quinta-feira, 3 de julho de 2008

Iguatu (CE) Teatro do Sesc



Iguatu (CE)

Iguatu (CE) Homenagem ao grande maestro Eleazar de Carvalho

(Leandro) Acabamos de fazer um concerto muito emocionante em Iguatu, dedicado à memoria do grande maestro Eleazar de Carvalho. A cidade é berço de grandes nomes da música brasileira como Humberto Teixeira e Evaldo Gouveia. Eleazar nasceu em Iguatu em 1912. A história de sua vida é repleta de sucessos e passagens cômicas, graças ao seu temperamento forte e, muitas vezes, irônico. Seu ingresso no mundo da música é lembrado ainda hoje pelos habitantes da sua cidade natal: ao reparar que os músicos da banda (quando servia à Marinha) tinham uma refeição melhor que os demais, não exitou em perguntar se havia vaga para mais um músico. Assim ele começou sua carreira como tubista! Dalí, conquistou o mundo, regendo importantes orquestras e recebendo inúmeros titulos honoris causa.

Villa-Lobos foi importante no início da vida profissional de Eleazar, escrevendo cartas de recomendação que endossaram o enorme talento deste cearense. Muitos anos depois, o próprio Eleazar foi também importante para a divulgação da obra de Villa-Lobos, sendo responsável por várias estréias e gravações.

Tive o privilégio de conviver com Eleazar desde minha infância até sua morte. A amizade de meus pais com o maestro e sua esposa Sônia Muniz, renomada pianista, se intensificou em função dos filhos: Sergei e eu estudamos juntos até a terceira série do primário, morávamos muito próximos e nascemos com poucos dias de diferença. Éramos como irmãos. Naquela época, nunca imaginei que me tornaria músico, muito menos maestro, e muito menos ainda que faria um concerto com a Orquestra do Estado de Mato Grosso em Iguatu. Eleazar foi muito importante na minha profissional tendo me convidado para ser solista da OSESP, quando era seu diretor artístico e eu tinha apenas 14 anos. Logo depois, foi graças a ele que cheguei até Turibio Santos, grande violonista e a pessoa mais importante em minha profissional. A convivência com Turibio foi marcante para a formação do meu caráter como homem e como artista.

Iguatu está bem desenvolvida e hoje conta com uma escola de música pública e a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, semestes plantadas por Sônia em parceria com a Prefeitura, Sesc e outras instituições locais. A Orquestra é composta por jovens entre 15 e 18 anos e regida pelo maestro José Carlos Mota Junior. Tem objetivo de estimular e descobrir novos talentos que terão muito mais oportunidades de crescimento que o próprio Eleazar. Fiquei impressionado ao chegar na cidade e ver um enorme outdoor com a foto da Orquestra! Ela é motivo de orgulho e contribui para a manutenção da memória deste grande brasileiro.

Amanhã de manhã seguimos para Juazeiro do Norte (CE).

Sobral (CE)

(Leandro) Ontem nos apresentamos em Sobral (CE) no teatro da ECOA, uma espécie de complexo cultural nas margens no rio Acaraú. A cidade é a segunda mais importante do Estado e o berço da família Gomes, três irmãos que se destacaram na vida pública brasileira. Ciro foi Governador e prefeito de Fortaleza. Cid foi prefeito de Sobral por 8 anos e é o atual Governador. É terra também de Belchior e Renato Aragão, além de ser o município brasileiro com o maior número de sismos registrados.

Sobral tem uma escola de música pública com mais de 700 alunos! O teatro São José, que fica na praça central onde também está a escola, foi restaurado recentemente e está muito bonito. Sobral é agradável, tem várias praças bem arborizadas e um ‘passeio’ público às margens do rio, que traz qualidade de vida à população. Voltaremos para cá em outubro, quando nos apresentaremos no teatro São José dentro do projeto “Concertos pelo Brasil”, em comemoração aos 90 anos do Grupo Votorantim, um dos principais patrocinadores da Orquestra do Estado de Mato Grosso.

Saúúúúúde ao Pedro!!!

Saúde é o que desejamos ao nosso ilustríssimo colega Pedro. ''Você faz muita falta aqui entre nós na OEMT, estamos todos anciosos e aguardando a sua plena recuperação, pois voce é um membro muito importante deste corpo chamado Orquestra do Estado de Mato Grosso. Então estamos anciosos pela sua chegada para que juntos possamos concluir esta desafiante empreitada que juntos começamos la no Rio de Janeiro, naquela tarde onde apresentamos aquele concerto didático.. RUMO A SALVADOR PEDRÃO!!! ''




LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Matro Grosso

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cinco estrelas para a nossa querida violista Camilla Meireles.

Camlinha!! Voce merece cinco estrelinhas pelo concerto realizado em Manaus, pois sabíamos do seu estado de saúde que náo era favorável, mas voce brilhantemente e com extremo profissionalismo subiu ao palco para se apresentar junto a OEMT.. Cinco estrelinhas de ouro para voce Camila!!!! Bravíssimo pelo empenho!!!


LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

Medalha de ouro para a produtora de Boa Vista (Karla)

É dicícil neste momento encontrar palavras para descrever o competente trabalho desta produtora, a única palavra que encontro para descrever o seu trabalho diretamente e indiretamente em torno da Orquestra do Estado de Mato Grosso é que voce foi simplesmente BRILHANTE!! MEDALHA DE OUTRO PARA VOCE!!!





LUCIANO PONTES-Spalla - ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO

Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira!!

Diapasão de Ouro para o nosso colega Fernando Pereira! Após a ausencia por motivo de força maior da nossa chefe de naipe dos segundos violinos (Alice Bev.), nosso caro Fernando aceitou a proposta de assumir a chefia dos segundos violinos no meio da turnè, neste momento eu o parabenizo pelo brilhante trabalho desenvolvido como chefe de naipe dos segundos violinos no tempo em que la esteve, pois eu sei o quanto é dificil chefiar um naipe, e ainda mais ter que assumi-lo no meio de uma grande turné. Diapasão de Ouro para você meu caro companheiro Fernando Pereira!!!




LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

Braaaavíssimo João Paulo!!

Bravíssimo ao nosso querido violinista Joao Paulo, pois mesmo estando bastante enfermo, e tendo passado o dia 27 de Junho no hospital em Boa Vista devido a uma preocupante infecção alimentar, ele nao poupou esforços para se apresentar com a OEMT naquela noite. BRAVO pela atitude extremamente profissional meu caro João Paulo!!!!


LUCIANO PONTES-Spalla - Orquestra do Estado de Mato Grosso

A caminho de Sobral

Fortaleza (CE)

(Leandro) Foi muito bom o concerto ontem em Fortaleza. O pequeno teatro do Sesc estava cheio e tivemos gratas surpresas. Revi alguns amigos como o maestro Márcio Landi e os músicos da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e conheci pessoalmente e várias pessoas que só conhecia por telefone, como grande fagostista Costinha. Fui apresentado ao maestro Arley França que desenvolve um belo trabalho com a Orquestra de Sopros de Pindoretama (quem quiser conhecer mais de perto o trabalho deles, o site é www.orquestrapindoretama.clic3.net). A Orquestra é formada por jovens talentosos e já tem uma história muito bonita de conquistas. Ficamos felizes com a presença de muitos destes jovens no concerto. Obrigado maestro Arley por sua iniciativa, que deu ontem um energia especial ao concerto. Obrigado também ao Sidney, técnico do Sesc, pelo ótimo trabalho realizado. Já estamos em Sobral (saímos as 08:30 da manhã) para um concerto ainda hoje às 19:30.

Fortaleza (CE) Teatro Sesc Emiliano Queiroz

Ciranda das Sete Notas



O fagotista Alexandre dos Santos interpreta a Ciranda das Sete Notas, de Heitor Villa-Lobos, com a Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob a regência do maestro Leandro Carvalho, em Fortaleza, Ceará.

Já estamos no Ceará!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Permanências e Ausências


(Carlos Gomes)

O concerto de Boa Vista foi realmente um sucesso. Não haviam lugares disponíveis para tanta gente( e olha que o auditório era bem grande) ... muitas cadeiras extras e gente sentada nas escadas , espalhadas em pé pelos corredores ... uma verdadeira aglomeração ansiosa em escutar a orquestra numa linda noite de sexta feira ... não precisa se dizer que o público nos acolheu de forma espetacular ... literalmente um “calor” e receptividade que engrandece a alma dos músicos e deixa uma excelente impressão deste extremo norte do nosso país.
Foi com esse espírito que desembarcamos em Manaus, afinal tratava-se da maior cidade da região , potência turística , dona de um dos mais espetaculares teatros de toda a América e casa de uma das grandes orquestras brasileiras ... uma verdadeira cidade cultural e com um público ouvinte formado. A programação do concerto para o distante bairro de Cidade Nova, particularmente vem de encontro com o principal objetivo do projeto Sonora Brasil que é a fomação de ouvintes, levar a orquestra para locais marginalizados e com pouco acesso a espetáculos desse cunho . Entretanto,para que esse objetivo se concretize é necessário que haja não só uma mobilização da comunidade por parte dos responsáveis em divulgar o concerto, mas também o entendimento da realidade social daqueles que ai vivem. O horário de 15 h do domingo ao meu ver se mostra completamente inviável . As pessoas costumam estar em suas casa neste período. Há também partidas de futebol sendo transmitidas pela TV , neste dia em especial havia a final da eurocopa. Do meu ponto de vista, me pareceria melhor um horário como o das 18 h quando o sol já estaria mais baixo e as pessoas poderiam chegar tranquilamente ao local e voltar cedo para suas casas ...não precisa se dizer que o público foi pequeno ... fica ai a sugestão!!!

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Passados mais de 2 meses de turnê fico me perguntando sobre o que permaneceu deste tempo todo ... às vezes nos encontramos distraídos mudando de cidade em cidade , fazendo de cada quarto nosso canto de refúgio provisório , encontrando prazer em olhar o novo , a vida diferente de cada local e das diferentes pessoas e não paramos para refletir ... deixamos muitas sementes por este país , algumas que renderão lindos ramos , flores , frutos , traduzidos em amizade e respeito que adquirimos das pessoas com as quais nos relacionamos e com as quais convivemos dia a dia . A ausência por mim sentida nestes dias não reflete a saudade de casa ou dos meus amigos , da minha família ... se traduz apenas pela figura querida do meu grande amigo Pedro ... a ausência da Primavera de Vivaldi dos finais dos concertos , das vozes do Silvio , do Go...(ele sabe quem é...rsrs) ... a simples ausência ...e que teremos que aceitar ao final desta empreitada ... ausência física que ameniza com a permanência do carinho , admiração, respeito e amizade que tenho e guardo para mim , e que se traduz agora indelével. Ampla recuperação a você amigo ... estamos aqui todos torcendo e te aguardando em Recife.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O desafio de formar 'ouvintes'

(Leandro) Peço desculpas desde já pelo tamanho deste texto. Concordo que ele não é adequado para um blog, que deve ser divertido, informativo e de rápida leitura. Não se incomodem com ele. Passem rápido para as fotos interessantíssimas que estão logo abaixo.

O desafio de formar ‘ouvintes’

Uma das principais motivações para a Orquestra do Estado de Mato Grosso participar do Sonora Brasil foi o alinhamento de objetivos de ambas iniciativas. No seu dia-a-dia, a Orquestra oferece ‘concertos didáticos’ em escolas da rede pública e privada, faz concertos no interior de Mato Grosso e busca uma abordagem ‘includente’ para os concertos realizados na capital. Em 2007, foram mais de 150.000 pessoas atingidas diretamente. Não é exagero. Os concertos realizados em praça pública nas belas cidades do interior do Estado reuniu, em média, 5.000 pessoas por concerto. O repertório não é apelativo, propondo misturas ‘baratas’ de música popular com erudita tendo como referências os modismos do momento. Muito pelo contrário. O desenvolvimento de um repertório novo, com a inclusão das violas de cocho, é feito com muito critério e tem como ‘ponta de lança’ as mais criativas cabeças da atualidade. Compositores de destaque vem escrevendo ininterruptamente para a Orquestra nos últimos 4 anos.

Esta rotina tem nos ensinado muito e agora, viajando pelo Brasil, percebo que os desafios para a ‘formação de ouvintes’ são os mesmos do cotidiano da Orquestra. Cada concerto, em cada cidade, em cada escola, exige uma estratégia diferente. ‘Formar público’ é um exercício de aprendizado diário que requer muita humildade. È preciso adentrar a realidade da comunidade que se quer atingir, atentando para a infinita complexidade do comportamento humano, que pode variar de bairro para bairro, em diferentes classes sociais, educacionais, em diferentes idades. O desafio é enorme e exige pessoas altamente qualificadas pensando nestas estratégias. Percebemos que o trabalho ‘em torno’ do concerto é, na maioria das vezes, muito maior e imperioso para que a própria atividade fim seja exitosa.

Em nossa experiência, as escolas da rede pública, por exemplo, exigem visitas prévias para conscientização e mobilização dos professores. Pela precariedade das condições, temos que prover cartazes, faixas, filipetas, além do kit multidisciplinar contendo livros, CDs e DVDs. Nas oficinas de capacitação, os professores aprendem como utilizar este conteúdo em sala de aula e passam meses preparando os alunos para viver a experiência do ‘concerto’. Na verdade, o concerto é apenas parte do processo. Em torno dele, a comunidade se mobiliza, se reconhece e afina laços de fraternidade. Os alunos motivam os pais, que motivam os colegas e vizinhos, para um encontro único no ambiente escolar. A escola sai fortalecida como centro comunitário, local de troca de valores simbólicos que deve ser protegido pelas pessoas que habitam seu entorno.

Nos mais de 20 municípios do interior de MT que a Orquestra já visitou, a estratégia é outra. É preciso envolver os poderes públicos locais, os clubes de serviços, os agentes mobilizadores (aquelas pessoas ‘descoladas’, que conhecem ‘todo mundo’ e que são formadores de opinião). Além disso, é preciso lançar mão de veículos pouco usuais aos grandes centros como carros de som e faixas. Não basta colocar no jornal. A verdade é que ‘ninguém’ lê jornal (ou uma parcela mínima da população). É preciso um local adequado, no horário adequado, sob o risco de se botar tudo a perder por um erro tolo como por exemplo marcar um concerto no horário da missa. São as idiossincrasias do local que devem ser respeitadas se temos a ‘pretensão’ de formar ouvintes.

Esse comentário sobre algumas de nossas linhas de atuação serve como preâmbulo para uma breve reflexão a respeito da experiência que vivemos em Manaus (AM). O concerto nesta capital, dentro da programação do Sonora Brasil, foi marcado para domingo, às 15:00, no Centro Cultural de Convivência da Família, construído recentemente pelo Governo do Estado, bairro Cidade Nova (em torno de 40 minutos do centro). De cara, desconfiamos da escolha. A justificativa parecia clara (“Não havia pauta no Teatro Amazonas”). Por desconhecer o trabalho prévio realizado no local, aceitei e esperei a hora da partida.

Não vou fazer aqui considerações sobre horários, camarim e outros pormenores técnicos como banco do contrabaixo e outros. Fá-los-ei em forma de relatório para o Depto Nacional do Sesc. Aqui, minha reflexão pretende ser de ‘utilidade pública’ e contribuir com a experiência de outros gestores, incluindo muitos técnicos do Sesc espalhados pelo Brasil que acompanham este blog assiduamente e vem elogiando os comentários críticos que fazemos ao longo da viagem.

Houve (se é que houve) pouquíssimo contato prévio com a comunidade do bairro. As pessoas não veem este centro de convivência como um local de realização de concertos ou outros espetáculos musicais desta natureza. A comunicação reduziu-se a duas ótimas matérias nos dois maiores jornais da cidade, sendo uma delas uma matéria de capa (Diário do Amazonas e A Crítica). Nada de rádio ou TV. O problema é que as pessoas do bairro ‘Cidade Alta’ não leem estes jornais. Os leitores dos mesmos nunca ouviram falar do local de realização do concerto. Mesmo que soubessem, dificilmente se deslocariam dos bairros centrais de Manaus para um concerto às 15:00 do domingo (horário em que todo brasileiro está em casa, com sua familia, no mínimo almoçando). Ressalvo que os ‘concertos sociais’ (denominação que inventamos ao longo do Sonora Brasil) são extremamente importantes e todos nós temos grande prazer em fazê-los. Este foi o caso de Santana, interior do Amapá, localidade afastada, sem recursos, com um dos piores IDHs do Brasil. Ou mesmo em Ceilândia. Nossos depoimentos neste blog são uma prova de nossa consciência sobre isso.

O resultado destas escolhas foi o menor público que a Orquestra teve no Sonora Brasil. Estavam lá algumas pessoas amigas dos músicos da Orquestra, alguns músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica (que farão o terceiro roteiro tocando a música de câmara de Villa-Lobos) e mais 7 faxineiras do centro comunitário que eu convidei pessoalmente e fiz questão absoluta da presença. Doeu na alma. O esforço é muito grande, muito investimento humano e financeiro, para um resultado tão aquém da potencialidade da ocasião. Vejam bem que estamos falando de Manaus, uma cidade com quase 2 milhões de habitantes (oitava maior cidade brasileira), que tem uma das melhores orquestras do país e realiza anualmente um dos maiores festivais de ópera do mundo!

Esta experiência amarga não pode, nem deve, passar em vão. È preciso tomar cuidado, atentar para a produção de um evento desta magnitude. Não se pode ‘desperdiçar’ uma orquestra desta maneira e nem um roteiro do Sonora Brasil. O trabalho de mobilização da comunidade, e mesmo de ‘preparo’ das pessoas, é parte fundamental do projeto e cabe às unidades regionais. São muitas as maneiras de realizar esta tarefa e cada um saberá as particularidades de sua cidade. Acima, mencionei nossa experiência em MT e em vários momentos deste blog, mencionei experiências exitosas empreendidas por técnicos do Sesc em vários estados. As estratégias, bem como os erros, devem ser compartilhados e absorvidos por aqueles que querem crescer e exercer sua profissão com esmero.

Por fim, enfatizo que a questão aqui é aprender com os erros (e isso não significa desmerecer ou diminuir todos os muitos acertos acontecidos até aqui). Devo sentir-me à vontade para expressar minhas idéias com o ÚNICO propósito de contribuir para o Sonora Brasil. Na verdade, sinto-me obrigado a isso. Desculpe-me. O convite para participar deste projeto significou, para mim, a realização de um antigo sonho. A admiração que tenho pelo Wagner Campos e pelos profissionais que atuam no Departamento Nacional do Sesc me impedem de ficar calado. Faz parte da maturidade de um profissional, ou mesmo de uma instituição, o exercício do contraditório, ouvir e fazer críticas para sair de um exercício intelectual mais fortalecido e consciente dos caminhos a serem seguidos. Espero que assim seja entre todos nós.

Homenagem do Alma de Gato

Prezado amigo Leandro,

Ao tomar conhecimento da notícia alvissareira que se espalhou pelo Brasil, dando conta de que reside entre nós um dos 10 maiores artistas da música erudita da década, nos enchemos de alegria e pleno orgulho, por você e por nossa gente.

É notório o valor de seu trabalho à frente da Orquestra do Estado de Mato Grosso, principalmente quando faz uso dele para levar a boa música aos recantos mais esquecidos do Estado e da capital. Mais importante que os excelentes concertos, sem dúvida, é o trabalho didático que é desenvolvido junto às crianças das escolas públicas. Seu projeto, mais que bonito, é necessário e imperioso para mudar e transformar a face cultural deste povo. É um dos projetos mais sérios que já se viu no âmbito cultural de Mato Grosso.

O destaque nacional, que ora você recebe, é mérito puro, conquistado com trabalho e qualidade artística de primeira grandeza; até porque, quem lhe outorga tamanha distinção é uma das mais sérias publicações de referência da música erudita no Brasil: o Anuário Viva Música 2008.

Não é fácil fazer música erudita no Centro-Oeste brasileiro, tão distante dos grandes centros, porém sua audácia, juventude, coragem e, sobretudo, talento, deram suporte a essa empreitada de vulto que hoje rende frutos e nos mostra um futuro bem melhor no cenário musical. Você nos serve de exemplo e o Grupo de Vozes Masculinas Alma de Gato se orgulha de já ter participado, a seu convite, de concertos memoráveis da Orquestra do Estado de Mato Grosso, sob sua regência.

Parabéns, Leandro! Você é digno de todos os elogios e tomara que continue recebendo os apoios institucionais e governamentais para girar ainda mais esse projeto irradiador de culturas e saberes musicais. De parabéns está também o Governo do Estado de Mato Grosso e sua Secretaria de Cultura, por essa ampla visão no trato da música clássica e erudita. O grande vencedor é o povo mato-grossense.

O Alma de Gato soma-se aos demais cantores e músicos da nova geração, para aplaudir em pé o seu trabalho, que hoje eleva Mato Grosso entre os maiores e melhores centros produtores de música clássica e erudita do país.

Evoé, jovem artista!

Gilberto Nasser
(Em nome de todos os cantores do GVM Alma de Gato)

Lua cheia no Rio Amazonas

Teatro Amazonas - Manaus (AM)

Mercado Central de Manaus





Yes, nós temos banana!



Rio Solimões (AM)

Globalização II



Vocês já viram um inglês tomando açaí no centro de Manaus?

Palácio das Artes - Boa Vista (RR)







Orquestra Infanto-juvenil do Sesc RR



A Orquestra Infanto-juvenil do Sesc RR fez uma apresentação no foyer do Palácio das Artes. Foi emocionante. Parabéns ao Sesc RR pela implantação deste projeto, ao Sesc Nacional pelos programas de desenvolvimento como o "Pauta Contemporânea" e aos empresários apoiadores desta iniciativa. Parabéns também ao maestro Antônio, jovem guerreiro que ensina todos os instrumentos da família das cordas aos estudantes e conduz seu trabalho com muito esforço e obstinação. Continuem sempre regando e cuidando desta semente que, com certeza, poderá frutificar e transformar-se numa bela e frondosa árvore, digna em tamanho e imponência da Floresta Amazônica.

Profeta



O Profeta pregando suas idéias do lado de fora e a gente do lado de dentro. Irmãos.

sábado, 28 de junho de 2008

Boa Vista (RR)

(Leandro) Mais uma surpresa maravilhosa na região Norte do Brasil. Desta vez foi em Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Localizada próxima da fronteira com a Guiana Inglesa (aproximadamente 90 km) e da Venezuela (150 km), ficamos impressionados com o planejamento urbanístico da cidade. Logo que chegamos, fomos almoçar às margens do Rio Branco, numa belíssima estrutura turística chamada de ‘orla’. Nas caminhadas pelas redondezas, a educação no trânsito também chamou a atenção: os motoristas param para as pessoas atravessarem a rua na faixa de pedestres. Incrível!

Fomos muito bem recebidos pela Karla, coordenadora de cultura do Sesc, que desde o início mostrou-se segura e ‘senhora’ da situação. Logo recebi a agenda de entrevistas para a imprensa e as informações logísticas sobre os trabalhos na cidade. O pouco tempo que permanecemos na cidade foi suficiente para utilizarmos praticamente todos os canais disponíveis. Ressalto aqui duas entrevistas que dei para as rádios ‘Roraima’, para o Gilberto, e para a 94 FM Tropical, no programa ’30 minutos com Consuelo Oliveira’. Fiquei impressionadíssimo com a inteligência, preparo e cultura geral destes jornalistas. Um nível de diálogo altíssimo, refinado, abordando temas interessantes e polêmicos. Seriedade e profissionalismo poucas vezes vistos na impresa brasileira. E estamos falando de rádios comerciais!

A Rede Globo fez uma cobertura antes, durante e depois do concerto! Hoje, quando chegamos no aeroporto para embarcar para Manaus, estava passando na televisão, no jornal RRTV primeira edição, uma bela matéria sobre o concerto da Orquestra em Rio Branco. Fantástico! Para completar, ainda hoje, pela manhã, no dia seguinte ao concerto, fui ao programa de rádio do Paulo, também diretor de cultura do Sesc, para fazer um ‘balanço’ sobre o concerto da noite anterior. È assim que se trabalha! Parabéns!

O trabalho de comunicação do Sesc foi excelente, expandindo sua atuação através de estratégias pouco comuns. Além do corpo a corpo com jornais impressos, rádios e TVs (com ótimo resultado), a equipe se organizou para telefonar para um longo cadastro convidando cada pessoa. Esta lista inclui pessoas influentes que estão numa posição de mobilizar a comunidade, espalhando a notícia e reproduzindo o convite. Foram impressos cartazes e filipetas que, nitidamente, estavam bem distribuídos em locais estratégicos.

O Palácio das Artes lotou na noite de sexta-feira. Vejam que o “Arraial das Três Nações”, a maior festa popular do Estado de Roraima, que atrai diariamente mais de 30 mil pessoas, estava no seu penúltimo dia e em nada prejudicou o espaço do Sonora Brasil na imprensa, nem o fluxo de pessoas ao teatro. Digo isso por que acabo de ouvir aqui em Manaus, onde acabamos de chegar, que a Festa de Parintins (municipio distante ‘uma hora de barco’ de Manaus) impede que a imprensa dê maior espaço ao Sonora Brasil e que, eventualmente, isso prejudique o interesse do público pelo concerto que faremos amanhã. Já estou preocupado ...

Voltando à Boa Vista, quase 1.000 pessoas foram ao Teatro, sendo que muitas delas, infelizmente, não conseguiram entrar e acabaram voltando para casa ou ‘ouvindo’ o concerto do lado de fora. Tivemos a honra em ter o presidente da FECOMERCIO de RR fazendo o disurso de abertura do concerto. A energia do público estava intensa e, como sempre, isso acaba contagiando a Orquestra. O concerto foi ótimo e o público se emocionou. Depois do bis, um grande número de pessoas subindo no palco para conhecer os músicos da Orquestra mais perto. Conhecemos pessoas interessantes e ouvimos coisas positivas sobre o desenvolvimento do Estado, especialmente na área cultural e educacional.

Parabéns a Karla e toda sua equipe. O trabalho que vocês desenvolveram foi excelente. Desejamos sucesso nas outras etapas do Sonora Brasil!

Palácio da Cultura - Boa Vista (RR)

Concerto em Macapá (Amapá)

Para a Orquestra do Estado de Mato Grosso foi uma grande satisfação apresentar um concerto para o público Amapaense, que realmente foi ao teatro com a única intenção de ouvir música, fomos completamente envolvidos pela energia e pelo calor do público local propiciando a nós a realização de um exelente concerto. Parabéns ao público Amapaense, por saber apreciar e valorizar nosso concerto, parabéns ao produtor local (Bebeto) e a sua equipe que brilhantemente nos serviram durante nossa passagem pela cidade. Deixo aqui meus incentivos ao governo local para a criação de uma orquestra profissional na cidade, de uma ótima escola de música pois acredito que a Música pode ser uma exelente forma de inclusão social e pode estar presente com grande força na educação básica de uma criança, alem de poder divulgar e difundir a cultura musical da região. Um teatro de grande porte o Amapá ja tem, um público espetacular que sabe apreciar e valorizar música o Amapá também ja tem.. entao o que ainda esta faltando sem dúvidas é o Governo local presentear a sociedade com uma orquestra, e com uma gama de atividades culturais ainda maior do que a ja existente nesta cidade..



Luciano Pontes-spalla - ORQUESTRA DO ESTADO DE MATO GROSSO

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Um concerto do meio do mundo

(Leandro) Em Macapá, estávamos próximos ao Oiapoque e à fronteira com a Guiana Francesa. Ali, vivemos uma experiência especial que pode servir de exemplo após tantas reflexões a respeito de logística e gestão. O primeiro sintoma do êxito da passagem da Orquestra pelo Estado pôde logo sentir-se ao conhecermos o técnico Bebeto e sua equipe, todos claramente envolvidos com a produção do Sonora Brasil. A comunicação local foi excepcional: demos entrevistas para 6 rádios locais (com abrangência intermunicipal), para 5 televisões (TV Globo, SBT, Record, Rede TV e Amazon Sat) e fomos matérias de destaque de todos os jornais do Estado. A cidade estava mobilizada em torno do concerto. O local escolhido não poderia ser melhor, o belo Teatro das Bacabeiras, no centro da cidade, com entrada franca. Aspectos técnicos totalmente solucionados, ou seja, tudo certo com os praticáveis para os sopros, cadeiras, banco do contrabaixo e iluminação. Chegamos com antecedência ao teatro, todos os instrumentos já estavam disponíveis, nos preparamos com calma e aguardamos ansiosos a chegada do público.

Mais de 700 pessoas lotaram o Teatro para uma noite inesquecível. Público caloroso e ansioso por boa música. A informação é que seríamos praticamente a primeira Orquestra a se apresentar ali (ninguém se lembrava de outra, salvo uma orquestra alemã não identificada que o técnico do teatro disse ter passado por ali há muitos anos). A Orquestra se contaminou desta energia e tocou pra valer! Depois do concerto, o público ‘inavadiu’ o palco, a nosso convite, para conhecer mais de perto os músicos e seus instrumentos. Várias TVs também registravam o concerto e pediram entrevistas para todos nós após o término da apresentação. Ouvimos comentários maravilhosos de pessoas extremamente carinhosas que mostravam-se muito emocionadas com a música que tinham acabado de ouvir.

Nada mais a dizer, a não ser elogiar o trabalho do Sesc Amapá e de todas as pessoas envolvidas. Parabéns a todos e obrigado pelos momentos especiais que vivemos. Espero muito, um dia, retornar ao Amapá!

Teatro das Bacabeiras (AP)



















Mercado Central de Macapá







Fortaleza de São José - Macapá (AP)

“A Fortaleza de São José de Macapá localiza-se numa ponta de terra à margem esquerda do rio Amazonas, na antiga Província dos Tucujus, atual cidade de Macapá, no Estado do Amapá. A sua construção empregou, além de oficiais e soldados, canteiros, artífices e operários negros e indígenas. Eram pagos 140 réis diários aos negros contra apenas quarenta réis para os índios. A inauguração da fortaleza aconteceu em 1782”.





Foto-protesto



Os pobres do hemisfério sul imploram pelo fim dos subsídios agrícolas dados pelos governos dos países ricos aos produtores.

Linha do Equador



Casa Brasil e Cultura Viva

(Leandro) Nesta noite de terça-feira, conheci o Jojoca, sociólogo de formação com atuações em diversos setores do poder público, que hoje administra a ‘Casa Brasil – Conhecimento e Cidadania’. O projeto é uma iniciativa do Governo Federal, através do Ministério de Ciência e Tecnologia e CNPQ, em parceria com as prefeituras. Para a implantação de uma unidade da Casa Brasil em Santana, foi reformada uma ampla estrutura pública para adequá-la ao projeto que prevê o funcionamento de uma biblioteca, salas de aula, salas para computadores conectados à internet, auditório e palco aberto. Isso foi feito em 2004 e desde então o projeto funciona ‘de verdade’ e oferece cursos profissionalizantes e atividades culturais ‘formadoras’ para a população. Tudo sempre ‘de graça’. É interessante como funciona o projeto do ponto de vista gestacional: o prefeito recebe recursos do CNPQ em sua conta ‘Pessoas Física’ e os executa como se fora um pesquisador credenciado. São R$ 60.000,00 por ano para serem investidos nas atividades da Casa Brasil. A prestação de contas é apresentada em nome do próprio prefeito que se assegura que os recursos são empregados com lisura para não comprometer seu nome. No caso de Santana, a Casa Brasil tem ainda recursos assegurados dentro do orçamento público do município, conferindo-lhe um plano de sustentabilidade que permite ações educacionais transformadoras.

Este é um ponto importante a ser ressaltado, que pode servir como ‘lição de sustentabilidade’ a outros projetos, especialmente o programa ‘Cultura Viva’ do MINC. Uma das falhas graves deste programa é a falta de sustentabilidade conferida aos ‘Pontos de Cultura’. A maioria destes ‘pontos’ recebeu um recurso inicial de R$ 150.000,00 para a implantação de atividades inovadoras e com grande potencial de geração de emprego (como cursos profissionalizantes para técnicos de áudio, vídeo, operadores de som, editores de vídeo e outras profissões relacionadas à cadeia produtiva da cultura) suficiente para dois anos e meio de trabalho. Estes ‘pontos’ selecionados também receberam equipamentos de áudio e vídeo no inicio do projeto.

Depois de executado o contrato entre estas associações, e contas prestadas, não se teve mais nenhuma informação do Ministério a respeito da continuidade desta parceria entre Governo Federal e Terceiro Setor. Muitos jovens que viram no programa uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional tiveram que ser ‘dispensados’ pela interrupção dos cursos. No entanto, o MINC continuou o processo de seleção de novos pontos, ampliando para alguns milhares o total participante, e sempre contabilizando os primeiros ‘pontos’ selecionados que hoje lutam para não desaparecer.

Os números podem impressionar, mas seria melhor dar continuidade ao apoio inicial, fortalecendo as instituições e permitindo-as a concluírem um processo educacional iniciado com uma parcela carente da população e prematuramente interrompido. O Ministro Gil tem mais dois anos e meio pela frente. Espero que ele, juntamente com seu Secretário Célio Turino, possa dar um direcionamento mais adequado a um dos melhores e mais sensatos projetos públicos para a área cultural já implantado no Brasil. O Cultura Viva pode ser o mais importante legado do Ministro e do Presidente Lula. Basta a revisão da execução das idéias iniciais e espírito público dos seus gestores para suportar as pressões políticas. É melhor fazer pouco e bem feito do que ceder aos números. Ao final do mandato, apresentar um relatório bonito, cheios de ‘zeros’, poderá impressionar, mas não fará nenhum bem ao Brasil.

Santana (AP)

(Leandro) Santana é um município do interior do Amapá. A cidade carece de infra-estrutura básica e sua população tem pouco acesso ao conhecimento e a educação. O acesso a bens culturais também é extremamente limitado. Algumas pessoas, ou melhor, alguns heróis vêm trabalhando para reverter este quadro, a maioria ligada aos poderes públicos e ao terceiro setor.

Foi a primeira vez que uma orquestra se apresentou no município de Santana. Em parceria com a Casa Brasil, optamos por fazer o concerto no salão principal, apesar do calor e da acústica precária. O público foi chegando, tímido, com um kilo de alimento na mão. Pessoas muito simples que lançaram-se nesta ‘aventura’ de sair de casa e ir a Casa Brasil assistir uma orquestra.

Pouco antes do início, pedimos para que as luzes especialmene colocadas para a ocasião fossem desligadas. O calor estava causticante. As cordas cedendo, os arcos sem pressão e atrito, os sopros com a afinação subindo. Vencido este problema, fomos apresentados ao público de Santana pelo Bebeto, técnico do Sesc, que conquistou todos nós com suas idéias e empenho sem limites para fazer as coisas darem certo. Comecei apresentando os instrumentos musicais e busquei fazer um concerto mais ‘didático’. Falei muito sobre Villa-Lobos, sua vida, seu pensamento e porque era importante ouvir sempre sua obra. As pessoas adoraram sua música e ficaram emocionadas. Valeu a pena.

Quando o concerto terminou, o Alex me confidenciou que ficava mais emocionado e achava mais importante fazer um concerto em Santana, naquelas condições, do que numa grande sala de concerto numa metrópole qualquer. Acho que foi este o sentimento que predominou no grupo. Vivemos a ‘democratização’ da cultura diariamente. Levar música de concerto para os extremos do país é dificil, muito mais do que fazer um concerto na sala ‘mais importante do mundo’. Acreditem. Os obstáculos internos, de cada um de nós, são os mais ‘altos’. É preciso vencer preconceitos e acreditar muito no Brasil para que todo este esforço não seja em vão. É um exercício diário de altruísmo e desprendimento. Uma grande lição que levaremos para toda a vida.

Santana (AP) Casa Brasil






quinta-feira, 26 de junho de 2008

Feliz Aniversário para as nossas 'VIOLAS'



Feliz aniversário para a bela Gliciane e nosso menino Kadu!


Equipe de produção Orquestra do Estado de Mato Grosso.

Milton Nakamoto / Magna Domingos / Laura Montes / Paula Naves / Elton Rivas, Protásio Morais / Alan Ojeda / Juliana Motta