domingo, 13 de julho de 2008

Um pouco sobre ''Os Karipunas''.

Os Karipunas foram índios que viveram entre a parte norte da região centro oeste e norte do Brasil, entre os lugares onde foram registrados a presença de aglomerações Karipunas destacam-se o estado de Roraima, sul do Amazonas e norte de Mato Grosso. Estes índios eram prodigiosos na caça e na pesca; segundo os registros históricos, a chegada do ciclo da borracha no início do sec. XX e da ferrovia Madeira-Mamoré, podem ser apontados por grandes historiadores como o marco inicial de mortes e invasões ao território dos Karipunas, marcando assim com epidemias e grandes percas culturais a vida deste povo durante o sec. XX, hoje eles possuem sua própria Terra Indígena e procuram protegê-la das constantes invasões de madeireiros, caçadores, pescadores e posseiros. Os Karipunas ainda cultuam um ritual que se perpetua por muitas décadas, este ritual relaciona-se com o destino da alma do Karipunas após a morte, em um ritual eles incorporam um personagem “jesús” (purejapi’nã) como o espírito (anhãgá, que é um predador que ao devorar o coração do humano, consuma a sua passagem para o “céu” (ywagá). Este lugar segundo os Karipunas é onde vivem as almas e é quase igual à vida na terra, la eles podem usufruir da caça e da pesca, mas ali eles so tem acesso a arcos e flechas pois segundo os Karipunas por la nao existem espingardas. Ali também eles podem casar-se, mas não obedecem as regras de casamento: “lá no céu é igual aqui, mas estar por aqui é melhor” (palavras do índio Karipuna ''Aripã''). E foram estes índios místicos que inspiraram nosso grande Villa Lobos a compor o conjunto de peças místicas conhecidas como ''As três danças características africanas''(obras executadas pela OEMT durante a turnè), pois os Karipunas tiveram contato com os negros escravos que eram capturados pelos Portugueses na África, e 40% deles eram enviados para o Brasil para realizarem o trabaho forçado na era do açucar, e a cultura africana refletiu diretamente na cultura Karipuna, e segundo os historiadores durante a viajem que Villa Lobos fez pelo Brasil, colhendo canções, cantigas, melodias e rítmos para posteriormente inseri-los em suas obras, ele teve contato com esta tribo mística de índios que o serviu como fonte inspiradora.


Abaixo estão algumas fotos de índios da tribo Karipuna durante a primeira metade do sec. XX.











Postado por Luciano Pontes-Spalla . Orquestra do Estado de Mato Grosso

sábado, 12 de julho de 2008

São Lourenço da Mata (PE)

(Leandro) Foi surreal. Descemos do ônibus em frente à Capela de Santo Antonio, local do concerto, onde se podia ouvir Mozart em alto e bom som. O Pe. Pedro tem o hábito de colocar música clássica em dezenas de auto-falantes espalhados pelo lado de fora da Igreja. Pode-se ouvir a música a várias quadras de distância. As bandeirinhas indicavam uma noite especial. O povo de São Lourenço da Mata já vinha chegando para o concerto enquanto a equipe do Sesc nos recebia carinhosamente com um verdadeiro ‘banquete’ no camarim. Ficamos verdadeiramente ‘tocados’ com tudo. Disse ao Pe. que iríamos retribuir em forma de música, fazendo um concerto especial. Obrigado a todos pela recepção e por todo o esforço de pré-produção para que o concerto da primeira etapa do Sonora Brasil estivesse à altura do Projeto.

São Lourenço da Mata (PE)



Nesta Rua

A mágica da música - São Lourenço da Mata (PE)











Público aplaude Orquestra em São Lourenço da Mata (PE)

Recife (PE)

(Leandro) Voltei ao Recife depois de oito anos ... Aqui morei por três anos, entre idas e vindas a São Paulo para cumprir créditos no Depto de História da USP, desenvolvendo um trabalho de pesquisa sob orientação de Ariano Suassuna. Foram anos mágicos. A rotina acadêmica ocupava uma pequena parte do meu dia e mesmo os encontros periódicos que tinha com meu orientador eram mais voltados às divagações a respeito do Brasil do que à discussão da tese. Lembro-me que em 1999, além do trabalho de pesquisa, gravei 3 CDs: “Descobrindo João Pernambuco”, com a participação de mais de 50 músicos de Recife, João Pessoa, Rio e São Paulo, “João Pernambuco e o Sertão”, em duo com Baden Powell, e “O Guarani”, em duo com Turibio Santos. Que ano!

Na verdade, quando vim para Recife queria mesmo era descobrir o ‘Brasil Real’ (denominação que Ariano incorporou a partir do olhar de Machado de Assis, em oposição ao ‘Brasil Oficial’, ‘caricato e burlesco’), conhecer de perto a cultura popular e o ambiente musical que dera subsídios a muitas mentes criativas. No campo da pesquisa, queria saber que lugar era esse que gerara João Pernambuco, compositor singular que marcou a história da música brasileira. Com este norte, centrei meus esforços na música que se fazia no Brasil no final do século XVIII e início do XIX e escrevi uma dissertação chamada “... e o estrepidoso zabumba põe tudo em alvoroço – Música e Sociedade em Pernambuco na primeira metade do século XIX”. Basei-me nos cronistas do período, em especial no Pe. Lopes Gama que editava o jornal O Carapuceiro, e nos relatos dos viajantes estrangeiros, como Henry Koster, Tollenare, M. Graham e outros. Uma das conclusões foi que a ‘música’ que se fazia no Brasil neste período já possuia características singulares suficientes para ser chamada de ‘música brasileira’. Parece óbvio, mas o senso comum em torno na cristalização de uma cultura ‘nova’ segue repetindo disparates como “o choro nasceu da polca européia quando tocada pelos músicos cariocas no final do século XIX”, me incomodava muito. Até hoje, prescindimos de estudos sérios (com exceção de pouquíssimos autores) sobre o processo que gerou uma ‘música’ singular. Continuam sendo editados livros sobre a ‘história do choro’, ‘história disso e daquilo’, sem rigor metodológico, sem indicações de fontes, cheios de ‘achismos’ e repetições de chavões distorcidos, sem profundidade e coerência intelectual. A riqueza deste período (séc. XVIII e XIX) vem a tona nos estudos voltados à música ‘séria’, ‘erudita’, feitos principalmente por musicólogos que vem recuperando também os registros em papel da música feita na época. No entanto, continua ainda negligenciado algo maior e mais especial que é justamente aquilo nos faz ‘brasileiros’: a mistura do sagrado com o profano, o zabumba dentro da igreja, Mané Chico ‘desafinando’ seu violão para tocar Carulli e Carcassi, e uma nova visão de mundo, livre, desatinada, inconsequente, que arrisca-se para criar uma linguagem poética capaz de expressar o mundo novo e complexo que nos circunda.

Voltando ao Recife de hoje, fizemos um concerto na Igreja da Madre de Deus, no Recife Antigo, para um grande público, carinhoso e ávido por Villa-Lobos. Fiquei emocionado com tudo. Nunca poderia imaginar que voltaria aqui oito anos depois, a frente de uma Orquestra tão boa, para tocar Villa-Lobos. Nestas horas, vejo que valeu a pena seguir meu coração, mudar de rota várias vezes e recomeçar insistentemente. Reencontrei muitos amigos e matei um pouco da saudade desta cidade especial, forte, cheia de personalidade, que nos surpreende a cada esquina. “Voltei Recife, foi a saudade quem me trouxe pelo braço”. Nossa história ainda está começando ....

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Recife (PE) Igreja da Madre de Deus


















David Gardner (Recife)


Leda Alves e Leandro Carvalho (Recife)


Aulas de Lutheria

Jorge Moura postando...
Olá estamos em Recife, após um dias de exaustiva gravação e volto a postar depois de vários dias passando por hoteis onde infelizmente o acesso a net era muito caro e o tempo cada vez mais curto com ensaios para a gravação. E justamente agora que achei uma lan perto do hotel esqueci a camera haha mas tudo bem, queria apenas falar sobre uma experiência interessante que estou tendo nesta segunda metade da viagem.

Nosso companheiro Joselito, além de violinista sempre se interessou por lutheria (profissão de quem faz instrumentos musicais)e, embora me disse que ultimamente não estava atuando como luthier continua se dedicando quando possível até mesmo na manutenção do seu próprio violino.
Conversando com ele perguntei se poderia me ensinar umas coisas básicas para que eu pudesse ajudar meus alunos do Projeto Ciranda, onde dou aula de violino, pois eu mesmo sempre tive problemas com instrumentos ruins ou mal regulados que sempre dificultam o aprendizado e as vezes impossibilitam o aluno a tirar um som realmente bonito do instrumento. Já vi meus alunos tocando com instrumentos empenados, com arcos empenados, crinas ruins, cavaletes tortos ou super grossos e ate vi alguns casos de estandartes de violino que simplesmente rachavam no meio sem esforço algum apenas pela pressão comum das cordas sobre ele.
Tudo isso seria mais simples se em Cuiabá tivessemos o serviço de lutheria e não tivéssemos que mandar nosso intrumento para outros estados para sua manutenção ou reparo como sempre tenho que fazer, gastando horrores para isso.

Joselito entao revelou-se um ótimo professor e ja me deu algumas ótmias aulas de como ajustar alma do violino, pestana, limpeza e principalmente como arrumar o cavalete do violino que é a peça de madeira que sustenta as cordas. Aliás, fiz meu primeiro cavalete com um bruto que comprei em Joãoi Pessoa e ja estou usando-o no meu violino desde então. Posso ter cometido alguns errinhos que o Joselito pacientemente corrigiu mas ainda ficou ótimo e melhor que o meu antigo que estava rachando.
De qualquer forma estou escrevendo para agradecer ao Joselito pela amizade e paciencia e espero continuar aprendendo mesmo depois da turne pois poderei ajudar meus alunos prinicpalmente com os cavaletes horriveis que encontramos nos instrumentos iniciantes em Cuiabá. Além disso as aulas me distraem um bocado, pois apesar de estarmos em uma região linda, com praias e termos feito concertos memoráveis como o que fizemos com o trio Carroça de mamulengo a saudade da minha noiva Carolyne, da família e de Cuiabá esta batendo cada vez mais forte. Valeu Zelito.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Crato - CE (Beto e sua rabeca...incrivel simplicidade!!!)

Willian Isaac-violinista

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Campina Grande (PB) - Cine Teatro Sesc Centro



















Maestro Leandro Carvalho conversa com a platéia em Campina Grande (PB)







Quinteto de sopros 'da pesada'

O privilégio de ser músico

Teatro Santa Roza - João Pessoa (PB)



Carrinho de pipoca na porta do teatro é sempre um ótimo sinal!



O público de João Pessoa lotou o Teatro Santa Roza para assistir a Orquestra do Estado de Mato Grosso.



TV Globo PB - Link ao vivo

Paraíba nota 10!

(Leandro) Tudo deu certo na Paraíba! Produção nota 10, carinho e receptividade que trouxeram à tona todas as qualidades da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Fechamos o curto circuito (desculpem o ‘trocadalho’) da PB com chave de ouro, ontem em Campina Grande, com um concerto excelente. A Orquestra arrasou! Todos os músicos tocaram excepcionalmente bem e o espírito de grupo prevalesceu. O público que lotou o teatro do Sesc Centro, esparramando-se pelos corredores ou em pé no fundo da sala (fora muitas pessoas que infelizmente não conseguiram entrar por falta de espaço) reagiu com entusiasmo e alegria.

Em nome de toda a Orquestra, parabenizo o magnífico trabalho do Sesc Paraíba. O excelente Hotel que ficamos hospedados, os cuidados com as necessidades técnicas de palco (tudo de acordo com o mapa de palco da Orquestra), a qualidade dos técnicos dos teatros (sempre atenciosos e dispostos a fazer os ajustes necessários), a presença firme e constante dos técnicos do Sesc, a divulgação e o trabalho de comunicação impecáveis (que incluiu capa dos maiores jornais do Estado, a presença da Rede Globo de Televisão em ambos os concertos fazendo links ao vivo e gravação do concerto de Campina Grande na íntegra pela TV Itararé, parceira da TV Cultura de São Paulo para exibição do mesmo no próximo domingo às 20h), o lanche do camarim, feito com carinho e atenção e, pela primeira vez em todo o Sonora Brasil, reposto após o concerto, e a mobilização extensiva da comunidade, tudo isso fez da Paraíba, ao nosso ver, um ‘estado modelo’ no contexto do Projeto. Espero que este ‘know-how’, este profissionalismo possa ser reproduzido em todo o Brasil. Para não citar nomes e cometer injustiças, parabenizamos a todos os profissionais envolvidos na realização deste trabalho. Com certeza, quem mais ganhou com tudo isso foi o povo da Paraíba. Obrigado!