT.. Cinco estrelinhas de ouro para voce Camila!!!! Bravíssimo pelo empenho!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Medalha de ouro para a produtora de Boa Vista (Karla)
É dicícil neste momento encontrar palavras para descrever o competente trabalho desta produtora, a única palavra que encontro para descrever o seu trabalho diretamente e indiretamente em torno da Orquestra do Estado de Mato Grosso é que voce foi simplesmente BRILHANTE!! MEDALHA DE OUTRO PARA VOCE!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO
LUCIANO PONTES-Spalla - ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO
Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira!!
Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira! Após a ausencia por motivo de força maior da nossa chefe de naipe dos segundos violinos (Alice Bev.), nosso caro Fernando aceitou a proposta de assumir a chefia dos segundos violinos no meio da turnè, neste momento eu o parabenizo pelo brilhante trabalho desenvolvido como chefe de naipe dos segundos violinos no tempo em que la esteve, pois eu sei o quanto é dificil chefiar um naipe, e ainda mais ter que assumi-lo no meio de uma grande turné. Diapasão de Ouro para você meu caro companheiro Fernando Pereira!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Braaaavíssimo João Paulo!!
Bravíssimo ao nosso querido violinista Joao Paulo, pois mesmo estando bastante enfermo, e tendo passado o dia 27 de Junho no hospital em Boa Vista devido a uma preocupante infecção alimentar, ele nao poupou esforços para se apresentar com a OEMT naquela noite. BRAVO pela atitude extremamente profissional meu caro João Paulo!!!!
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso
Fortaleza (CE)
(Leandro) Foi muito bom o concerto ontem em Fortaleza. O pequeno teatro do Sesc estava cheio e tivemos gratas surpresas. Revi alguns amigos como o maestro Márcio Landi e os músicos da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e conheci pessoalmente e várias pessoas que só conhecia por telefone, como grande fagostista Costinha. Fui apresentado ao maestro Arley França que desenvolve um belo trabalho com a Orquestra de Sopros de Pindoretama (quem quiser conhecer mais de perto o trabalho deles, o site é www.orquestrapindoretama.clic3.net). A Orquestra é formada por jovens talentosos e já tem uma história muito bonita de conquistas. Ficamos felizes com a presença de muitos destes jovens no concerto. Obrigado maestro Arley por sua iniciativa, que deu ontem um energia especial ao concerto. Obrigado também ao Sidney, técnico do Sesc, pelo ótimo trabalho realizado. Já estamos em Sobral (saímos as 08:30 da manhã) para um concerto ainda hoje às 19:30.
Ciranda das Sete Notas

O fagotista Alexandre dos Santos interpreta a Ciranda das Sete Notas, de Heitor Villa-Lobos, com a Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência do maestro Leandro Carvalho, em Fortaleza, Ceará.
Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Permanências e Ausências

(Carlos Gomes)
O concerto de Boa Vista foi realmente um sucesso. Não haviam lugares disponíveis para tanta gente( e olha que o auditório era bem grande) ... muitas cadeiras extras e gente sentada nas escadas , espalhadas em pé pelos corredores ... uma verdadeira aglomeração ansiosa em escutar a orquestra numa linda noite de sexta feira ... não precisa se dizer que o público nos acolheu de forma espetacular ... literalmente um “calor” e receptividade que engrandece a alma dos músicos e deixa uma excelente impressão deste extremo norte do nosso país.
Foi com esse espírito que desembarcamos em Manaus, afinal tratava-se da maior cidade da região , potência turística , dona de um dos mais espetaculares teatros de toda a América e casa de uma das grandes orquestras brasileiras ... uma verdadeira cidade cultural e com um público ouvinte formado. A programação do concerto para o distante bairro de Cidade Nova, particularmente vem de encontro com o principal objetivo do projeto Sonora Brasil que é a fomação de ouvintes, levar a orquestra para locais marginalizados e com pouco acesso a espetáculos desse cunho . Entretanto,para que esse objetivo se concretize é necessário que haja não só uma mobilização da comunidade por parte dos responsáveis em divulgar o concerto, mas também o entendimento da realidade social daqueles que ai vivem. O horário de 15 h do domingo ao meu ver se mostra completamente inviável . As pessoas costumam estar em suas casa neste período. Há também partidas de futebol sendo transmitidas pela TV , neste dia em especial havia a final da eurocopa. Do meu ponto de vista, me pareceria melhor um horário como o das 18 h quando o sol já estaria mais baixo e as pessoas poderiam chegar tranquilamente ao local e voltar cedo para suas casas ...não precisa se dizer que o público foi pequeno ... fica ai a sugestão!!!
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Passados mais de 2 meses de turnê fico me perguntando sobre o que permaneceu deste tempo todo ... às vezes nos encontramos distraídos mudando de cidade em cidade , fazendo de cada quarto nosso canto de refúgio provisório , encontrando prazer em olhar o novo , a vida diferente de cada local e das diferentes pessoas e não paramos para refletir ... deixamos muitas sementes por este país , algumas que renderão lindos ramos , flores , frutos , traduzidos em amizade e respeito que adquirimos das pessoas com as quais nos relacionamos e com as quais convivemos dia a dia . A ausência por mim sentida nestes dias não reflete a saudade de casa ou dos meus amigos , da minha família ... se traduz apenas pela figura querida do meu grande amigo Pedro ... a ausência da Primavera de Vivaldi dos finais dos concertos , das vozes do Silvio , do Go...(ele sabe quem é...rsrs) ... a simples ausência ...e que teremos que aceitar ao final desta empreitada ... ausência física que ameniza com a permanência do carinho , admiração, respeito e amizade que tenho e guardo para mim , e que se traduz agora indelével. Ampla recuperação a você amigo ... estamos aqui todos torcendo e te aguardando em Recife.
Segunda-feira, 30 de Junho de 2008
O desafio de formar 'ouvintes'
(Leandro) Peço desculpas desde já pelo tamanho deste texto. Concordo que ele não é adequado para um blog, que deve ser divertido, informativo e de rápida leitura. Não se incomodem com ele. Passem rápido para as fotos interessantíssimas que estão logo abaixo.
O desafio de formar ‘ouvintes’
Uma das principais motivações para a Orquestra do Estado de Mato Grosso participar do Sonora Brasil foi o alinhamento de objetivos de ambas iniciativas. No seu dia-a-dia, a Orquestra oferece ‘concertos didáticos’ em escolas da rede pública e privada, faz concertos no interior de Mato Grosso e busca uma abordagem ‘includente’ para os concertos realizados na capital. Em 2007, foram mais de 150.000 pessoas atingidas diretamente. Não é exagero. Os concertos realizados em praça pública nas belas cidades do interior do Estado reuniu, em média, 5.000 pessoas por concerto. O repertório não é apelativo, propondo misturas ‘baratas’ de música popular com erudita tendo como referências os modismos do momento. Muito pelo contrário. O desenvolvimento de um repertório novo, com a inclusão das violas de cocho, é feito com muito critério e tem como ‘ponta de lança’ as mais criativas cabeças da atualidade. Compositores de destaque vem escrevendo ininterruptamente para a Orquestra nos últimos 4 anos.
Esta rotina tem nos ensinado muito e agora, viajando pelo Brasil, percebo que os desafios para a ‘formação de ouvintes’ são os mesmos do cotidiano da Orquestra. Cada concerto, em cada cidade, em cada escola, exige uma estratégia diferente. ‘Formar público’ é um exercício de aprendizado diário que requer muita humildade. È preciso adentrar a realidade da comunidade que se quer atingir, atentando para a infinita complexidade do comportamento humano, que pode variar de bairro para bairro, em diferentes classes sociais, educacionais, em diferentes idades. O desafio é enorme e exige pessoas altamente qualificadas pensando nestas estratégias. Percebemos que o trabalho ‘em torno’ do concerto é, na maioria das vezes, muito maior e imperioso para que a própria atividade fim seja exitosa.
Em nossa experiência, as escolas da rede pública, por exemplo, exigem visitas prévias para conscientização e mobilização dos professores. Pela precariedade das condições, temos que prover cartazes, faixas, filipetas, além do kit multidisciplinar contendo livros, CDs e DVDs. Nas oficinas de capacitação, os professores aprendem como utilizar este conteúdo em sala de aula e passam meses preparando os alunos para viver a experiência do ‘concerto’. Na verdade, o concerto é apenas parte do processo. Em torno dele, a comunidade se mobiliza, se reconhece e afina laços de fraternidade. Os alunos motivam os pais, que motivam os colegas e vizinhos, para um encontro único no ambiente escolar. A escola sai fortalecida como centro comunitário, local de troca de valores simbólicos que deve ser protegido pelas pessoas que habitam seu entorno.
Nos mais de 20 municípios do interior de MT que a Orquestra já visitou, a estratégia é outra. É preciso envolver os poderes públicos locais, os clubes de serviços, os agentes mobilizadores (aquelas pessoas ‘descoladas’, que conhecem ‘todo mundo’ e que são formadores de opinião). Além disso, é preciso lançar mão de veículos pouco usuais aos grandes centros como carros de som e faixas. Não basta colocar no jornal. A verdade é que ‘ninguém’ lê jornal (ou uma parcela mínima da população). É preciso um local adequado, no horário adequado, sob o risco de se botar tudo a perder por um erro tolo como por exemplo marcar um concerto no horário da missa. São as idiossincrasias do local que devem ser respeitadas se temos a ‘pretensão’ de formar ouvintes.
Esse comentário sobre algumas de nossas linhas de atuação serve como preâmbulo para uma breve reflexão a respeito da experiência que vivemos em Manaus (AM). O concerto nesta capital, dentro da programação do Sonora Brasil, foi marcado para domingo, às 15:00, no Centro Cultural de Convivência da Família, construído recentemente pelo Governo do Estado, bairro Cidade Nova (em torno de 40 minutos do centro). De cara, desconfiamos da escolha. A justificativa parecia clara (“Não havia pauta no Teatro Amazonas”). Por desconhecer o trabalho prévio realizado no local, aceitei e esperei a hora da partida.
Não vou fazer aqui considerações sobre horários, camarim e outros pormenores técnicos como banco do contrabaixo e outros. Fá-los-ei em forma de relatório para o Depto Nacional do Sesc. Aqui, minha reflexão pretende ser de ‘utilidade pública’ e contribuir com a experiência de outros gestores, incluindo muitos técnicos do Sesc espalhados pelo Brasil que acompanham este blog assiduamente e vem elogiando os comentários críticos que fazemos ao longo da viagem.
Houve (se é que houve) pouquíssimo contato prévio com a comunidade do bairro. As pessoas não veem este centro de convivência como um local de realização de concertos ou outros espetáculos musicais desta natureza. A comunicação reduziu-se a duas ótimas matérias nos dois maiores jornais da cidade, sendo uma delas uma matéria de capa (Diário do Amazonas e A Crítica). Nada de rádio ou TV. O problema é que as pessoas do bairro ‘Cidade Alta’ não leem estes jornais. Os leitores dos mesmos nunca ouviram falar do local de realização do concerto. Mesmo que soubessem, dificilmente se deslocariam dos bairros centrais de Manaus para um concerto às 15:00 do domingo (horário em que todo brasileiro está em casa, com sua familia, no mínimo almoçando). Ressalvo que os ‘concertos sociais’ (denominação que inventamos ao longo do Sonora Brasil) são extremamente importantes e todos nós temos grande prazer em fazê-los. Este foi o caso de Santana, interior do Amapá, localidade afastada, sem recursos, com um dos piores IDHs do Brasil. Ou mesmo em Ceilândia. Nossos depoimentos neste blog são uma prova de nossa consciência sobre isso.
O resultado destas escolhas foi o menor público que a Orquestra teve no Sonora Brasil. Estavam lá algumas pessoas amigas dos músicos da Orquestra, alguns músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica (que farão o terceiro roteiro tocando a música de câmara de Villa-Lobos) e mais 7 faxineiras do centro comunitário que eu convidei pessoalmente e fiz questão absoluta da presença. Doeu na alma. O esforço é muito grande, muito investimento humano e financeiro, para um resultado tão aquém da potencialidade da ocasião. Vejam bem que estamos falando de Manaus, uma cidade com quase 2 milhões de habitantes (oitava maior cidade brasileira), que tem uma das melhores orquestras do país e realiza anualmente um dos maiores festivais de ópera do mundo!
Esta experiência amarga não pode, nem deve, passar em vão. È preciso tomar cuidado, atentar para a produção de um evento desta magnitude. Não se pode ‘desperdiçar’ uma orquestra desta maneira e nem um roteiro do Sonora Brasil. O trabalho de mobilização da comunidade, e mesmo de ‘preparo’ das pessoas, é parte fundamental do projeto e cabe às unidades regionais. São muitas as maneiras de realizar esta tarefa e cada um saberá as particularidades de sua cidade. Acima, mencionei nossa experiência em MT e em vários momentos deste blog, mencionei experiências exitosas empreendidas por técnicos do Sesc em vários estados. As estratégias, bem como os erros, devem ser compartilhados e absorvidos por aqueles que querem crescer e exercer sua profissão com esmero.
Por fim, enfatizo que a questão aqui é aprender com os erros (e isso não significa desmerecer ou diminuir todos os muitos acertos acontecidos até aqui). Devo sentir-me à vontade para expressar minhas idéias com o ÚNICO propósito de contribuir para o Sonora Brasil. Na verdade, sinto-me obrigado a isso. Desculpe-me. O convite para participar deste projeto significou, para mim, a realização de um antigo sonho. A admiração que tenho pelo Wagner Campos e pelos profissionais que atuam no Departamento Nacional do Sesc me impedem de ficar calado. Faz parte da maturidade de um profissional, ou mesmo de uma instituição, o exercício do contraditório, ouvir e fazer críticas para sair de um exercício intelectual mais fortalecido e consciente dos caminhos a serem seguidos. Espero que assim seja entre todos nós.
O desafio de formar ‘ouvintes’
Uma das principais motivações para a Orquestra do Estado de Mato Grosso participar do Sonora Brasil foi o alinhamento de objetivos de ambas iniciativas. No seu dia-a-dia, a Orquestra oferece ‘concertos didáticos’ em escolas da rede pública e privada, faz concertos no interior de Mato Grosso e busca uma abordagem ‘includente’ para os concertos realizados na capital. Em 2007, foram mais de 150.000 pessoas atingidas diretamente. Não é exagero. Os concertos realizados em praça pública nas belas cidades do interior do Estado reuniu, em média, 5.000 pessoas por concerto. O repertório não é apelativo, propondo misturas ‘baratas’ de música popular com erudita tendo como referências os modismos do momento. Muito pelo contrário. O desenvolvimento de um repertório novo, com a inclusão das violas de cocho, é feito com muito critério e tem como ‘ponta de lança’ as mais criativas cabeças da atualidade. Compositores de destaque vem escrevendo ininterruptamente para a Orquestra nos últimos 4 anos.
Esta rotina tem nos ensinado muito e agora, viajando pelo Brasil, percebo que os desafios para a ‘formação de ouvintes’ são os mesmos do cotidiano da Orquestra. Cada concerto, em cada cidade, em cada escola, exige uma estratégia diferente. ‘Formar público’ é um exercício de aprendizado diário que requer muita humildade. È preciso adentrar a realidade da comunidade que se quer atingir, atentando para a infinita complexidade do comportamento humano, que pode variar de bairro para bairro, em diferentes classes sociais, educacionais, em diferentes idades. O desafio é enorme e exige pessoas altamente qualificadas pensando nestas estratégias. Percebemos que o trabalho ‘em torno’ do concerto é, na maioria das vezes, muito maior e imperioso para que a própria atividade fim seja exitosa.
Em nossa experiência, as escolas da rede pública, por exemplo, exigem visitas prévias para conscientização e mobilização dos professores. Pela precariedade das condições, temos que prover cartazes, faixas, filipetas, além do kit multidisciplinar contendo livros, CDs e DVDs. Nas oficinas de capacitação, os professores aprendem como utilizar este conteúdo em sala de aula e passam meses preparando os alunos para viver a experiência do ‘concerto’. Na verdade, o concerto é apenas parte do processo. Em torno dele, a comunidade se mobiliza, se reconhece e afina laços de fraternidade. Os alunos motivam os pais, que motivam os colegas e vizinhos, para um encontro único no ambiente escolar. A escola sai fortalecida como centro comunitário, local de troca de valores simbólicos que deve ser protegido pelas pessoas que habitam seu entorno.
Nos mais de 20 municípios do interior de MT que a Orquestra já visitou, a estratégia é outra. É preciso envolver os poderes públicos locais, os clubes de serviços, os agentes mobilizadores (aquelas pessoas ‘descoladas’, que conhecem ‘todo mundo’ e que são formadores de opinião). Além disso, é preciso lançar mão de veículos pouco usuais aos grandes centros como carros de som e faixas. Não basta colocar no jornal. A verdade é que ‘ninguém’ lê jornal (ou uma parcela mínima da população). É preciso um local adequado, no horário adequado, sob o risco de se botar tudo a perder por um erro tolo como por exemplo marcar um concerto no horário da missa. São as idiossincrasias do local que devem ser respeitadas se temos a ‘pretensão’ de formar ouvintes.
Esse comentário sobre algumas de nossas linhas de atuação serve como preâmbulo para uma breve reflexão a respeito da experiência que vivemos em Manaus (AM). O concerto nesta capital, dentro da programação do Sonora Brasil, foi marcado para domingo, às 15:00, no Centro Cultural de Convivência da Família, construído recentemente pelo Governo do Estado, bairro Cidade Nova (em torno de 40 minutos do centro). De cara, desconfiamos da escolha. A justificativa parecia clara (“Não havia pauta no Teatro Amazonas”). Por desconhecer o trabalho prévio realizado no local, aceitei e esperei a hora da partida.
Não vou fazer aqui considerações sobre horários, camarim e outros pormenores técnicos como banco do contrabaixo e outros. Fá-los-ei em forma de relatório para o Depto Nacional do Sesc. Aqui, minha reflexão pretende ser de ‘utilidade pública’ e contribuir com a experiência de outros gestores, incluindo muitos técnicos do Sesc espalhados pelo Brasil que acompanham este blog assiduamente e vem elogiando os comentários críticos que fazemos ao longo da viagem.
Houve (se é que houve) pouquíssimo contato prévio com a comunidade do bairro. As pessoas não veem este centro de convivência como um local de realização de concertos ou outros espetáculos musicais desta natureza. A comunicação reduziu-se a duas ótimas matérias nos dois maiores jornais da cidade, sendo uma delas uma matéria de capa (Diário do Amazonas e A Crítica). Nada de rádio ou TV. O problema é que as pessoas do bairro ‘Cidade Alta’ não leem estes jornais. Os leitores dos mesmos nunca ouviram falar do local de realização do concerto. Mesmo que soubessem, dificilmente se deslocariam dos bairros centrais de Manaus para um concerto às 15:00 do domingo (horário em que todo brasileiro está em casa, com sua familia, no mínimo almoçando). Ressalvo que os ‘concertos sociais’ (denominação que inventamos ao longo do Sonora Brasil) são extremamente importantes e todos nós temos grande prazer em fazê-los. Este foi o caso de Santana, interior do Amapá, localidade afastada, sem recursos, com um dos piores IDHs do Brasil. Ou mesmo em Ceilândia. Nossos depoimentos neste blog são uma prova de nossa consciência sobre isso.
O resultado destas escolhas foi o menor público que a Orquestra teve no Sonora Brasil. Estavam lá algumas pessoas amigas dos músicos da Orquestra, alguns músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica (que farão o terceiro roteiro tocando a música de câmara de Villa-Lobos) e mais 7 faxineiras do centro comunitário que eu convidei pessoalmente e fiz questão absoluta da presença. Doeu na alma. O esforço é muito grande, muito investimento humano e financeiro, para um resultado tão aquém da potencialidade da ocasião. Vejam bem que estamos falando de Manaus, uma cidade com quase 2 milhões de habitantes (oitava maior cidade brasileira), que tem uma das melhores orquestras do país e realiza anualmente um dos maiores festivais de ópera do mundo!
Esta experiência amarga não pode, nem deve, passar em vão. È preciso tomar cuidado, atentar para a produção de um evento desta magnitude. Não se pode ‘desperdiçar’ uma orquestra desta maneira e nem um roteiro do Sonora Brasil. O trabalho de mobilização da comunidade, e mesmo de ‘preparo’ das pessoas, é parte fundamental do projeto e cabe às unidades regionais. São muitas as maneiras de realizar esta tarefa e cada um saberá as particularidades de sua cidade. Acima, mencionei nossa experiência em MT e em vários momentos deste blog, mencionei experiências exitosas empreendidas por técnicos do Sesc em vários estados. As estratégias, bem como os erros, devem ser compartilhados e absorvidos por aqueles que querem crescer e exercer sua profissão com esmero.
Por fim, enfatizo que a questão aqui é aprender com os erros (e isso não significa desmerecer ou diminuir todos os muitos acertos acontecidos até aqui). Devo sentir-me à vontade para expressar minhas idéias com o ÚNICO propósito de contribuir para o Sonora Brasil. Na verdade, sinto-me obrigado a isso. Desculpe-me. O convite para participar deste projeto significou, para mim, a realização de um antigo sonho. A admiração que tenho pelo Wagner Campos e pelos profissionais que atuam no Departamento Nacional do Sesc me impedem de ficar calado. Faz parte da maturidade de um profissional, ou mesmo de uma instituição, o exercício do contraditório, ouvir e fazer críticas para sair de um exercício intelectual mais fortalecido e consciente dos caminhos a serem seguidos. Espero que assim seja entre todos nós.
Homenagem do Alma de Gato
Prezado amigo Leandro,
Ao tomar conhecimento da notícia alvissareira que se espalhou pelo Brasil, dando conta de que reside entre nós um dos 10 maiores artistas da música erudita da década, nos enchemos de alegria e pleno orgulho, por você e por nossa gente.
É notório o valor de seu trabalho à frente da Orquestra do Estado de Mato Grosso, principalmente quando faz uso dele para levar a boa música aos recantos mais esquecidos do Estado e da capital. Mais importante que os excelentes concertos, sem dúvida, é o trabalho didático que é desenvolvido junto às crianças das escolas públicas. Seu projeto, mais que bonito, é necessário e imperioso para mudar e transformar a face cultural deste povo. É um dos projetos mais sérios que já se viu no âmbito cultural de Mato Grosso.
O destaque nacional, que ora você recebe, é mérito puro, conquistado com trabalho e qualidade artística de primeira grandeza; até porque, quem lhe outorga tamanha distinção é uma das mais sérias publicações de referência da música erudita no Brasil: o Anuário Viva Música 2008.
Não é fácil fazer música erudita no Centro-Oeste brasileiro, tão distante dos grandes centros, porém sua audácia, juventude, coragem e, sobretudo, talento, deram suporte a essa empreitada de vulto que hoje rende frutos e nos mostra um futuro bem melhor no cenário musical. Você nos serve de exemplo e o Grupo de Vozes Masculinas Alma de Gato se orgulha de já ter participado, a seu convite, de concertos memoráveis da Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob sua regência.
Parabéns, Leandro! Você é digno de todos os elogios e tomara que continue recebendo os apoios institucionais e governamentais para girar ainda mais esse projeto irradiador de culturas e saberes musicais. De parabéns está também o Governo do Estado de Mato Grosso e sua Secretaria de Cultura, por essa ampla visão no trato da música clássica e erudita. O grande vencedor é o povo mato-grossense.
O Alma de Gato soma-se aos demais cantores e músicos da nova geração, para aplaudir em pé o seu trabalho, que hoje eleva Mato Grosso entre os maiores e melhores centros produtores de música clássica e erudita do país.
Evoé, jovem artista!
Gilberto Nasser
(Em nome de todos os cantores do GVM Alma de Gato)
Ao tomar conhecimento da notícia alvissareira que se espalhou pelo Brasil, dando conta de que reside entre nós um dos 10 maiores artistas da música erudita da década, nos enchemos de alegria e pleno orgulho, por você e por nossa gente.
É notório o valor de seu trabalho à frente da Orquestra do Estado de Mato Grosso, principalmente quando faz uso dele para levar a boa música aos recantos mais esquecidos do Estado e da capital. Mais importante que os excelentes concertos, sem dúvida, é o trabalho didático que é desenvolvido junto às crianças das escolas públicas. Seu projeto, mais que bonito, é necessário e imperioso para mudar e transformar a face cultural deste povo. É um dos projetos mais sérios que já se viu no âmbito cultural de Mato Grosso.
O destaque nacional, que ora você recebe, é mérito puro, conquistado com trabalho e qualidade artística de primeira grandeza; até porque, quem lhe outorga tamanha distinção é uma das mais sérias publicações de referência da música erudita no Brasil: o Anuário Viva Música 2008.
Não é fácil fazer música erudita no Centro-Oeste brasileiro, tão distante dos grandes centros, porém sua audácia, juventude, coragem e, sobretudo, talento, deram suporte a essa empreitada de vulto que hoje rende frutos e nos mostra um futuro bem melhor no cenário musical. Você nos serve de exemplo e o Grupo de Vozes Masculinas Alma de Gato se orgulha de já ter participado, a seu convite, de concertos memoráveis da Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob sua regência.
Parabéns, Leandro! Você é digno de todos os elogios e tomara que continue recebendo os apoios institucionais e governamentais para girar ainda mais esse projeto irradiador de culturas e saberes musicais. De parabéns está também o Governo do Estado de Mato Grosso e sua Secretaria de Cultura, por essa ampla visão no trato da música clássica e erudita. O grande vencedor é o povo mato-grossense.
O Alma de Gato soma-se aos demais cantores e músicos da nova geração, para aplaudir em pé o seu trabalho, que hoje eleva Mato Grosso entre os maiores e melhores centros produtores de música clássica e erudita do país.
Evoé, jovem artista!
Gilberto Nasser
(Em nome de todos os cantores do GVM Alma de Gato)






























































































































































































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