quinta-feira, 3 de julho de 2008

Fotos - Sobral/CE

Vista noturna da fonte na entrada do Teatro da Ecoa







Vista noturna do parque na Beira Rio nas proximidades do Teatro da Ecoa







Postado por Luciano Pontes-spalla / ORQUESTRA DO ESTADO DE MT

Concertos em Sobral e Iguatu

Sobral juntamente com Juazeiro e Crato, fazem o trio de cidades mais importantes do estado do Ceará, esta cidade é banhada pelo Rio Acaraú, e está localizada a 238 Km de Fortaleza, nosso concerto nesta cidade aconteceu no teatro da Ecoa que fica em um bonito lugar na beira rio, embora o teatro nao estava lotado, quem esteve por la pôde aprecisar a bela Música do grande Vila Lobos. Parabéns ao povo de Sobral pela bonita e organizada cidade!!!



A cidade de Iguatú situa-se no sertão central Cearense, Iguatú é uma cidade cercada por inúmeros lagos, e ela é banhada pelo pomposo Rio Jaguaribe.Nosso concerto nesta cidade aconteceu no auditório do Sesc local que estava quase cheio, aparentemente percebemos uma platéia um pouco fria, mas na verdade ela esta muito concentrada no concerto e sempre nos aplaudia com um calor muito especial, o que nos propiciou a possibilidade de realizar um exelente concero para o povo de Iguatú, mesmo com uma situação adversa encontrada pela OEMT, pois tivemos que fazer mais uma daquelas viajens longas e hiper cansativas de 07 horas de duraçao entre Sobral e Iguatú e ainda ter que enfrentar o palco no mesmo dia ... ... ...
Este concerto foi dedicado a um cidadão muito ilustre nascido na cidade no inicio do sec. passado... nosso grande e imortal MAESTRO ELEAZAR DE CARVALHO!! Que tanto contribuiu para nosso país, para o estado do Ceará, e para a música de Vila Lobos.. Viva nosso imortal MAESTRO ELEAZAR!!



LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

Iguatu (CE) Teatro do Sesc



Iguatu (CE)

Iguatu (CE) Homenagem ao grande maestro Eleazar de Carvalho

(Leandro) Acabamos de fazer um concerto muito emocionante em Iguatu, dedicado à memoria do grande maestro Eleazar de Carvalho. A cidade é berço de grandes nomes da música brasileira como Humberto Teixeira e Evaldo Gouveia. Eleazar nasceu em Iguatu em 1912. A história de sua vida é repleta de sucessos e passagens cômicas, graças ao seu temperamento forte e, muitas vezes, irônico. Seu ingresso no mundo da música é lembrado ainda hoje pelos habitantes da sua cidade natal: ao reparar que os músicos da banda (quando servia à Marinha) tinham uma refeição melhor que os demais, não exitou em perguntar se havia vaga para mais um músico. Assim ele começou sua carreira como tubista! Dalí, conquistou o mundo, regendo importantes orquestras e recebendo inúmeros titulos honoris causa.

Villa-Lobos foi importante no início da vida profissional de Eleazar, escrevendo cartas de recomendação que endossaram o enorme talento deste cearense. Muitos anos depois, o próprio Eleazar foi também importante para a divulgação da obra de Villa-Lobos, sendo responsável por várias estréias e gravações.

Tive o privilégio de conviver com Eleazar desde minha infância até sua morte. A amizade de meus pais com o maestro e sua esposa Sônia Muniz, renomada pianista, se intensificou em função dos filhos: Sergei e eu estudamos juntos até a terceira série do primário, morávamos muito próximos e nascemos com poucos dias de diferença. Éramos como irmãos. Naquela época, nunca imaginei que me tornaria músico, muito menos maestro, e muito menos ainda que faria um concerto com a Orquestra do Estado de Mato Grosso em Iguatu. Eleazar foi muito importante na minha profissional tendo me convidado para ser solista da OSESP, quando era seu diretor artístico e eu tinha apenas 14 anos. Logo depois, foi graças a ele que cheguei até Turibio Santos, grande violonista e a pessoa mais importante em minha profissional. A convivência com Turibio foi marcante para a formação do meu caráter como homem e como artista.

Iguatu está bem desenvolvida e hoje conta com uma escola de música pública e a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, semestes plantadas por Sônia em parceria com a Prefeitura, Sesc e outras instituições locais. A Orquestra é composta por jovens entre 15 e 18 anos e regida pelo maestro José Carlos Mota Junior. Tem objetivo de estimular e descobrir novos talentos que terão muito mais oportunidades de crescimento que o próprio Eleazar. Fiquei impressionado ao chegar na cidade e ver um enorme outdoor com a foto da Orquestra! Ela é motivo de orgulho e contribui para a manutenção da memória deste grande brasileiro.

Amanhã de manhã seguimos para Juazeiro do Norte (CE).

Sobral (CE)

(Leandro) Ontem nos apresentamos em Sobral (CE) no teatro da ECOA, uma espécie de complexo cultural nas margens no rio Acaraú. A cidade é a segunda mais importante do Estado e o berço da família Gomes, três irmãos que se destacaram na vida pública brasileira. Ciro foi Governador e prefeito de Fortaleza. Cid foi prefeito de Sobral por 8 anos e é o atual Governador. É terra também de Belchior e Renato Aragão, além de ser o município brasileiro com o maior número de sismos registrados.

Sobral tem uma escola de música pública com mais de 700 alunos! O teatro São José, que fica na praça central onde também está a escola, foi restaurado recentemente e está muito bonito. Sobral é agradável, tem várias praças bem arborizadas e um ‘passeio’ público às margens do rio, que traz qualidade de vida à população. Voltaremos para cá em outubro, quando nos apresentaremos no teatro São José dentro do projeto “Concertos pelo Brasil”, em comemoração aos 90 anos do Grupo Votorantim, um dos principais patrocinadores da Orquestra do Estado de Mato Grosso.

Saúúúúúde ao Pedro!!!

Saúde é o que desejamos ao nosso ilustríssimo colega Pedro. ''Você faz muita falta aqui entre nós na OEMT, estamos todos anciosos e aguardando a sua plena recuperação, pois voce é um membro muito importante deste corpo chamado Orquestra do Estado de Mato Grosso. Então estamos anciosos pela sua chegada para que juntos possamos concluir esta desafiante empreitada que juntos começamos la no Rio de Janeiro, naquela tarde onde apresentamos aquele concerto didático.. RUMO A SALVADOR PEDRÃO!!! ''




LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Matro Grosso

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cinco estrelas para a nossa querida violista Camilla Meireles.

Camlinha!! Voce merece cinco estrelinhas pelo concerto realizado em Manaus, pois sabíamos do seu estado de saúde que náo era favorável, mas voce brilhantemente e com extremo profissionalismo subiu ao palco para se apresentar junto a OEMT.. Cinco estrelinhas de ouro para voce Camila!!!! Bravíssimo pelo empenho!!!


LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

Medalha de ouro para a produtora de Boa Vista (Karla)

É dicícil neste momento encontrar palavras para descrever o competente trabalho desta produtora, a única palavra que encontro para descrever o seu trabalho diretamente e indiretamente em torno da Orquestra do Estado de Mato Grosso é que voce foi simplesmente BRILHANTE!! MEDALHA DE OUTRO PARA VOCE!!!





LUCIANO PONTES-Spalla - ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO

Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira!!

Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira! Após a ausencia por motivo de força maior da nossa chefe de naipe dos segundos violinos (Alice Bev.), nosso caro Fernando aceitou a proposta de assumir a chefia dos segundos violinos no meio da turnè, neste momento eu o parabenizo pelo brilhante trabalho desenvolvido como chefe de naipe dos segundos violinos no tempo em que la esteve, pois eu sei o quanto é dificil chefiar um naipe, e ainda mais ter que assumi-lo no meio de uma grande turné. Diapasão de Ouro para você meu caro companheiro Fernando Pereira!!!




LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

Braaaavíssimo João Paulo!!

Bravíssimo ao nosso querido violinista Joao Paulo, pois mesmo estando bastante enfermo, e tendo passado o dia 27 de Junho no hospital em Boa Vista devido a uma preocupante infecção alimentar, ele nao poupou esforços para se apresentar com a OEMT naquela noite. BRAVO pela atitude extremamente profissional meu caro João Paulo!!!!


LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

A caminho de Sobral

Fortaleza (CE)

(Leandro) Foi muito bom o concerto ontem em Fortaleza. O pequeno teatro do Sesc estava cheio e tivemos gratas surpresas. Revi alguns amigos como o maestro Márcio Landi e os músicos da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e conheci pessoalmente e várias pessoas que só conhecia por telefone, como grande fagostista Costinha. Fui apresentado ao maestro Arley França que desenvolve um belo trabalho com a Orquestra de Sopros de Pindoretama (quem quiser conhecer mais de perto o trabalho deles, o site é www.orquestrapindoretama.clic3.net). A Orquestra é formada por jovens talentosos e já tem uma história muito bonita de conquistas. Ficamos felizes com a presença de muitos destes jovens no concerto. Obrigado maestro Arley por sua iniciativa, que deu ontem um energia especial ao concerto. Obrigado também ao Sidney, técnico do Sesc, pelo ótimo trabalho realizado. Já estamos em Sobral (saímos as 08:30 da manhã) para um concerto ainda hoje às 19:30.

Fortaleza (CE) Teatro Sesc Emiliano Queiroz

Ciranda das Sete Notas



O fagotista Alexandre dos Santos interpreta a Ciranda das Sete Notas, de Heitor Villa-Lobos, com a Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência do maestro Leandro Carvalho, em Fortaleza, Ceará.

Já estamos no Ceará!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Permanências e Ausências


(Carlos Gomes)

O concerto de Boa Vista foi realmente um sucesso. Não haviam lugares disponíveis para tanta gente( e olha que o auditório era bem grande) ... muitas cadeiras extras e gente sentada nas escadas , espalhadas em pé pelos corredores ... uma verdadeira aglomeração ansiosa em escutar a orquestra numa linda noite de sexta feira ... não precisa se dizer que o público nos acolheu de forma espetacular ... literalmente um “calor” e receptividade que engrandece a alma dos músicos e deixa uma excelente impressão deste extremo norte do nosso país.
Foi com esse espírito que desembarcamos em Manaus, afinal tratava-se da maior cidade da região , potência turística , dona de um dos mais espetaculares teatros de toda a América e casa de uma das grandes orquestras brasileiras ... uma verdadeira cidade cultural e com um público ouvinte formado. A programação do concerto para o distante bairro de Cidade Nova, particularmente vem de encontro com o principal objetivo do projeto Sonora Brasil que é a fomação de ouvintes, levar a orquestra para locais marginalizados e com pouco acesso a espetáculos desse cunho . Entretanto,para que esse objetivo se concretize é necessário que haja não só uma mobilização da comunidade por parte dos responsáveis em divulgar o concerto, mas também o entendimento da realidade social daqueles que ai vivem. O horário de 15 h do domingo ao meu ver se mostra completamente inviável . As pessoas costumam estar em suas casa neste período. Há também partidas de futebol sendo transmitidas pela TV , neste dia em especial havia a final da eurocopa. Do meu ponto de vista, me pareceria melhor um horário como o das 18 h quando o sol já estaria mais baixo e as pessoas poderiam chegar tranquilamente ao local e voltar cedo para suas casas ...não precisa se dizer que o público foi pequeno ... fica ai a sugestão!!!

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Passados mais de 2 meses de turnê fico me perguntando sobre o que permaneceu deste tempo todo ... às vezes nos encontramos distraídos mudando de cidade em cidade , fazendo de cada quarto nosso canto de refúgio provisório , encontrando prazer em olhar o novo , a vida diferente de cada local e das diferentes pessoas e não paramos para refletir ... deixamos muitas sementes por este país , algumas que renderão lindos ramos , flores , frutos , traduzidos em amizade e respeito que adquirimos das pessoas com as quais nos relacionamos e com as quais convivemos dia a dia . A ausência por mim sentida nestes dias não reflete a saudade de casa ou dos meus amigos , da minha família ... se traduz apenas pela figura querida do meu grande amigo Pedro ... a ausência da Primavera de Vivaldi dos finais dos concertos , das vozes do Silvio , do Go...(ele sabe quem é...rsrs) ... a simples ausência ...e que teremos que aceitar ao final desta empreitada ... ausência física que ameniza com a permanência do carinho , admiração, respeito e amizade que tenho e guardo para mim , e que se traduz agora indelével. Ampla recuperação a você amigo ... estamos aqui todos torcendo e te aguardando em Recife.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O desafio de formar 'ouvintes'

(Leandro) Peço desculpas desde já pelo tamanho deste texto. Concordo que ele não é adequado para um blog, que deve ser divertido, informativo e de rápida leitura. Não se incomodem com ele. Passem rápido para as fotos interessantíssimas que estão logo abaixo.

O desafio de formar ‘ouvintes’

Uma das principais motivações para a Orquestra do Estado de Mato Grosso participar do Sonora Brasil foi o alinhamento de objetivos de ambas iniciativas. No seu dia-a-dia, a Orquestra oferece ‘concertos didáticos’ em escolas da rede pública e privada, faz concertos no interior de Mato Grosso e busca uma abordagem ‘includente’ para os concertos realizados na capital. Em 2007, foram mais de 150.000 pessoas atingidas diretamente. Não é exagero. Os concertos realizados em praça pública nas belas cidades do interior do Estado reuniu, em média, 5.000 pessoas por concerto. O repertório não é apelativo, propondo misturas ‘baratas’ de música popular com erudita tendo como referências os modismos do momento. Muito pelo contrário. O desenvolvimento de um repertório novo, com a inclusão das violas de cocho, é feito com muito critério e tem como ‘ponta de lança’ as mais criativas cabeças da atualidade. Compositores de destaque vem escrevendo ininterruptamente para a Orquestra nos últimos 4 anos.

Esta rotina tem nos ensinado muito e agora, viajando pelo Brasil, percebo que os desafios para a ‘formação de ouvintes’ são os mesmos do cotidiano da Orquestra. Cada concerto, em cada cidade, em cada escola, exige uma estratégia diferente. ‘Formar público’ é um exercício de aprendizado diário que requer muita humildade. È preciso adentrar a realidade da comunidade que se quer atingir, atentando para a infinita complexidade do comportamento humano, que pode variar de bairro para bairro, em diferentes classes sociais, educacionais, em diferentes idades. O desafio é enorme e exige pessoas altamente qualificadas pensando nestas estratégias. Percebemos que o trabalho ‘em torno’ do concerto é, na maioria das vezes, muito maior e imperioso para que a própria atividade fim seja exitosa.

Em nossa experiência, as escolas da rede pública, por exemplo, exigem visitas prévias para conscientização e mobilização dos professores. Pela precariedade das condições, temos que prover cartazes, faixas, filipetas, além do kit multidisciplinar contendo livros, CDs e DVDs. Nas oficinas de capacitação, os professores aprendem como utilizar este conteúdo em sala de aula e passam meses preparando os alunos para viver a experiência do ‘concerto’. Na verdade, o concerto é apenas parte do processo. Em torno dele, a comunidade se mobiliza, se reconhece e afina laços de fraternidade. Os alunos motivam os pais, que motivam os colegas e vizinhos, para um encontro único no ambiente escolar. A escola sai fortalecida como centro comunitário, local de troca de valores simbólicos que deve ser protegido pelas pessoas que habitam seu entorno.

Nos mais de 20 municípios do interior de MT que a Orquestra já visitou, a estratégia é outra. É preciso envolver os poderes públicos locais, os clubes de serviços, os agentes mobilizadores (aquelas pessoas ‘descoladas’, que conhecem ‘todo mundo’ e que são formadores de opinião). Além disso, é preciso lançar mão de veículos pouco usuais aos grandes centros como carros de som e faixas. Não basta colocar no jornal. A verdade é que ‘ninguém’ lê jornal (ou uma parcela mínima da população). É preciso um local adequado, no horário adequado, sob o risco de se botar tudo a perder por um erro tolo como por exemplo marcar um concerto no horário da missa. São as idiossincrasias do local que devem ser respeitadas se temos a ‘pretensão’ de formar ouvintes.

Esse comentário sobre algumas de nossas linhas de atuação serve como preâmbulo para uma breve reflexão a respeito da experiência que vivemos em Manaus (AM). O concerto nesta capital, dentro da programação do Sonora Brasil, foi marcado para domingo, às 15:00, no Centro Cultural de Convivência da Família, construído recentemente pelo Governo do Estado, bairro Cidade Nova (em torno de 40 minutos do centro). De cara, desconfiamos da escolha. A justificativa parecia clara (“Não havia pauta no Teatro Amazonas”). Por desconhecer o trabalho prévio realizado no local, aceitei e esperei a hora da partida.

Não vou fazer aqui considerações sobre horários, camarim e outros pormenores técnicos como banco do contrabaixo e outros. Fá-los-ei em forma de relatório para o Depto Nacional do Sesc. Aqui, minha reflexão pretende ser de ‘utilidade pública’ e contribuir com a experiência de outros gestores, incluindo muitos técnicos do Sesc espalhados pelo Brasil que acompanham este blog assiduamente e vem elogiando os comentários críticos que fazemos ao longo da viagem.

Houve (se é que houve) pouquíssimo contato prévio com a comunidade do bairro. As pessoas não veem este centro de convivência como um local de realização de concertos ou outros espetáculos musicais desta natureza. A comunicação reduziu-se a duas ótimas matérias nos dois maiores jornais da cidade, sendo uma delas uma matéria de capa (Diário do Amazonas e A Crítica). Nada de rádio ou TV. O problema é que as pessoas do bairro ‘Cidade Alta’ não leem estes jornais. Os leitores dos mesmos nunca ouviram falar do local de realização do concerto. Mesmo que soubessem, dificilmente se deslocariam dos bairros centrais de Manaus para um concerto às 15:00 do domingo (horário em que todo brasileiro está em casa, com sua familia, no mínimo almoçando). Ressalvo que os ‘concertos sociais’ (denominação que inventamos ao longo do Sonora Brasil) são extremamente importantes e todos nós temos grande prazer em fazê-los. Este foi o caso de Santana, interior do Amapá, localidade afastada, sem recursos, com um dos piores IDHs do Brasil. Ou mesmo em Ceilândia. Nossos depoimentos neste blog são uma prova de nossa consciência sobre isso.

O resultado destas escolhas foi o menor público que a Orquestra teve no Sonora Brasil. Estavam lá algumas pessoas amigas dos músicos da Orquestra, alguns músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica (que farão o terceiro roteiro tocando a música de câmara de Villa-Lobos) e mais 7 faxineiras do centro comunitário que eu convidei pessoalmente e fiz questão absoluta da presença. Doeu na alma. O esforço é muito grande, muito investimento humano e financeiro, para um resultado tão aquém da potencialidade da ocasião. Vejam bem que estamos falando de Manaus, uma cidade com quase 2 milhões de habitantes (oitava maior cidade brasileira), que tem uma das melhores orquestras do país e realiza anualmente um dos maiores festivais de ópera do mundo!

Esta experiência amarga não pode, nem deve, passar em vão. È preciso tomar cuidado, atentar para a produção de um evento desta magnitude. Não se pode ‘desperdiçar’ uma orquestra desta maneira e nem um roteiro do Sonora Brasil. O trabalho de mobilização da comunidade, e mesmo de ‘preparo’ das pessoas, é parte fundamental do projeto e cabe às unidades regionais. São muitas as maneiras de realizar esta tarefa e cada um saberá as particularidades de sua cidade. Acima, mencionei nossa experiência em MT e em vários momentos deste blog, mencionei experiências exitosas empreendidas por técnicos do Sesc em vários estados. As estratégias, bem como os erros, devem ser compartilhados e absorvidos por aqueles que querem crescer e exercer sua profissão com esmero.

Por fim, enfatizo que a questão aqui é aprender com os erros (e isso não significa desmerecer ou diminuir todos os muitos acertos acontecidos até aqui). Devo sentir-me à vontade para expressar minhas idéias com o ÚNICO propósito de contribuir para o Sonora Brasil. Na verdade, sinto-me obrigado a isso. Desculpe-me. O convite para participar deste projeto significou, para mim, a realização de um antigo sonho. A admiração que tenho pelo Wagner Campos e pelos profissionais que atuam no Departamento Nacional do Sesc me impedem de ficar calado. Faz parte da maturidade de um profissional, ou mesmo de uma instituição, o exercício do contraditório, ouvir e fazer críticas para sair de um exercício intelectual mais fortalecido e consciente dos caminhos a serem seguidos. Espero que assim seja entre todos nós.

Homenagem do Alma de Gato

Prezado amigo Leandro,

Ao tomar conhecimento da notícia alvissareira que se espalhou pelo Brasil, dando conta de que reside entre nós um dos 10 maiores artistas da música erudita da década, nos enchemos de alegria e pleno orgulho, por você e por nossa gente.

É notório o valor de seu trabalho à frente da Orquestra do Estado de Mato Grosso, principalmente quando faz uso dele para levar a boa música aos recantos mais esquecidos do Estado e da capital. Mais importante que os excelentes concertos, sem dúvida, é o trabalho didático que é desenvolvido junto às crianças das escolas públicas. Seu projeto, mais que bonito, é necessário e imperioso para mudar e transformar a face cultural deste povo. É um dos projetos mais sérios que já se viu no âmbito cultural de Mato Grosso.

O destaque nacional, que ora você recebe, é mérito puro, conquistado com trabalho e qualidade artística de primeira grandeza; até porque, quem lhe outorga tamanha distinção é uma das mais sérias publicações de referência da música erudita no Brasil: o Anuário Viva Música 2008.

Não é fácil fazer música erudita no Centro-Oeste brasileiro, tão distante dos grandes centros, porém sua audácia, juventude, coragem e, sobretudo, talento, deram suporte a essa empreitada de vulto que hoje rende frutos e nos mostra um futuro bem melhor no cenário musical. Você nos serve de exemplo e o Grupo de Vozes Masculinas Alma de Gato se orgulha de já ter participado, a seu convite, de concertos memoráveis da Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob sua regência.

Parabéns, Leandro! Você é digno de todos os elogios e tomara que continue recebendo os apoios institucionais e governamentais para girar ainda mais esse projeto irradiador de culturas e saberes musicais. De parabéns está também o Governo do Estado de Mato Grosso e sua Secretaria de Cultura, por essa ampla visão no trato da música clássica e erudita. O grande vencedor é o povo mato-grossense.

O Alma de Gato soma-se aos demais cantores e músicos da nova geração, para aplaudir em pé o seu trabalho, que hoje eleva Mato Grosso entre os maiores e melhores centros produtores de música clássica e erudita do país.

Evoé, jovem artista!

Gilberto Nasser
(Em nome de todos os cantores do GVM Alma de Gato)

Lua cheia no Rio Amazonas